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Zero km de 30 anos: quanto valem os carros raros achados em loja abandonada

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

08/04/2020 04h00

Os 13 carros zero-quilômetro guardados durante 30 anos no depósito de uma concessionária desativada na Argentina chamaram a atenção, após serem adquiridos por um empresário da Grande Buenos Aires.

Alexis, o comprador das preciosidades, já vendeu parte dos veículos e pretende passar adiante outros, segundo relatou a UOL Carros. Ele, porém, se nega a falar em preços.

O lote era formado na sua maioria por modelos novos da Fiat fabricados no início da década de 1990, como Uno, Tempra, Tipo e Prêmio - que, no país vizinho, foi comercializado com o nome Duna. A coleção também tinha uma perua Alfa Romeo 33 e um sedã Peugeot 405 SRI.

Consultamos especialistas, acostumados a garimpar carros antigos que nunca rodaram ou têm baixa quilometragem, para saber quanto custariam alguns dos modelos zero se fossem vendidos no Brasil.

Especificamente em relação aos Fiats, dois deles dizem que os carros da marca valem menos aqui do que no país vizinho.

Por outro lado, outro avaliador de veículos com quem conversamos vê "bastante potencial" de alguns modelos como carros de coleção, apesar dos entraves burocráticos para trazê-los e licenciá-los no Brasil.

Clássicos da VW valem mais, diz especialista

Fiat Duna 1992, o nosso Prêmio, é uma das raridades zero km adquiridas pelo Argentino Alexis - Arquivo pessoal
Fiat Duna 1992, o nosso Prêmio, é uma das raridades zero km adquiridas pelo Argentino Alexis
Imagem: Arquivo pessoal

"Precificar esse tipo de produto é difícil porque é de colecionador e não um brinquedo que você compra para usar, andar e se divertir. Aí vira especulação pura", pondera Silvio Luiz, proprietário da loja Old is Cool Motors, localizada na capital paulista.

Ainda assim, baseado na própria experiência, o empresário dá sua opinião.

"Não vejo esses carros saindo por R$ 50 mil, R$ 60 mil, por exemplo. Já vi Volkswagen Gol GTI sendo vendido por R$ 150 mil", diz o empresário.

De acordo com Luiz, o mercado de Fiats e carros italianos no Brasil é completamente diferente do que na Argentina. "Lá, eles são apaixonados pelos Fiats, pelos Alfa Romeos e também pelos Peugeots, para mencionar a marca francesa, assim como nós somos por modelos da Volkswagen".

Para o empresário, um Uno modelo básico zero sai na faixa de "R$ 25 mil, R$ 35 mil" - praticamente o mesmo que um Fiat Mobi zero básico.

Um Tipo que nunca rodou, por sua vez, pode chegar a R$ 50 mil ou R$ 60 mil, enquanto o Tempra alcança R$ 40 mil, no máximo. "Não passa disso, mesmo sendo zero-quilômetro".

'Alguns carros podem atingir alto valor'

Porém, há divergências - algo natural em um exercício de especulação de preços. Felipe Carvalho, o Caçador de Carros, acredita que, por nunca terem sido emplacados, os veículos do argentino Alexis têm alto valor aqui, porém especificamente para colecionadores.

"Por serem carros de coleção, nunca emplacados, isso limitaria bastante as chances de regularizá-los para andar, pelo menos aqui. Não sei na Argentina. Isso porque o custo e a burocracia disso seriam entraves", opina.

Para Carvalho, o Uno argentino poderia ser vendido aqui por algo entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por ser um "exemplar único" no Brasil - o modelo é de uma especificação que nunca foi comercializada no País e tem até teto solar.

"Vejo muito potencial nesse Uno resgatado, pois ele recebeu a mesma reestilização feita na Europa e que nunca tivemos aqui. O fato de ter esse desenho exclusivo o tornaria um carro único aqui no Brasil, como peça de exposição", opina.

Quanto ao Tempra, o Caçador considera que o modelo está em alta no mercado brasileiro, "assim como todos os carros nacionais da década de 90".

"O Tempra não está em alta como VW Santana e Chevrolet Vectra e Omega, por exemplo, pois a quantidade de Tempras em bom estado é bem menor. Culpa da manutenção mais complexa e da baixa qualidade de algumas peças", analisa. Para Carvalho, o Tempra em questão poderia ser comercializado na faixa de R$ 50 mil.

Felipe Carvalho também menciona o Alfa Romeo 33, outro carro do lote argentino.

"Tem registro de três Alfas 33 emplacados no Brasil, mas todas hatch. A unidade resgatada na Argentina é a perua, o que tornaria o carro exclusivo aqui. Conversei com o Ricardo Stachevski, especialista em carros da marca, e arriscaria a dizer que esse carro vale entre R$ 70 mil e R$ 90 mil no mercado brasileiro".

'Meu Tempra Ouro 1995 custa R$ 35 mil'

Na foto, o Tempra zero-quilômetro que integra o lote recentemente adquirido na Argentina - Arquivo pessoal
Na foto, o Tempra zero-quilômetro que integra o lote recentemente adquirido na Argentina
Imagem: Arquivo pessoal

Já Robson Ioris Cimadon, o Alemão, é dono de um Tempra Ouro 1995 com 65 mil km rodados e já teve um Tipo 1.6 do mesmo ano com apenas 1.300 km no hodômetro.

Ele, que é proprietário da loja Século 20, localizada em Santo André (SP), diz que não venderia o primeiro por menos de R$ 35 mil, enquanto o segundo ele já passou adiante, há menos de dois anos, por R$ 25 mil. "Tomei uma canseira para conseguir vender por esse preço".

Caso seu Tempra fosse zero, Alemão arrisca um preço entre R$ 60 mil e R$ 80 mil, enquanto um Tipo zerado não passa de R$ 35 mil, na sua avaliação. O Tipo "não tem força nenhuma no mercado" e o Tempra não é muito valorizado pelos colecionadores, pontua.

"Considere um Tempra Ouro zero-quilômetro igual ao meu e um VW Pointer com 300 km rodados, que eu vi ser vendido por cerca de R$ 100 mil. Se você pedir R$ 100 mil no Fiat, vai 'casar' com o carro. Você vende um Fusca zero por esse valor, mas não vende o Tempra".

Cimadon diz que, para vender, é preciso encontrar alguém que coleciona Fiats.

"Um carro desses pode valer muito, mas cada um pede o que quer. Cabe ao comprador decidir se quer pagar ou não".

Silvio Luiz destaca que, se os Fiats fossem mais antigos, poderiam valer muito mais. Ele cita os modelos Fiat 124 e 124 Spider, da década de 60, cujo preço tem crescido e hoje varia entre R$ 35 mil e R$ 70 mil.

Ele também salienta que carros parados por tanto tempo, como os da Argentina, requerem um gasto extra para ficarem em condições de venda.

"O cara dizer que só trocou bateria e pneus é balela. Tem de fazer o carro inteiro praticamente. É preciso recuperar os freios, porque as pinças devem ter travado, além de substituir absolutamente todas as borrachas. Componentes elétricos e eletrônicos também sofrem degradação com o passar do tempo".

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