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Testamos: Audi Q3 tem beleza e conteúdo para superar outros SUVs de luxo

Rodrigo Mora

Colaboração para o UOL

19/11/2019 15h00

O Audi Q3 ainda era um novato nas ruas europeias quando começou a ser vendido no Brasil, em maio de 2012. Fez logo de cara sucesso entre o público e a mídia. E consequentemente se tornou um dos modelos mais vendidos da Audi - disputando como A3 a liderança interna.

E não demorou para se tornar uma das referências do segmento, correspondendo a grande parte dos desejos do seu público-alvo. Logo o menor dos SUVs da Audi se tornou uma carta na manga sinônimo de confiabilidade - e até previsibilidade, no bom sentido. Naquele momento, a briga era com as primeiras gerações de BMW X1 e Land Rover Evoque, e pouco adiante com o Mercedes-Benz GLA.

Mas a concorrência se renovou e o Q3 caiu pelas tabelas. Com 1.517 unidades emplacadas no acumulado até outubro (segundo a Fenabrave, representante dos concessionários), fica atrás de antigos inimigos e também de novos, como o Volvo XC40. Curioso que na ponteira dos SUVs de luxo está o Volkswagen Tiguan (10.504 emplacamentos no período), justamente com quem o Q3 passa a dividir a nova plataforma MQB. O que é um bom sinal...

Só em 2020

Rodrigo Mora/UOL
Imagem: Rodrigo Mora/UOL

Embora já aceite encomendas do novo Q3, a Audi só terá o modelo nas lojas em algum momento dentro do primeiro trimestre de 2020. Isso porque os carros destinados ao Brasil estão sendo produzidos "entre esta e a próxima semana", de acordo com Johannes Roscheck, presidente e CEO da Audi do Brasil.

Portanto, a unidade avaliada por UOL Carros por 60 quilômetros em estradas da região da Chapada dos Guimarães era do mercado alemão. Daí a configuração curiosa: bancos em couro nas laterais e tecido no centro, Alcântara atravessando o painel e também nas portas, rodas aro 18 e volante da linha esportiva S (achatado na base e com o couro perfurado nas laterais) sem borboletas para troca de marcha.

Para o Brasil, três pacotes iniciais estão definidos: Prestige (R$ 179.990), Prestige Plus (R$ 189.990) e Black (R$ 209.990). O primeiro catálogo já é recheado por Audi Drive Select (que define os modos de condução, do esportivo ao econômico), banco do motorista com ajuste elétrico, banco traseiro com ajuste de inclinação do encosto, painel de instrumentos digital, airbags dianteiros laterais e de cabeça, assistente de partida em rampa e controle de descida, faróis em LED e câmera de ré.

Ao segundo pacote juntam-se ar-condicionado automático de duas zonas, o (quase indispensável) Virtual Cockpit, pacote de luzes ambiente, porta-malas com abetura e fechamento elétrico e faróis "full-led".

Na versão Black há teto solar, volante esportivo com aletas para troca de marcha, auxiliar de estacionamento (Park Assist) e o passageiro também ganha banco com ajuste elétrico.

Q5

Já imagino a cena: casal entra na concessionária Audi com foco no Q5, mas acaba passando batido quando avista o Q3, de linhas mais ousadas e por isso, para nosso gosto, muito mais atraente. Os faróis te olham com muito mais malicia e agressividade. E toda a proporção entre eles, a grade e o para-choque é adequada. Não foi preciso apelar para chegar a um desenho chamativo.

A traseira é mais discreta, mas não destoa. Talvez porque as laterais conduzam bem a sensação de largura e dinamismo até as portas traseiras, onde a linha de cintura é alarga até desembocar nas lanternas.

O novo Q3 agora é feito sobre a plataforma MQB - fora o último a entrar para o time da arquitetura modular - e isso se traduz em mais espaço interno. São quase 8 centímetro a mais de entre-eixos (totalizando 2,68 metros), o que se refletiu menos no espaço para quem viaja atrás (bom, mas não ótimo) e mais no porta-malas, agora com 530 litros - que podem chegar a 675 litros com o banco traseiro corrediço avançado o máximo que pode.

Para o motorista, uma posição de guiar confortável e agora de atitude esportiva, com o volante mais na vertical. Não há um comando que não esteja à mão e seja fácil de encontrar. E também gostamos da alavanca de câmbio mais alta em relação à antiga.

Todo Q3 vem com motor 1.4 turbo de 150 cv, 25,5 kgfm de torque e acoplado a um câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas. Mas não foi o que dirigimos: nosso carro, aquele do mercado alemão, estava com um 1.5 turbo, que de acordo com a marca rende os mesmos números.

O que dá para concluir duas coisas. Se um dia estiver por aqui, sabemos que esse conjunto dará ao Q3 um desempenho adequado, bom entrosamento com a transmissão e suavidade e rapidez nas trocas. E se a força é a mesma, bom, o 1.4 no Q3 continuará fazendo um ótimo serviço, aliando boas arrancadas e retomadas e sendo frugal quando o tratamos o acelerador com moderação.

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