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Toyota Mirai: testamos o carro a hidrogênio que será usado na Olimpíada

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Tóquio (Japão)

12/10/2019 04h00

A Toyota aposta há alguns anos no hidrogênio como alternativa para uma mobilidade menos poluente. A oferta e a venda de veículos movidos a célula de combustível, porém, ainda é baixa e quase restrita ao Japão.

A fabricante aproveitará os próximos Jogos Olímpicos, que acontecem ano que vem em Tóquio, para exibir a tecnologia como viável e projeta um crescimento na demanda. UOL Carros foi até lá para conferir como funcionam os veículos movidos a hidrogênio.

"Risco de explosão? As pessoas deviam perguntar isso sobre veículos a combustão. O veículo a hidrogênio é mais seguro que os veículos convencionais", afirma Ron Haigh, gerente de projeto da Toyota.

Segundo o Haigh, o tanque onde o hidrogênio fica armazenado em alta pressão, na parte traseira, é de carbono reforçado e resiste a um tiro de arma de fogo. "Já fizemos crash-tests onde o carro foi completamente destruído e o tanque ficou intacto", diz.

Em caso de vazamentos, o que, garante o executivo, seria bastante improvável, a parte baixa do veículo é projetada de modo a dissipar rapidamente o hidrogênio.

Pilha gigante, água no escape

Ricardo Ribeiro/UOL
Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

A "mágica" acontece na célula de combustível. É nela que ocorre uma reação química entre o oxigênio e o hidrogênio para gerar a eletricidade que movimenta o carro. É como uma pilha gigante e não poluente. O subproduto desta reação é apenas água. Ao invés de CO2, a traseira do carro apenas despeja um pouco de água ou vapor d'água.

Um carro que "urina" água no lugar de soltar os gases do aquecimento global pode ser perfeito para o momento em que vivemos. No entanto, assim como o elétrico, os custos são a grande barreira. A tecnologia ainda é cara, são necessários postos especiais de abastecimento e hoje o preço do hidrogênio ainda é 20% superior ao da gasolina.

"A célula de combustível costumava ser do tamanho de uma geladeira. O tamanho e o custo reduziram e vão reduzir ainda mais, para novos modelos de carros e maior volume de produção", promete Haigh. Hoje a Toyota vende apenas o Mirai, um sedã a hidrogênio, mas aposta no crescimento da produção em massa a partir do ano que vem.

Duas razões. A primeira, a montadora terá carros e ônibus transportando visitantes e atletas durante a Olimpíada de Tóquio. A segunda, o Japão deve se tornar auto-suficiente em hidrogênio, hoje importado do Oriente Médio e da Austrália.

Testamos o Mirai

Ricardo Ribeiro/UOL
Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

UOL Carros testou uma unidade do Mirai em um pequeno circuito fechado em uma espécie de "cidade da Toyota" que a fabricante mantém em Tóquio. O Toyota Megaweb integra museu, show room e áreas interativas, onde clientes e futuros clientes podem conhecer as novidades e a história da empresa.

Quem já conduziu elétricos não sente diferenças: silêncio e suavidade, com a diversão do torque instantâneo. Apesar dos 1.850 kg de peso para a potência mediana de 154 cv, os 34,2 kgfm constantes entregam uma resposta quase sempre espevitada — especialmente em "power mode".

Algumas voltas depois, apertamos um botão no painel, e uma saída na traseira despeja uma pequena cachoeira por alguns segundos. É a única diferença externa que entrega não se tratar de um carro com propulsão convencional, uma vez que o desenho não difere muito de outros Toyota recentes.

Outra vantagem do hidrogênio é o abastecimento mais rápido que o de muitos elétricos. Segundo a marca, bastam de 3 a 5 minutos para encher o tanque e o Mirai pode rodar até 550 km.

É um recurso típico do Japão, país que enfrenta desastres naturais com resiliência e eficiência, a célula de combustível do Mirai pode ser convertida em fonte de energia em situações de emergência. Ela pode abastecer uma casa por até três dias mesmo que o carro esteja danificado.

Nova geração vem aí

As vendas, porém, ainda são baixas. Desde o lançamento, em 2015, foram vendidas pouco mais de 3000 unidades. A Toyota tem a meta ambiciosa de passar a 30 mil por ano em 2020, dentro do plano que passa pela auto-suficiência e a vitrine olímpica.

Além do Japão, seu maior mercado, o Mirai está disponível em Califórnia (EUA), Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Suécia e Noruega.

O Mirai custa o equivalente 70 mil dólares (cerca de R$ 290 mil), mas no Japão há incentivos. O governo federal paga 20 mil e, se for em Tóquio, a prefeitura entra com outros 10 mil, reduzindo preço para 40 mil dólares (R$ 165 mil).

UOL Carros apurou que a Toyota também exibirá o protótipo da nova geração do Mirai no Salão de Tóquio, no próximo mês, dentro deste plano de turbinar as vendas do modelo. A marca também promete que os pontos de abastecimento de hidrogênio devem passar dos atuais 100 para 900.

Ron Haigh destaca, contudo, que globalmente o hidrogênio é parte complementar de uma estratégia que prevê igualmente espaço para veículos elétricos e híbridos com baterias de íon de lítio. O Prius, que acaba de chegar à nova geração, é atualmente o híbrido mais vendido do mundo.

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* Viagem a convite da Toyota

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