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Salão de Frankfurt


Fim dos salões? Frankfurt indica que feiras vão mudar para não morrerem

Estande da VW equiilibra interatividade com exposição de carros - Ricardo Ribeiro/Colaboração para o UOL
Estande da VW equiilibra interatividade com exposição de carros
Imagem: Ricardo Ribeiro/Colaboração para o UOL

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, de Frankfurt (Alemanha)

13/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Esvaziado, Salão de Frankfurt tem estandes menores e menos carros
  • Mercedes e VW apostam em abordagem fora do normal em Salões
  • Eventos trocam modelo tradicional por foco em mobilidade e interatividade

Os salões de automóvel como conhecemos estão com os dias contados. A edição 2019 de Frankfurt reflete os primeiros sinais de uma mudança que parece inevitável na indústria automotiva.

Estandes menores, apresentações mais comedidas e menos lançamentos, em tempos de sustentabilidade em uma Europa onde a paixão pelo carro há muito arrefeceu.

As novas gerações estão mais interessadas em tecnologia e a preocupação com ambiente estão em alta, por pressão desses consumidores ou das legislações. E apenas apresentar modelos elétricos não é suficiente.

A BMW, que costumava ter um pavilhão inteiro, dividiu espaço com Opel e Jaguar Land Rover. A Audi trocou a arena exclusiva, com carros circulando pelas paredes, por um espaço menos, dentro do pavilhão do grupo Volkswagen. Marcas como Toyota, Fiat, Nissan, Peugeot, Citroën, Ferrari e Rolls-Royce nem apareceram.

Na edição deste ano, VW e Mercedes foram as marcas que melhor entenderam essa mudança de cenários e parecem ter acertado na comunicação com este novo público. Talvez por isso são as únicas que mantiveram seus pavilhões exclusivos.

A Mercedes continua com um suntuoso hall de três andares, com escadas rolante e arquibancadas para apresentações no palco, mas adotou telões em HD, que mesclavam imagens de carros clássicos e novidades da marca.

A montadora também apostou em espaços interativos para demonstrar seus patinetes elétricos, programas compartilhamento de veículos, drones para transporte de cargas, tecnologias de propulsão híbrida ou a célula de combustível e estações para testar seu multimídia de inteligência artificial. E, claro, versões híbridas para os Classe A, B, G e S.

Já a Volkswagen misturou telões e projeções em várias estações, integradas a unidades do novo ID.3, para mostrar os destaques do compacto elétrico — de raio-x das estruturas do veículo ao funcionamento do novo head display com realidade aumentada.

Ainda assim, o salão está claramente menor. Não só porque shows caros e espalhafatosos (leia gelo seco e carros descendo do teto) não combinam com os novos tempos da indústrias. Os fabricantes tem apostado em feiras de tecnologia e salões menores, como Los Angeles e Nova York ou mesmo dividindo-se entre Paris ou Frankfurt.

As marcas também devem se dividir entre as diferentes feiras. evitando ter que dividir as atenções em um super salão concentrado e, claro, reduzindo os custos elevados da montagem de um estande. Esse é o caminho dos salões de automóveis para o futuro: mostras menores e mais focadas em mobilidade e conectividade.

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