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Você sabia que a Bélgica joga um bolão fazendo carros? Veja cinco exemplos

Primeira geração do Astra ficou conhecida como "Astra belga" no Brasil - Divulgação
Primeira geração do Astra ficou conhecida como "Astra belga" no Brasil
Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/07/2018 04h00

País que enfrenta Brasil nas quartas-de-final da Copa do Mundo já produziu modelos bem conhecidos no Brasil

A Bélgica será o adversário do Brasil nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Recheada de estrelas de grandes times europeus, a seleção do país europeu situado entre França, Holanda e Alemanha é considerada uma das mais promissoras do planeta há alguns anos, embora ainda não tenha conseguido títulos.

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Entretanto, não é só no futebol que os belgas mandam bem. O país está longe de ser a potência do começo do século XX (quando foi um dos maiores fabricantes de veículos do mundo), mas ainda abriga fábricas de grandes montadoras europeias, como Audi e Volvo. Destas localidades são exportados veículos para o mundo inteiro, inclusive no Brasil.

UOL Carros convocou cinco craques do presente e passado para mostrar que a Bélgica também bate um bolão fora dos campos de futebol.

Volkswagen Fusca

O carro mais carismático já produzido pela Volkswagen também foi feito na Bélgica. O primeiro Fusca saiu de Bruxelas em 1954, quando 750 funcionários trabalhavam na linha de montagem em um ritmo de produção de 75 unidades por dia.

A fábrica, que também produzia modelos da norte-americana Studebaker, logo se renderia ao sucesso do "besouro". Em 1970, mais de 95% dos 835.236 veículos feitos no local eram Volkswagen.

A produção do Fusca durou até 1975, totalizando mais de 1,1 milhão de carros fabricados em 21 anos.

Volkswagen Fusca - Divulgação - Divulgação
Mais de 1 milhão de Fuscas foram feitos em Bruxelas
Imagem: Divulgação

Chevrolet Astra

A Chevrolet precisava de um modelo atraente para concorrer com os badalados Fiat Tipo e Volkswagen Golf em meados dos anos 90. A decisão veio rápido: trazer o então desconhecido Astra diretamente da Bélgica -- onde era vendido pela Opel.

O modelo desembarcou por aqui no fim de 1994 nas versões hatch e perua, substituindo a cansada dupla Kadett/Ipanema.

Disponível apenas na versão de acabamento GLS, o Astra tinha o conhecido motor 2.0 MPFI de 116 cv. Sua lista de itens de série era satisfatória, incluindo direção hidráulica, ar-condicionado e vidros, travas e retrovisores elétricos. Airbag duplo era opcional.

O “Astra belga”, porém, teve vida curta no Brasil. A repentina alta do IPI de 20% para 70% já seria suficiente para inviabilizar sua importação. Entretanto, a nova geração do Astra já estava pronta em 1996, mesmo ano em que a GM iniciou as vendas da segunda geração do Vectra, que se tornaria um sucesso entre os sedãs médios.

Em tempo: o nome Astra voltaria ao nosso país em 1998, inicialmente fabricado por aqui nas versões hatch de duas portas e sedã de quatro portas.

Opel Astra - Divulgação - Divulgação
Astra era vendido com a marca Chevrolet no Brasil
Imagem: Divulgação

Ford Mondeo

O Mondeo desembarcou no Brasil em 1994 com a missão de substituir o Versailles, fruto da Autolatina, a fracassada aliança com a Volkswagen. Projeto global, o sedã era produzido na fábrica belga de Genk, que recebeu um investimento de US$ 6 bilhões para sua modernização. O modelo tinha três tipos de carroceria: hatch, sedã e perua, todas com cinco portas.

O modelo vendido no mercado brasileiro tinha um generoso vidro traseiro integrado à tampa do porta-malas -- justificando a classificação de hatchback, embora tivesse uma “meia traseira” parecida com a do Escort. As versões de acabamento eram CLX e GLX, equipadas com os motores Zetec 1.8 (115 cv) e 2.0 (136 cv), respectivamente.

Uma profunda reestilização foi revelada em 1997. Seguindo a tendência de linhas ovais aplicada pela Ford naquela época, o carro ganhou mais personalidade. Faróis e lanternas eram grandes e a grade frontal era… oval, é claro.

A atualização veio acompanhada de uma decisão estratégica: em vez do hatch, o sedã passou a ser trazido para cá ao lado da perua Mondeo.

Dois anos depois veio a versão topo de gama Ghia, equipada com um motor 2.5 V6 de 170 cv. A segunda geração estreou no Brasil em 2002 ostentando a nova identidade de estilo da Ford, designada New Edge.

Linhas mais retas e angulosas substituíram os traços redondos, seguindo o padrão adotados em vários modelos da marca, como Focus e Fiesta. Por ser um carro mais refinado do que seu antecessor, o Mondeo subiu de patamar, passando a competir com modelos como Volkswagen Passat e Honda Accord. Faltava, porém, uma motorização mais potente: a Duratec 2.0 de 147 cv era a única opção disponível no Brasil.

Uma nova reestilização veio em 2005, mas logo a Ford viu que o acordo comercial firmado com o México poderia ser mais vantajoso do que importar um modelo caro da Europa. Com isso, o Mondeo foi substituído pelo Fusion no mercado brasileiro -- e nunca mais voltou para cá.

O Mondeo foi fabricado pela Ford em solo belga até 2013. Atualmente, o modelo (que é uma versão europeia do Fusion) é produzido na Espanha e Rússia.

Ford Mondeo - Divulgação - Divulgação
Mondeo foi vendido no mercado brasileiro até 2005
Imagem: Divulgação

Audi A1

A Audi acompanhava de longe o crescimento dos compactos de luxo até 2010. Naquele ano a marca apresentou o A1, antecipado três anos antes pelo conceito metroproject quattro no Salão de Tóquio de 2007. A intenção era clara: roubar clientes do descolado Mini Cooper.

Produzido em uma fábrica nos arredores da capital Bruxelas, o A1 aproveitava a plataforma da quinta geração do Volkswagen Polo, que nunca foi vendida no Brasil. Inicialmente foi vendido apenas com carroceria de duas portas, mas a opção das quatro portas (chamada de A1 Sportback) veio apenas um ano após seu debute.

O mercado brasileiro recebia o modelo em 2011. Tinha o motor 1.4 TFSI de 122 cv associado a uma transmissão automatizada de sete velocidades com dupla embreagem.

Apesar da potência não ser tão impressionante, o bom torque de 20 kgfm aliado ao baixo peso (1.125 kg) deixavam o A1 bastante espertinho. Dados fornecidos pela Audi indicavam aceleração de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos e velocidade máxima de 203 km/h.

A primeira (e única) reestilização do A1 aconteceu em 2015, com sua chegada ao Brasil um ano depois. O compacto teve um aumento de 3 cv no motor 1.4 e o lançamento da versão Ambition, equipada com um possante 1.8 turbo de 192 cv. Os números de desempenho eram empolgantes: 0 a 100 km/h em 6,9 segundos e velocidade final de 234 km/h.

Apresentada neste ano, a segunda geração do A1 não será mais fabricada na Bélgica. Isso porque caberá à espanhola Seat a responsabilidade de produzir o compacto nos próximos anos. Mas não pense que os belgas ficaram a ver navios: a partir do dia 30 de agosto de 2018 será iniciada a produção do SUV elétrico e-tron.

Audi A1 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
O pequeno A1 nasceu para rivalizar com o Mini Cooper
Imagem: Murilo Góes/UOL

Volvo XC40, S60, V60 e V40

O XC40 é uma das grandes apostas da Volvo para ganhar terreno no segmento de SUVs premium no mundo inteiro. Isso só aumenta a responsabilidade da fábrica de Ghent, responsável pela produção do utilitário esportivo e outros modelos da marca.

Inaugurada em 1965, a fábrica foi a primeira construída fora da Suécia. Desde então, vários modelos importantes foram feitos lá, como a linha 120 (mais conhecida como Amazon), C30 e a primeira geração do XC60.

Além dos modelos Volvo, a fábrica de Ghent também faz os modelos elétricos da Lynk & Co., marca de veículos elétricos adquirida pela chinesa Geely -- proprietária da Volvo. Futuramente, outros modelos baseados na mesma plataforma do XC40 (conhecida pelo codinome CMA, de Compact Modular Architecture) devem ser feitos na Bélgica.

Além do XC40, a Volvo faz outros três modelos em solo belga. São eles o hatch V40, a perua V60 e o sedã S60. Destes, apenas o novo S60 deixará de ser produzido na Bélgica para ser feito nos Estados Unidos.

O V40 sai da linha de montagem de Ghent desde 2012. Já a nova geração da V60 (cuja importação para o Brasil será iniciada ainda neste ano) também será fabricada na Suécia para abastecer a demanda global.

Volvo XC40 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
XC40 é o primeiro SUV compacto da história da Volvo
Imagem: Murilo Góes/UOL