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Jeep Commander: novo SUV de 7 lugares é carro brasileiro mais sofisticado?

Jeep Commander - Divulgação
Jeep Commander Imagem: Divulgação
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Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

06/09/2021 04h00

Novo SUV de sete lugares da Jeep, o Commander também é forte candidato a um título que pode lhe fazer muito bem: o de carro mais luxuoso produzido no Brasil. Porém, existe uma concorrência muito forte para o automóvel que começa a ser entregue em outubro: os BMW feitos em Araquari (SC).

Da fábrica saem vários modelos, como Série 3 e até o X3. Não há dúvidas: eles são mais luxuosos que o Commander. Além disso, a Land Rover anunciou que retomará a produção do Range Rover Evoque em Itatiaia (RJ) no último trimestre deste ano.

Mas há um argumento que pode fazer toda a diferença a favor do Commander. Tanto os BMW quanto o Evoque são pouco mais que montados no Brasil. Para não dizer que vêm simplesmente em kits importados, eles até passam por algumas etapas produtivas no País, como a pintura. Têm, no entanto, índice de nacionalização muito baixo, muitas vezes inferiores a 30%.

Por isso, mesmo montados e cumprindo uma ou outra etapa produtiva no Brasil, há quem não considere os BMW verdadeiros nacionais, algo que também ocorrerá quando o Evoque for novamente nacionalizado. Tudo neles é importado, inclusive os preços. Eles custam tanto quanto custariam se já viessem prontos da Europa.

Com o Commander é diferente. No novo modelo da Jeep, o índice médio de nacionalização é de 65%, já considerado bem alto. O número fica um pouco maior (mas não é divulgado separadamente pela Jeep) nas versões com o motor 1.3 flexível, pois esse componente é produzido em Betim (MG). Já o propulsor a diesel vem da Itália.

Brasileiros sofisticados

O Brasil passou a fabricar nos últimos anos muitos modelos dotados de amplo pacote tecnológico e cuidado especial com o acabamento interno. Nessa lista está um outro carro da Jeep, o Compass.

Neste ano, passou a ser produzido localmente o Toyota Corolla Cross (o Volkswagen Taos é argentino). O Caoa Chery Tiggo 8 também pode ser colocado nesse grupo, mas com um índice de nacionalização um pouco inferior ao dos demais.

Esses carros tendem a tirar ainda mais espaço dos sedãs médios (Toyota Corolla e Honda Civic, entre outros), que antes eram a referência nacional para quem queria um modelo com um pouco mais de sofisticação. Esses três-volumes já perderam terreno para SUVs compactos (Jeep Renegade, Volkswagen T-Cross, Honda HR-V, Hyundai Creta, etc).

Porém, ainda tinham apelo com clientes interessados em mais tecnologia e sofisticação. Os SUVs compactos são produtos inferiores nesses aspectos, embora tenham preços semelhantes. Os médios, não.

Embora sejam mais caros que os sedãs, os SUVs médios são também modelos bem mais desejados. E é neles que as marcas vêm apostando todas as suas fichas quando o assunto é tecnologia e sofisticação. Em baixa, os três-volumes médios serão cada vez mais modelos de nicho - já há pouquíssimos representantes no mercado.

Por que o Commander se destaca

Quando comparado a carros nacionais como Jeep Compass, Tiggo 8 e Corolla Cross, ou mesmo a sedãs médios como Civic e Corolla, o Commander, feito em Goiana (PE), se destaca em tecnologias de assistência. Dependendo da versão, há sensores de ponto cego e fadiga, detector de tráfego cruzado e assistência ao estacionamento.

O carro traz ainda controlador de velocidade de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma de emergência com detecção de ciclistas e pedestres. Além das assistências, o Commander se destaca por faróis full-LEDs antiofuscamento e sistema de som premium Harman-Kardon (usado por marcas como BMW e Volvo).

Atrás, o ar-condicionado tem exclusivo comando de velocidade. A lista de equipamentos vai além, mas esses destaques colocam o Commander em um patamar acima de outros novos SUVs sofisticados quando o assunto é tecnologia.

Mas não é só a lista de equipamentos o argumento do Commander. O acabamento de portas é igual ao do Compass, o que não é uma característica negativa, pois o do Jeep menor é muito bom. Só que o SUV de sete lugares vai além, usando na cabine materiais como Alcântara e alumínio.

O interior do Commander ficou muito sofisticado e bem acima do de outros SUVs médios que também concorrem pelo posto de mais luxuosos carros brasileiros. Por isso, quando comparado a eles, o Jeep leva a melhor com certa folga.

Para mim, o BMW X3 é o carro mais sofisticado a sair de uma fábrica no Brasil. Mas, considerando os produzidos aqui de fato, com alto índice de nacionalização, o Commander leva o título. A Jeep aposta que ele será líder no segmento de SUVs de sete lugares. Eu também. E acrescento: vai deixar para trás muito utilitário-esportivo médio mais barato.

Mudanças no mercado

A sofisticação de modelos nacional é uma tendência, que vem junto com preços mais altos. O Commander, afinal de contas, parte de R$ 200 mil e vai a R$ 280 mil. Mas até modelos de segmentos inferiores estão se sofisticando.

Exemplo é o novo Hyundai Creta, que até deixou a desejar no quesito motor da versão de topo (o 2.0 aspirado foi mantido), mas caprichou na tecnologia. Tem ACC e até sistema semiautônomo de condução. O preço seguiu o nível de sofisticação tecnológica: passa dos R$ 157 mil na opção mais cara, Ultimate.

Enquanto isso, os hatches compactos, antigos campeões e líderes no quesito investimento das marcas, vão perdendo espaço - e também ficando cada vez mais defasados. O público desse tipo de modelo perdeu poder aquisitivo e está comprando menos. E isso já vinha ocorrendo antes mesmo da pandemia.

Essa nova realidade econômica é uma oportunidade para as montadoras mudarem seus modelos de negócio. Carros mais básicos dão menos lucro. Um exemplar de um modelo como o Commander vendido rende bem mais margem às empresas que os fabricam.

Os hatches compactos e outros modelos de entrada não serão deixados totalmente de lado. Mas a tendência é de que, cada vez mais, fiquem voltados a frotas e a programas de aluguel de veículos - grande parte das marcas já tem os seus próprios.

Enquanto isso, montadoras lançarão no Brasil mais modelos nacionais de alto valor agregado, como o Corolla Cross, o Tiggo 8, o Commander e o Taos. O Volkswagen pode até ser argentino, mas seu principal mercado é o brasileiro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL