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Paula Gama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Roubo de carga: como a insegurança nas estradas dá fôlego à inflação no BR

O crime gerou um prejuízo financeiro de R$ 1,27 bilhão em 2021 - Léo Pinheiro/Framephoto/Estadão Conteúdo
O crime gerou um prejuízo financeiro de R$ 1,27 bilhão em 2021 Imagem: Léo Pinheiro/Framephoto/Estadão Conteúdo
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Paula Gama

Jornalista especializada no mercado automotivo desde 2014, Paula Gama tem 28 anos e avalia diversos modelos no Brasil e no exterior. Nesta coluna, você terá opiniões sinceras sobre os lançamentos, cultura automotiva, tendências e análises de comportamento do consumidor.

Colunista do UOL

06/05/2022 12h00

No Brasil, todos os problemas crônicos culminam no aumento de preço das mercadorias e, consequentemente, no empobrecimento da população. Como se não bastasse os quase um bilhão de litros de diesel desperdiçados devido às péssimas condições de nossas estradas, o alto índice de roubo de carga também encarece o transporte no país. Mais de 60% das transportadoras relatam já terem sido vítimas do crime.

O dado é de uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes sobre o perfil empresarial das transportadoras do país. 62,5% das empresas entrevistadas informaram que seus veículos já foram alvo de roubos de carga. Para se prevenir do crime, 74,8% das empresas contratam seguro para toda a sua frota. As regiões Sul e Sudeste foram apontadas como aquelas com o maior número de ocorrências.

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Outro levantamento, desta vez da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), aponta que os roubos de carga tiveram aumento de 1,7% no país em 2021. Foi a primeira alta desde 2017. No total, o prejuízo financeiro chega a R$ 1,27 bilhão. Quem paga a conta, naturalmente, é o consumidor final, não apenas pelos prejuízos, mas pelos sistemas extras de segurança que as transportadoras são obrigadas a implantar.

De acordo com o presidente da CNT, Vander Costa, a insegurança nas estradas é mais um item a dar fôlego à inflação brasileira. "O elevado número de ocorrências de roubo de cargas expõe o transportador a uma situação de risco. O prejuízo decorrente tende a encarecer o serviço oferecido e o preço final dos produtos transportados, onerando, em última instância, o consumidor", afirma.

Além destes entraves que oneram o transportador, o empresário identificou outros itens de grande relevância em relação a seus custos operacionais: a maioria (81,5%) atribuiu ao combustível o maior impacto no gasto das empresas, seguido da mão de obra (11,2% dos entrevistados).

O preço do diesel foi citado por 82,3% dos respondentes como uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo setor. No que diz respeito a sinistros, 47% dos empresários afirmaram que seus veículos se envolveram em algum acidente nos últimos 12 meses.

Tudo certo para dar errado

Como de costume, nas estradas brasileiras, um problema puxa o outro. Para se ter uma ideia, a maior parte de nossas rodovias não possui áreas de descanso públicas para caminhoneiros com segurança 24 horas.

Esse é apenas um dos problemas de nossas estradas, mas já gera, no mínimo, duas outras questões gravíssimas: primeiro, o descanso do caminhoneiro é desestimulado, inflando os dados sobre acidentes. Olhando por outro prisma, muitas paradas são marginalizadas, sem segurança e estrutura necessária, tornando mais fácil o crime de roubo de carga.

As péssimas condições do asfalto em si, que obrigam os veículos a reduzirem drasticamente a velocidade, também facilitam o crime. Sem falar no desgaste do veículo, que geram mais gastos repassados ao consumidor e mais riscos de acidente. É a bola de neve do subdesenvolvimento que transforma o Brasil em um país com problemas cada vez mais complexos de serem resolvidos.

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