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Meio ambiente: por que devemos evitar o uso do carro para curtas distâncias

Getty Images
Imagem: Getty Images
Jamile Santana

Escritora, poeta, cientista social, pesquisadora com estudos no âmbito do mobilidade, direito à cidade e segregação sócio espacial e racial. É cicloativista interseccional e coordenadora da ONG Movimenta La Frida.

Colunista do UOL

01/09/2020 04h00

Há práticas sobre como guardar feijão em pote de sorvete, fazer da garrafa de pet recipiente de água, vaso de planta, banquinho, árvore de Natal e etc... Plantar e colher seu próprio alimento, assim como ter a bicicleta e a caminhada como principais formas de locomoção, são atividades realizadas principalmente pela parte da população que vive à margem das localidade sócio-economicamente favorecidas, nas favelas, interiores, quilombos, vilarejos.

Tais práticas são sumariamente invisibilizadas como movimentos revolucionários de desenvolvimento sustentável, anticapitalista, progressistas, ambientalistas ciclo-ativismo cidadã. São territórios de ativismo em prol de cidades democráticas.

Não estou aqui a romantizar o cotidiano das pessoas afetadas pelas desigualdades, e sim para evidenciar suas estratégias de militância que vestem sua luta diária voluntária ou involuntária por uma cidade sustentável.

A parte da população desfavorecida economicamente sempre teve que se apegar à força da resiliência de se reinventar frente às dificuldades e ausência de recurso. Práticas sustentáveis promovidas por nós pouco ou quase nunca são mencionadas nem mesmo nos discursos ditos "progressistas".

A existência de uma sistema capitalista que influencia o indivíduo a "ter para ser alguém" nos impulsiona ao consumismo exacerbado por busca de um status social. Com isso, por muitas vezes fechamos os olhos para possibilidades de práticas de modo de vida mais simples e prazerosas, que respeitem as diferentes culturas e estejam ao alcance e acesso de todos.

Dentro disso está a importância de EVITAR o uso dos carros. Automóveis são responsáveis por 72,6% (IEMA) das emissões de gases como CO2, que prejudicam o ser humano e contribuem com o efeito estufa.

O carro é usado 60% das vezes para locomoção de 2 km a 5 km, na maioria das vezes levando somente seu condutor. Ou seja, uma pessoa em um veículo que comporta quatro ou cinco e que, a cada um quilômetro, libera com seu carro aproximadamente 150 g de gás carbônico - distância que poderia ser percorrida de forma menos prejudicial ao meio ambiente, mais saudável ao indivíduo e mais dinâmica.

Por isso a importância de utilizar meios de transporte como bicicletas, metrô e ônibus, ou até mesmo da caminhada, como forma de contribuir na redução do impacto ambiental. Assim como revermos nosso consumo em relação às indústrias que não se preocupam com o desenvolvimento sustentável.

Mudar é abrir caminhos e possibilidades, aderir um modo de vida que reduza os danos no meio ambiente tendo como exemplo e inspiração as práticas e estratégias contra-hegemônicas das comunidades periféricas - não somente como exemplo, mas reconhecendo seus movimentos revolucionários e dando seus devidos créditos, evidenciando suas potencialidades e investindo exponencialmente em tais territórios para que se tornem espaços modelos de desenvolvimento sustentável.

No geral, melhoremos nossos hábitos explorando o dia a dia. Antes de sair de casa, pergunte-se: "Para onde vou? Qual distância irei percorrer? Que meio de transporte devo usar? Lembre que o objetivo é melhorar seus hábitos para melhorar a cidade e o mundo. Então não tenha medo de experimentar e sair da zona de conforto, se descubra em movimento. EVITE-MUDE-MELHORE.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.