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Pílula e spray nasal: armas contra a covid-19 podem convencer antivacinas

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Imagem: iStock

17/01/2022 10h02

A pandemia de covid-19 continua nas capas dos principais jornais franceses desta segunda-feira (17). O diário Le Parisien destaca o lançamento de uma pílula contra a doença, que chegará às prateleiras das farmácias da França no final deste mês.

A pandemia de covid-19 continua nas capas dos principais jornais franceses desta segunda-feira (17). O diário Le Parisien destaca o lançamento de uma pílula contra a doença, que chegará às prateleiras das farmácias da França no final deste mês.

"Enfim um medicamento contra a covid-19" é a manchete de capa do jornal Le Parisien. O comprimido Paxlovid, da gigante farmacêutica Pfizer, é apresentado como uma grande arma contra a doença. A pílula já foi testada em pacientes contaminados pela Covid-19 em Israel e reduz a mortalidade de forma significativa, comemoram médicos entrevistados pelo diário.

A matéria ressalta que a descoberta da variante ômicron marca uma nova fase da pandemia, com a chegada de novos fármacos adaptados a essa linhagem mais contagiosa do coronavírus. A Pfizer e a Moderna travam uma corrida contra o relógio para o lançamento de novas vacinas que combatem especificamente a cepa identificada em novembro de 2021 na África do Sul.

No entanto, a própria OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece que não será possível manter uma estratégia baseada em vacinas caso a pandemia continue evoluindo. Por isso, os laboratórios se focam em outros tipos de medicamentos, como sprays nasais, alguns deles desenvolvidos na França atualmente.

O jornal Le Parisien entrevistou membros de uma equipe do Instituto de Pesquisa para a Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente da França, que desenvolve a chamada "vacina mucosa". O medicamento teria dois públicos-alvo: pessoas já imunizadas, para aumentar sua proteção face ao vírus, e populações cujo acesso à vacina é escasso. Os testes clínicos deste spray anticovid devem ocorrer no segundo semestre deste ano.

Não vacinados lotam hospitais na França

Com o lançamento de outras soluções contra o coronavírus, os cientistas esperam também derrubar os argumentos dos antivacinas. O jornal Les Echos publica uma matéria sobre a exaustão dos médicos franceses, obrigados a enfrentar argumentos conspiracionistas desde o início da pandemia. O diário lembra que nas UTIs francesas, a maioria dos pacientes internados não se vacinou contra a covid-19 - comportamento que suscita incompreensão e revolta na classe médica.

O chefe do setor de anestesia e reanimação do Hospital Universitário de Bordeaux, Olivier Joannes-Boyau, conta que, na unidade onde trabalha, boa parte dos pacientes adota um discurso negacionista sobre as vacinas na chegada, mas ao ver seu estado de saúde se agravar, se arrependem ter recusado a imunização. Em entrevista ao Les Echos, o especialista afirma que os médicos não têm a intenção de culpabilizar os pacientes, mas estão cansados de ouvir desculpas como "se eu soubesse antes".

Médicos abandonam carreira

Exaustos com esse tipo de comportamento, com volume de trabalho e com uma pandemia sem fim, muitos profissionais de saúde preferem abandonar suas carreiras, o que acarreta o surgimento de "desertos médicos" na França. O assunto está na capa do jornal Le Figaro, que destaca que um terço das cidades francesas sofrem com esse problema.

O diário publica que o país é palco de um fenômeno inédito de fechamentos de serviços médicos inteiros devido à falta de profissionais. "Esses heróis que a França aplaudida no início da pandemia estão hoje exaustos", afirma Le Figaro.

Mesmo os aumentos de salário e bônus propostos pelo governo parecem não convencer empregados de hospitais e centros de saúde. "Eles preferem pedir demissão e mudar de carreira", afirma Maxime Lebigot, sindicalista e funcionário do hospital de Laval, no oeste da França, em entrevista ao jornal Le Figaro.

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