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Franceses avançam em pesquisa de predisposição genética grave da covid-19

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Imagem: iStock

29/09/2020 12h52

O instituto franco-americano Imagine, com laboratórios em Paris e Nova York, pesquisa desde maio se haveria uma predisposição genética nas formas graves da Covid-19. Em um novo artigo, recém-publicado na revista Science, os diretores do instituto, o pediatra Jean-Laurent Casanova e o geneticista Laurent Abel, mostram que 15% das formas graves da infecção pulmonar têm causas genéticas e imunológicas.

O instituto franco-americano Imagine, com laboratórios em Paris e Nova York, pesquisa desde maio se haveria uma predisposição genética nas formas graves da covid-19. Em um novo artigo, recém-publicado na revista Science, os diretores do instituto, o pediatra Jean-Laurent Casanova e o geneticista Laurent Abel, mostram que 15% das formas graves da infecção pulmonar têm causas genéticas e imunológicas.

Em entrevista ao jornal francês Le Parisien, Laurent Abel explica que de 3% a 4% dos pacientes afetados pela forma grave da Covid-19 são portadores de mutações genéticas que reduzem a produção de interferons (IFNs) do tipo 1, implicados em primeira linha na defesa antiviral. A pesquisa se orienta agora para o desenvolvimento de testes de diagnóstico que poderiam identificar esses pacientes de risco.

Alguns estudos estão bem avançados e uma alternativa de tratamento promissor seria elaborar medicamentos a partir de interferons do tipo 1, que poderão compensar o déficit existente no organismo do doente, detalha o geneticista. Moléculas desse tipo são comercializadas há 30 anos e possuem a vantagem de não provocar efeitos colaterais significativos. Elas poderiam ser utilizadas durante um curto período de tempo em pacientes com a forma grave da covid-19.

Os pesquisadores do Instituto Imagine fizeram uma outra descoberta: de 10% a 11% dos doentes afetados pela forma grave da infecção pulmonar têm a particularidade de produzir autoanticorpos que neutralizam os interferons do tipo 1 e os impedem de combater a doença. O ponto em comum entre eles é que a maioria são homens.

Dos 101 casos estudados com essas características clínicas, 95 eram homens. Das seis mulheres, apenas uma era portadora da incontinência pigmentar, uma doença genética rara dominante ligada ao cromossomo X.

A fragilidade de alguns homens ante o novo coronavírus não é novidade. O que os pesquisadores tentam fazer agora é identificar todas as mutações genéticas que podem explicar essa debilidade, entre elas elas essa mutação do cromossomo X, para produzir avanços no combate à forma grave da covid-19.

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