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Estudo: Comorbidades são diferentes em crianças que têm covid mais grave

Pesquisa feita pela UFRJ apontou para comorbidades como doenças neuromusculares e asma; faixa etária apresenta forma mais grave da covid-19 associada a síndrome - Valery Sharifulin/Valery Sharifulin/TASS
Pesquisa feita pela UFRJ apontou para comorbidades como doenças neuromusculares e asma; faixa etária apresenta forma mais grave da covid-19 associada a síndrome Imagem: Valery Sharifulin/Valery Sharifulin/TASS

De Viva Bem, em São Paulo

14/09/2020 10h57Atualizada em 14/09/2020 10h57

Um estudo feito com 79 crianças e adolescentes — com 1 mês a 19 anos de idade — internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de cinco estados (BA; CE; PA; RJ e SP) mostrou que os fatores de riscos que levam a um quadro grave da covid-19 são diferentes em comparação aos adultos.

As comorbidades mais vistas na análise são encefalopatia não progressiva — além de outras doenças neuromusculares —, e doenças respiratórias crônicas, em especial, a asma.

No caso dos adultos, a diabetes e as doenças cardiovasculares é que assumem o aumento do risco com o coronavírus.

Com esses fatores, as chances da criança desenvolver uma forma mais grave da covid-19 vão para 5,5 vezes mais quando comparada com uma que não têm o mesmo histórico.

O estudo também mostrou que bebês menores de um ano não têm maior necessidade de ventilação mecânica do que as crianças mais velhas.

Problemas além do pulmão

As análises feitas por pesquisadores do Instituto D'OR de Pesquisa e Ensino da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e de outras 13 instituições brasileiras apontaram para uma forma mais grave da covid-19 nos pacientes.

Mesmo sendo menos de 2% dos casos sintomáticos, as crianças podem evoluir para a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica.

A síndrome tem uma série de problemas afeta o coração, rins, fígado, intestino, cérebro, pele e baço.

Com sintomas diversos, ela está frequentemente associada à febre persistente, acompanhada de pressão baixa, conjuntivite, manchas no corpo, diarreia, dor abdominal, náuseas e vômitos, entre outros.

"Os pais devem estar atentos não somente a sintomas respiratórios. Na MIS [sigla da síndrome em inglês], sintomas gastrointestinais são mais comuns. Uma criança com febre e dor abdominal precisa ser avaliada", disse Arnaldo Prata, coordenador de pesquisa do Instituto D'OR, ao jornal O Globo.

Atenção de todos

O Ministério da Saúde lançou em julho um sistema de monitoramento da síndrome através do preenchimento de formulário no sistema de comunicação do órgão.

Arnaldo Prata chegou a apresentar o resultado da pesquisa na reunião da Comissão Externa de Enfrentamento a Covid-19, do Senado, já em setembro.

O pediatra alertou para a porcentagem de 87% das crianças internadas em UTI terem a covid-19 e, destas, 13% apresentarem quadro clínico associado a síndrome.

"Ou seja, entre crianças de 0 a 19 anos, a doença inflamatória multissistêmica pode acometer de 10% e 15% das que adoecem e que precisam ser internadas devido a covid-19", disse ele.

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