Conheça os riscos à saúde de 10 brinquedos de parques de diversão

Será que alguns brinquedos de parque podem ser considerados de diversão? Às vezes, "zerar a vida" acaba tendo outro sentido. Falhas de manutenção, uso e segurança que terminam em acidentes, mortes... Vários casos assim já foram registrados não só no Brasil, como no mundo.

Mas, mesmo em ótimo estado de conservação e funcionamento, muitas atrações de parque, sobretudo as mais radicais, oferecem prejuízos à saúde, sendo alguns leves e outros seríssimos. A seguir, a fim de se precaver, veja os principais riscos que a busca por adrenalina pode custar:

1. Montanha-russa

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Sua alta velocidade pode provocar labirintite, asfixia, hipotermia e em quem tem hipertensão, problemas cardiovasculares e epilepsia uma maior probabilidade de sofrer infarto, AVC e convulsões. O brinquedo também facilita rompimento de veias, hematomas e coágulos, causando pressão intracraniana, enxaqueca, confusão mental e dificuldade de se movimentar.

"O cérebro chacoalha dentro do crânio, pois não são colados, há um espaço com líquido entre os dois", diz Júlio Barbosa, médico pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e neurocirurgião.

2. Elevador que despenca

Por simular uma queda livre e frear bruscamente quando se aproxima do chão, pode causar problemas semelhantes aos da montanha-russa. É que, embora seguro pela trava, o corpo segue o movimento de aceleração, assim a cabeça e os órgãos vão para frente e para trás, podendo sair do lugar e colidindo-se com outras estruturas, até ocorrer a estabilização.

A velocidade mais a adrenalina causam ainda uma "pane" que induz ao desmaio, que também pode ocorrer quando o sangue, em contrafluxo, não consegue chegar à cabeça. Numa situação atípica, não recorrente, passar por isso não faz tão mal, mas acende o alerta, continua Barbosa.

3. Carrinho bate-bate

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As colisões frontais entre os carrinhos causam danos ao pescoço, tórax, rosto e à coluna, mesmo que estejamos usando cinto de segurança. Os sintomas de danos, como lesões, contusões e microfraturas nos locais citados incluem dores intensas, rigidez de nuca e ombros, fraqueza nos membros, dificuldade de respiração, vertigem, formigamentos e inchaços.

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"A chamada 'lesão em chicote', causada por um tranco, extensão e flexão anormal na coluna cervical, pode comprometer tanto o desenvolvimento motor como a marcha da criança", adverte Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra da AAP (Academia Americana de Pediatria).

4. Toboágua

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Esse tubo deslizante e com curvas que termina numa piscina pode machucar feio o corpo, se houver impacto e arremesso por excesso de velocidade na descida ou de pressão e fluxo de água. Fora esses acidentes, outros incluem cortes, afogamentos e quedas de boias quando elas viram. Um engavetamento com colisão entre os ocupantes dentro do toboágua pode ser fatal.

5. Barco viking

O movimento intenso de balançar do brinquedo pode causar queda de pressão, tontura, náuseas, taquicardia, distúrbios intestinais e crises de ansiedade e pânico. Isso tudo ocorre porque nossos sistemas sensorial e proprioceptivo percebem o vai e vem, mas não conseguem precisar nossa posição com relação à força da gravidade ao cérebro, que acaba desnorteado.

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6. Pula-pula

Também presente em festas de aniversário e conhecido como cama-elástica, está entre os brinquedos que mais acidentam crianças ao redor do mundo. Sem supervisão e redes de proteção, elas podem ser ejetadas para longe. Ou, assim como os adultos, se machucarem de forma grave se caírem umas sobre as outras, tendo traumatismos na cabeça e nos membros.

"Esses brinquedos são um grande perigo, pular parece algo simples, mas esconde armadilhas. Observamos aumento de torções, entorses, lesões ligamentares e fraturas, principalmente de tornozelo", explica a ortopedista Tania Mann, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

7. Trampolim de água

Para quem gosta de piscina, cuidado também com trampolins, como tábua flexível, ou infláveis gigantes, tipo bolha. Um salto mal calculado, cãibras ou escorregões podem render luxações, torções, danos às articulações e fraturas em pés e pernas, que podem ficar paralisadas. Cair de cabeça facilita o risco de tetraplegia, pois a cervical acaba recebendo toda a carga do corpo.

"Mergulho em água rasa chega a ser a segunda causa de lesão medular, especialmente nos meses quentes, de verão", alerta Alexandre Fogaça, professor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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8. Chapéu-mexicano

Girar rápido demais e por tempo prolongado nessa atração em formato de disco com balanços acoplados pode levar alguém ao pronto-socorro. É que ela desestabiliza o ritmo do coração e a circulação, desencadeia visão turva, vômito, perda de consciência, rompimento de tecidos e vasos sanguíneos de olhos, nariz e couro cabeludo e até deslocamento de pálpebras e retina.

Outra preocupação diz respeito às luzes do brinquedo. Acesas de noite, se forem muito intensas e com movimentos alternados e rápidos demais, podem induzir náuseas, tontura e até convulsão, especialmente em crianças com epilepsia por fotossensibilidade, diz Ejzenbaum.

9. Pêndulo gigante

Girar e ficar de ponta cabeça pode ser divertido para alguns, mas não é legal para a saúde. Em se tratando do pulmão, ele pode ser pressionado por órgãos grandes e pesados, a exemplo do fígado e intestino, e não consegue absorver oxigênio suficiente. Já o coração reduz a velocidade em que bombeia o sangue, a pressão fica desestabilizada e o cérebro pode sofrer hemorragias.

10. Trem-fantasma

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Atenção cardiopatas (pessoas com arritmias, obstrução nas artérias, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial), ou pretensos cardiopatas não identificados (sujeitos predisponentes para ter doenças coronárias), pois uma experiência como essa pode causar sustos muito intensos e potencialmente fatais. Fora palidez, frieza, dilatação de pupilas, oscilação da pressão e desmaio.

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"Se pretende ir a um parque de diversão ou se passou mal com muita emoção, por mínimo que tenha sido o sintoma, consulte um médico e faça exames para se certificar de que não tenha nenhuma condição mais grave, como uma má formação no coração, problemas em válvulas e outras doenças", recomenda João Vicente da Silveira, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês (SP).

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