Black Friday: quando comprar vira compulsão? Existe tratamento?

Tantas promoções da Black Friday são uma tentação para pessoas com compulsão por compras. Esse é um transtorno caracterizado pelo comprar excessivo apenas pelo prazer e para anestesiar a ansiedade. No entanto, o problema causa ainda mais sofrimento —inclusive financeiro.

Profissionais de saúde mental alertam pessoas que notam esse desconforto a buscar ajuda médica. Na maioria dos casos, a vergonha em compartilhar os comportamentos repetitivos é uma barreira para o diagnóstico e, como consequência, o acesso ao tratamento.

Qual a diferença entre um consumista e um comprador compulsivo?

Quase todas as pessoas já viveram episódios de consumismo, caracterizados por excessos na hora de comprar. A diferença é que, para quem tem o transtorno, essa situação é constante e envolve sofrimento significativo.

Um comprador compulsivo sabe que o comportamento faz mal, mas entra em um ciclo e não consegue parar de gastar. Isso traz sofrimento. Já o consumista, não tem esse desconforto.

O transtorno pode ser acompanhado de quadros de ansiedade e depressão. Investigar esses sintomas é essencial para o êxito do tratamento.

Na maioria dos casos, comprar coisas é visto pela pessoa como uma forma de aliviar algum sentimento, como angústia ou tristeza.

Embora a compra compulsiva seja discutida desde o século passado, há poucos estudos sobre a origem do transtorno. Algumas evidências sugerem que estão envolvidas alterações genéticas, a identidade da pessoa e histórico de dependências na família —químicas ou comportamentais, por exemplo.

Tem tratamento?

O tratamento é multidisciplinar, sendo que pode levar tempo para obter resultados satisfatórios. Além disso, para cada tipo de ato compulsivo, haverá uma estratégia diferente. Em geral, as abordagens envolvem:

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1. Psicoterapia

No acompanhamento, o psicólogo conhece o paciente e o ambiente no qual ele está inserido, identificando os estímulos que representam gatilhos para a compulsão.

A partir dessa análise, considera-se trabalhar o processo cognitivo e o significado das situações, ajudando-o a adotar um novo padrão de comportamento com o desenvolvimento de alternativas para lidar com os sentimentos nas situações que levam ao comportamento compulsivo.

2. Medicamentos

O uso de medicamentos também pode ser utilizado como um complemento à psicoterapia.

Uma avaliação criteriosa para definir qual medicação e dosagem adequadas precisa ser feita por um profissional especialista, que irá avaliar não só os efeitos positivos, mas os potenciais efeitos adversos.

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*Com informações de reportagens publicadas em 03/09/19, 03/03/23 e o Blog do Dr. Cristiano Nabuco.

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