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Longevidade

Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável


Pessoas negras e asiáticas envelhecem mais devagar ou é impressão?

O ator Samuel L. Jackson tem 73 anos - Divulgação
O ator Samuel L. Jackson tem 73 anos Imagem: Divulgação

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

17/06/2022 04h00

Oprah Winfrey, Samuel L. Jackson, Rosalind Chao, BD Wong são famosos, respectivamente, negros e de ascendência asiática/oriental que passaram dos 60 anos e não parecem ter envelhecido. Mas, para além deles, você provavelmente deve conhecer muita gente anônima que se encaixa nesse perfil, e ainda se perguntar sobre seu segredo para manter a aparência jovem por tanto tempo. Segundo os médicos, a resposta combina herança genética, cuidados e tipo de pele.

"A pele negra tende a ter uma maior espessura [firmeza], além de proteção natural contra o fotoenvelhecimento devido à melanina [que garante a pigmentação da pele e a proteção contra a radiação ultravioleta]. Também os asiáticos possuem um estrato córneo [camada mais externa da epiderme] espesso, com maior proteção à pele em comparação aos brancos", explica Lucas Oliveira, geriatra do Hospital Cárdio Pulmonar, da Rede D'Or, em Salvador.

O médico continua que sem um histórico importante —de exposição ao sol, estresse, sono irregular, tabagismo, álcool—, que se soma à genética e ao tipo de pele, o surgimento e impacto das alterações relacionadas ao envelhecimento ainda serão menores.

Para quem vê de fora, isso costuma ser mais notado no visual, mas o próprio sujeito percebe no espelho e no toque. Sua pele não é tão seca, fina e frágil, nem tão propensa a coceiras, lesões e feridas.

Entenda o envelhecimento da pele

O ator BD Wong tem 61 anos - Valerie Macon/AFP - Valerie Macon/AFP
O ator BD Wong tem 61 anos
Imagem: Valerie Macon/AFP

Com o avançar da idade, ocorrem reduções de colágeno (que contribui para a elasticidade e resistência da pele), elastina (que assim como o colágeno é outra proteína importante para a saúde da pele) e microcirculação (circulação do sangue em uma rede de vasos micrométricos, localizados nas camadas da pele), surgindo as linhas de expressão, as rugas e os declínios já pontuados e que apresentam diferenças entre as diversas populações humanas.

"Por volta da quarta/quinta década de vida já começam a surgir as rugas e as linhas de expressão. Orientais e negros, pelas características de suas peles, vão apresentar uma maior resistência às agressões sofridas, aparentando um envelhecimento mais lento", informa Oliveira, seguido por Natan Chehter, geriatra da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo: "A composição e a degeneração dos colágenos neles são um pouco diferentes, em comparação à pele branca".

Sem esquecer, de novo, dos fatores externos. O geriatra da BP esclarece que, às vezes, alguém acha que a boa aparência da pele advém apenas de genética e cor, quando, na verdade, pode ter a ver mais com bons hábitos adquiridos: "Pessoas que se expõem menos ao sol, e isso vale para todos, assim como as que usam protetor solar, aparentemente têm um envelhecimento cutâneo melhor, esteticamente falando, e ainda em termos de prevenção de câncer de pele".

Cabelos estão sujeitos a essa lógica?

Cabelos brancos - iStock - iStock
Imagem: iStock

A despigmentação dos fios também está sujeita à influência racial, sendo mais tardia nos asiáticos em relação aos caucasianos, e ainda mais tardia entre os negros. "A melanina é uma pigmentação que regula não só a cor da pele, como de olhos e cabelos. Sabe-se que pessoas de pele clara a produzem pouco, enquanto as de pele escura apresentam uma quantidade maior", afirma Erick Barreto, médico pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Oliveira diz que, contudo, existe também uma forte atuação hereditária: "É comum vermos, independente da etnia, um padrão familiar".

Agora, quando se fica grisalho de forma precoce e rápida, vale investigar com um especialista, pois pode haver associação com alguma doença.

Fios brancos nem sempre surgem de forma natural, como parte do envelhecimento, em que as células responsáveis pela produção de melanina no bulbo capilar (melanócitos) começam a se degenerar, ou com fatores genéticos hereditários.

Denominado canice, esse processo, quando antes dos 25/30 anos, pode ter relação com altas doses de cortisol (hormônio do estresse), que inflama e destrói as células, além de doenças autoimunes e infecções no couro cabeludo.

Como prolongar a jovialidade?

Casal de idosos dançando feliz, velho, velha, idoso, idosa - iStock - iStock
Imagem: iStock

Para "parar o tempo" no rosto —e corpo— sem recorrer a procedimentos estéticos, tome nota de conselhos médicos seguidos à risca pelo influenciador digital asiático Chuando Tan. Aos 56 anos e com aparência de menos de 30, ele afirma que mantém a boa forma com uma dieta saudável e equilibrada, não fuma nem bebe álcool, se exercita regularmente, bebe muita água ao longo do dia, dorme bem (deita cedo e levanta cedo) e trabalha com o que gosta.

Inclusive, ter prazer pelo que faz e se sentir relaxado pode evitar a continuidade do surgimento de cabelos embranquecidos, ao menos, na fase inicial. Segundo um estudo da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, reduzir os níveis de estresse faz com que o fio, dentro do folículo piloso, antes de crescer e sair, recupere sua cor. Mas vale também usar fórmulas naturais antioxidantes e anti-inflamatórias que podem ser ingeridas ou aplicadas no couro cabeludo.

São recomendações que valem para todos, que igualmente devem se proteger da radiação solar. Enquanto a pele branca enruga, fica flácida precocemente e sempre queima, a asiática tende a ressecar e queima moderadamente, e a negra pode ficar com poros, cravos e marcas mais escuros.

Dessa forma, quanto mais cedo iniciar os cuidados, melhor. Sob o sol, capriche no protetor, inclusive labial, evite longa exposição e use chapéus e roupas com proteção UV.