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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Infecção urinária é muito comum; tratamento ameniza sintomas rapidamente

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Janaína Silva

Colaboração para VivaBem

04/04/2022 04h00

Ardência, dor ao urinar —chamada também de disúria—, aumento da frequência e urgência urinária, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, calafrios, dor abaixo do umbigo e uma possível incontinência urinária estão entre os principais sintomas da infecção que lista entre as mais frequentes provocadas por bactérias no ser humano.

"A infecção urinária é a segunda mais comum na população em geral", informa Antonio Peixoto de Lucena Cunha, urologista, coordenador do Departamento de Infecções, Inflamações e ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).

Aos primeiros sinais, os especialistas recomendam buscar atendimento médico para o diagnóstico e prescrição medicamentosa para o correto tratamento.

"Em casos mais graves, febre e dor lombar indicam a possibilidade da infecção ter atingido não só a bexiga, mas também os rins. O mau odor não é sintoma e pode estar relacionado a outras doenças dos rins ou da bexiga", orienta Luis Augusto Seabra Rios, urologista e diretor do serviço de urologia do HSPE (Hospital do Servidor Estadual de São Paulo) do Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo).

A boa notícia é que com medicamentos adequados, após entre 12 e 48 horas, os incômodos são reduzidos. Na lista dos bons hábitos recomendados para reduzir os desconfortos, a hidratação para aumentar o volume urinário e a ingestão de sucos cítricos, para elevar a acidez da urina, são estratégias que dificultam a proliferação das bactérias e ajudam no controle dos sintomas.

O sistema urinário é, normalmente, estéril e livre de bactérias. As infecções urinárias surgem quando ele é invadido por bactérias. Ao se proliferarem na uretra, ela recebe o nome de uretrite; na bexiga, cistite ou nos rins, pielonefrite.

Quando crônica, a inflamação provoca disfunção da bexiga, é capaz de alcançar o trato superior e ter como consequência o acometimento renal grave, capaz de levar à falência do órgão e até a morte em alguns casos.

Quais são as causas?

Sexo, transa - iStock - iStock
Infecção urinária pode surgir após uma noite (ou dia) de relações sexuais
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"O ato sexual, o represamento da urina por qualquer motivo, queda da imunidade e condições hereditárias facilitam o surgimento das bactérias mais agressivas com a consequente infecção no trato urinário", explica o diretor do serviço de urologia do HSPE.

Para Cunha, da SBU, a principal defesa é o esvaziamento completo da bexiga durante a micção. A constipação intestinal é fator de risco em qualquer idade. "Distúrbios intestinais —diarreia e prisão de ventre— necessitam ser controlados com uma boa dieta, pois propiciam a proliferação de bactérias no intestino e na região perianal facilitando a contaminação do trato urinário."

"No homem, o estreitamento da uretra e aumento da próstata estão entre as causas de infecções recorrentes e a orientação é que sejam avaliados e controlados", alerta Ubirajara Barroso Jr., urologista pediátrico, diretor da Escola Superior de Urologia da SBU.

Mulheres são as mais afetadas

mulher vagina vulva sexo cama ginecologista - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Por questões anatômicas, as mulheres com vagina têm risco maior de apresentar ITUs (infecções no trato urinário).

"Estudos indicam que cerca de 50% das mulheres terão ao menos um episódio durante suas vidas. Uma em três terá no mínimo um com necessidade de tratamento medicamentoso até os 24 anos. De 11% até 15% delas desenvolvem infecções do trato urinário a cada ano e pelo menos 25% terão uma ou mais recorrências", lista Bruno Falcão Santos, urologista e coordenador do Serviço de Urologia do Hupes (Hospital Universitário Professor Edgard Santos) da UFBA (Universidade Federal da Bahia), que faz parte da rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

Como o canal que liga a bexiga ao meio externo —a uretra— é curto, as bactérias e fungos da região da vagina e do ânus têm mais facilidade em alcançar a bexiga e, com isso, causar a infecção.

"Alterações da flora vaginal que modificam as defesas locais, como ocorre nos casos de corrimentos vaginais, e facilitam a proliferação de bactérias causam o adoecimento", esclarece o urologista, coordenador do Departamento de Infecções, Inflamações e ISTs da SBU.

Entre os fatores de risco estão o uso de diafragma ou espermicidas, alterações do trato urinário, presença de litíase —pedras nos rins— e uso de sonda vesical para drenagem da urina. Na menopausa, há piora da ação hormonal na vagina, com consequente queda das barreiras de proteção contra infecção, como a presença de lactobacilos, havendo predisposição de crescimento bacteriano e ascensão de microrganismos à bexiga.

Além disso, é importante atentar para a higiene e cuidados com os orifícios —vaginal e uretral— e com a pele adjacente, a fim de evitar que bactérias intestinais eliminadas pela evacuação penetrem na vagina ou na uretra.

"Água e sabonete são os mais recomendados para higiene íntima, o uso de antissépticos sem recomendação médica é desaconselhado porque chegam a irritar e destruir as defesas naturais existentes na vagina contra a proliferação de bactérias nocivas ao organismo", alerta Cunha.

Avaliar a ação dos hormônios no órgão feminino, urinar após o ato sexual e manter uma boa lubrificação vaginal na penetração são outras orientações a serem seguidas.

Perigos na gestação

mulher grávida - Povozniuk/Getty Images/iStockphoto - Povozniuk/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Povozniuk/Getty Images/iStockphoto

Estima-se que uma em cinco mulheres grávidas desenvolverá infecção urinária, sendo que elas têm quatro vezes mais risco que as não gestantes.

"O aumento de frequência deve-se à alteração da fisiologia hormonal e ao efeito mecânico de compressão pelo aumento do útero, predispondo à queda das barreiras contra a infecção e retenção urinária, respectivamente", informa Barroso Jr.

A preocupação reside na associação da doença e 50% do aumento do risco de complicações maternas como inflamação renal, pré-eclâmpsia, anemia, inflamação endometrial (tecido que recobre internamente o útero), cicatriz renal, parto prematuro e bebê de baixo peso.

De acordo com o urologista pediátrico, a presença significativa de bactérias na urina, em gestantes, mesmo na ausência de sintomas, deve ser tratada com antibióticos.

Cuidados com crianças e idosos

A infecção urinária acomete cerca de 7% das crianças. "Nos primeiros dois anos de vida, são mais frequentes as doenças urológicas congênitas, como as obstruções e o refluxo de urina para o rim. Já após o desfralde, é comum apresentarem disfunções da função da bexiga, postergando a micção e se predispondo ao crescimento bacteriano na urina", esclarece Barroso Jr.

Em crianças pequenas, o principal sintoma é febre e as maiores apresentam ardência para urinar, aumento da frequência urinária ou dor com o enchimento da bexiga.

Os idosos são, também, suscetíveis à infecção por várias razões. O urologista pediátrico e diretor da Escola Superior de Urologia da SBU afirma que a função da bexiga se altera com a idade, fazendo com que retenha mais urina. A defesa do organismo contra a infecção também é afetada. "Idosos com piora da cognição são mais suscetíveis."

É essencial seguir a recomendação médica

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Tratamentos inadequados —tipo de remédio ou tempo de administração inapropriados—, higiene inadequada, presença de corrimento vaginal, de cálculos ou de corpos estranhos no trato urinário constituem uma das principais causas de repetição ou de cistites crônicas.

Embora em alguns casos possa ocorrer a cura espontânea, a maioria precisa ser tratada com drogas antimicrobianas, por dose única ou períodos de três a 14 dias, dependendo da intensidade da infecção e da medicação empregada.

"Quando já está estabelecida a infecção urinária, o uso de chás, antissépticos urinários, banho de assento e compressa morna no baixo ventre somente amenizam sintomas clínicos de dor pélvica e ardor urinário, mas sem nenhum efeito no tratamento", orienta o coordenador do serviço de urologia do Hupes.

Contudo, o diretor do serviço de urologia do HSPE recomenda que não se use nada que não seja prescrito pelo médico. "Plantas e produtos, ainda que presentes na natureza, interferem na composição da urina e levam ao agravamento do quadro infeccioso."