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Ômicron: o que já se sabe sobre a variante do coronavírus

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Imagem: iStock

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

10/01/2022 19h48Atualizada em 28/01/2022 19h23

A variante ômicron foi detectada na África do Sul no começo de novembro de 2021 e relatada à OMS (Organização Mundial da Saúde) no dia 24. Desde então, o número de casos de coronavírus aumentou drasticamente.

A organização destaca que, por mais que essa nova variante seja vista como mais "leve", a ômicron não deve ser descrita como branda, já que ela está matando pessoas em todo o mundo. Em sua maioria, são pacientes que não tomaram a vacina.

"Assim como as variantes anteriores, a ômicron está hospitalizando e matando pessoas. Na verdade, o tsunami de casos é tão grande e rápido que está sobrecarregando os sistemas de saúde em todo o mundo", disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em janeiro deste ano.

Ômicron já é variante dominante no Brasil

Um estudo feito pelo ITpS (Instituto Todos pela Saúde) em parceria com os laboratórios CDL, Dasa e DB Molecular, apontou que a ômicron já corresponde a 98,7% dos casos de covid no país. A análise foi feita com mais de 8 mil testes RT-PCR, entre 2 a 8 de dezembro. Dessas, 3.212 foram positivos para o Sars-CoV-2, sendo que 3.171 (98,7%) eram de infecções causadas pela nova variante.

Antes, levantamento da plataforma Our World in Data, vinculada à Universidade de Oxford e referência na publicação de dados sobre a pandemia, já mostrava que a nova variante era responsável por mais da metade das infecções no Brasil.

Desde que foi descoberta, ela se espalhou rapidamente pelo mundo e, em breve, dever ser a variante dominante. Com isso, a cepa também já se tornou dominante em diversos outros países, como na própria África do Sul, Reino Unido, França, EUA, Portugal, entre outros.

Maior capacidade de transmissão, mais reinfecção, mas menos gravidade

Um estudo feita pela HKUMed (Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong) analisou a capacidade de replicação da variante ômicron e indicou que ela pode ser de fato mais transmissível, porém, causar quadros infecciosos menos severos.

Os pesquisadores destacaram que, mesmo com severidade reduzida, o risco global da linhagem é "provavelmente muito significativa". Na análise feita em tecidos pulmonares, os cientistas concluíram que, quando comparada às outras duas cepas, a ômicron se multiplica 70 vezes mais rapidamente nos brônquios humanos —estruturas com formato de tubo que ligam traqueia e pulmões, cuja função é encaminhar ar para esses órgãos.

12.nov.2020 - Fisioterapeuta atende paciente com covid-19 na UTI de hospital em Igarapé-Miri, no Pará - Tarso Sarraf/Estadão Conteúdo - Tarso Sarraf/Estadão Conteúdo
Imagem: Tarso Sarraf/Estadão Conteúdo

Isso pode explicar por que a linhagem detectada na África do Sul é mais transmissível. Inclusive, esse é um ponto importante e de muita preocupação: com essa alta transmissibilidade, diversos setores são afetados, como os hospitais, com profissionais afastados, os serviços essenciais, como transporte e supermercados, além de escolas, companhias aéreas, entre outros.

Estudos também já mostram que a taxa de reinfecção pode ser maior com a ômicron, segundo a OMS. Em dezembro, o Imperial College London estimou que o risco de reinfecção com a ômicron é mais de cinco vezes maior do que com a delta.

Uma outra pesquisa produzida por cientistas da África do Sul apontou que a variante ômicron pode "escapar" de parte da imunidade adquirida por pessoas que já tiveram covid-19. Os pesquisadores detectaram um aumento no número de pessoas que pegaram a doença mais de uma vez.

Risco de hospitalização é menor, mostram estudos

Um levantamento preliminar da Universidade de Edimburgo, na Escócia, vem acompanhando justamente o número de pessoas infectadas que acabam precisando do hospital.

Segundo os pesquisadores, se a ômicron se comportasse da mesma forma que a variante delta, seria esperado que 47 pessoas já tivessem sido hospitalizadas na Escócia, mas até agora, há apenas 15 pacientes nessa situação.

Esses resultados foram publicados na quarta-feira em 22 de dezembro de 2021, e ainda não passaram pela chamada revisão dos pares. Com isso, o risco de hospitalização pode ser de 30 a 70% menor com esta variante na comparação com outras. No entanto, os especialistas reforçam que a possível sobrecarga dos hospitais ainda é preocupante.

Isso também ocorreu na África do Sul, logo após a descoberta da ômicron. Apesar da explosão de novos casos, o país teve menos hospitalizações e mortes que em ondas anteriores da pandemia.

Já uma outra pesquisa do Imperial College de Londres com pacientes com covid-19 infectados pela variante ômicron apontou que o risco de hospitalização é menor em relação às pessoas que contraíram a delta.

A chance de internação com a nova cepa do coronavírus é entre 40% e 45% menor. O estudo analisou dados de casos confirmados por testes laboratoriais RT-PCR (o molecular, considerado mais preciso) na Inglaterra, entre 1º e 14 de dezembro. Foram 56 mil diagnósticos de ômicron e 269 mil de delta estudados.

Maior proporção de pessoas sem sintomas

A OMS reportou que um estudo realizado na África do Sul, incluindo vacinados, concluiu que pessoas sem sintomas, rotineiramente testadas, foram infectadas em maior proporção (16%) durante a dominância da ômicron; já no período da beta e da delta, esse percentual era bem menor: 2.6%.

Eficácia das vacinas: o que sabemos até agora

Com o surgimento da variante ômicron, muitas pessoas estão preocupadas se as vacinas contra o coronavírus ainda vão oferecer uma boa proteção. No entanto, vale ressaltar que ainda não existem tantos estudos que cheguem a uma conclusão definitiva.

A OMS afirmou que mais pesquisas são necessárias para descobrir se os atuais imunizantes oferecem proteção adequada contra a variante —mesmo com os fabricantes desenvolvendo a próxima geração de vacinas.

vacina, ômicron - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

O mais importante é que as vacinas salvam a vida. Até o momento, elas diminuíram significativamente o número de casos graves, que necessitam de internação, e a quantidade de óbitos. Diversas pesquisas sugerem que a dose de reforço, ou 3ª dose, é essencial para prolongar a imunidade gerada pelo imunizante.

No Reino Unido, um estudo inicial demonstrou que três injeções de vacina reduziram o risco de morte por covid-19 em 95% naqueles com 50 anos ou mais durante o surto da variante ômicron. Isso mostra que a imunidade da vacinação resistiu bem aos piores efeitos da doença mesmo entre os idosos que estão em maior risco.

Um estudo preliminar realizado por cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, em parceria com o Ministério da Saúde da República Dominicana, indicou que pessoas imunizadas com a vacina Coronavac podem precisar de duas doses de reforço com o imunizante da Pfizer para estarem protegidas contra a ômicron.

Outros estudos, também sem revisão por outros cientistas, afirmaram a mesma coisa. Inclusive, pesquisadores disseram que uma nova versão da vacina CoronaVac efetiva contra a variante ômicron do Sars-CoV-2 pode estar disponível em até três meses.

Com a Pfizer, um estudo feito com a vacina mostrou que ela é menos efetiva contra internação pela ômicron. De acordo com os dados, as duas doses do imunizante proporcionaram 70% de proteção contra hospitalização na África do Sul —ainda sim, confere uma alta proteção. Os pesquisadores alertam que as descobertas são consideradas preliminares. A farmacêutica informou que está trabalhando em uma vacina "adaptada" contra ômicron, e espera que ela fique pronta até março de 2022.

Um outro artigo, também sem revisão por pares, envolvendo AstraZeneca, Pfizer, Janssen e Moderna, mostrou que todos os imunizantes são menos eficazes contra a nova variante, mas ainda geram alguma proteção —e qualquer proteção é melhor do que nenhuma.

Já outra pesquisa da Universidade de Oxford, com AstraZeneca e Pfizer, concluiu que as duas doses das duas vacinas não induzem anticorpos neutralizadores suficientes contra a variante ômicron. No entanto, o estudo disse que isso não significa que poderia aumentar o risco de doenças graves, hospitalizações ou morte naqueles que receberam duas doses de vacinas aprovadas.

Dose de reforço é essencial

Quando o coronavírus surgiu há 2 anos, as vacinas foram todas desenvolvidas para combater a primeira forma do vírus. Portanto, uma terceira dose ou dose de "reforço" desses imunizantes originais pode fazer a diferença.

Uma dose de reforço não é apenas mais do mesmo para o sistema imunológico. A proteção que você adquire após a terceira dose é maior, mais ampla e mais memorável do que você tinha antes.

Sintomas da ômicron: dor de garganta é o mais comum

Os sintomas da ômicron apresentam diferenças se comparados com outras variantes. São eles:

  • Febre e calafrios
  • Tosse
  • Dificuldade para respirar
  • Cansaço
  • Dor muscular ou no corpo
  • Dor de cabeça
  • Perda de olfato e paladar
  • Dor de garganta
  • Congestão nasal ou coriza
  • Náusea ou vômito
  • Diarreia
PFF2, máscara,  - iStock - iStock
PFF2 é a máscara que oferece maior proteção contra covid-19
Imagem: iStock

Peguei covid. O que fazer? Quanto tempo devo ficar isolado?

  • Evite encontrar outras pessoas.
  • Faça isolamento por pelo menos 10 dias;
  • Se precisar sair de casa, use PFF2 bem ajustada no rosto;
  • Se possível, faça o teste de covid-19;
  • Avise todas as pessoas que você teve contato anteriormente.

Como fica o isolamento?

São três tipos principais de orientações de isolamento nesta nova fase da pandemia. O dia é contado sempre a partir do início dos sintomas, se houver, ou do teste positivo:

Cinco dias A pessoa só poderá sair do isolamento nesse prazo se no fim do quinto dia:

  • Não estiver com sintomas respiratórios nem febre há pelo menos 24 horas, sem tomar remédios antitérmicos para baixá-la;
  • Testar negativo com exames de PCR ou antígeno.

Mesmo se a pessoa testar negativo, é indicado continuar adotando medidas adicionais, como trabalhar de casa se puder e usar máscara em locais com pessoas. Se o indivíduo ainda testar positivo, é necessário manter o isolamento até o décimo dia.

Sete dias Ao fim de sete dias, é possível sair do isolamento sem teste se o paciente:

  • Não estiver com sintomas respiratórios nem febre por pelo menos 24 horas;
  • Não tiver tomado remédio antitérmico há pelo menos 24 horas.

Neste caso, não é necessário fazer teste para comprovar o negativo. Se os sintomas respiratórios ou febre persistirem no sétimo dia, o indivíduo deve seguir outras orientações.

Caso a pessoa teste negativo no sétimo dia, pode sair do isolamento, desde que o exame seja de PCR ou antígeno e desde que aguarde 24 horas sem sintomas respiratórios ou febre e sem uso de antitérmico.

10 dias Se o teste der positivo no quinto ou no sétimo dia, a pessoa deve manter o isolamento até o décimo dia. Para sair da quarentena no décimo dia, é necessário:

  • Estar sem sintomas respiratórios e sem febre por pelo menos 24 horas;
  • Não ter utilizado antitérmico por pelo menos 24 horas.

Suspeita de covid: entenda diferença de testes

Cada tipo de exame usado para detectar o coronavírus tem suas vantagens e desvantagens. Entenda a diferença entre eles:

  • RT-PCR

É considerado o padrão ouro entre os testes para detectar covid-19, por trazer um resultado mais assertivo. Ele é feito com um "cotonete" (swab) e o profissional faz a raspagem no fundo do nariz e da boca. A indicação é que o teste seja feito entre o terceiro e o sétimo dia após o início dos sintomas. No entanto, o RT-PCR é caro, se feito de forma particular (R$ 200 e R$ 400), e o resultado pode demorar mais —sobretudo com aumento de casos.

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Imagem: iStock
  • Antígeno

Pode ser conhecido como "teste rápido" e, diferente do RT-PCR, ele não é tão assertivo nos resultados —isso significa que pode dar mais "falsos negativos", quando a pessoa está com covid, mas o exame diz o contrário. É indicado que seja realizado após três dias do início dos sintomas. O lado bom é que esse teste é mais barato (R$ 100 a R$ 200) e resultado é mais rápido, sai de 15 a 30 minutos.

Com a alta de casos, algumas farmácias que realizam o teste rápido têm apresentado lotação na agenda e até desabastecimento. Laboratórios também relatam falta de testes de RT-PCR.

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