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Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável


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Aos 80 anos, ciclista de trilhas longas já percorreu 6 estados e 5 países

Jean Albuquerque

Colaboração para VivaBem, em Maceió

12/12/2021 04h00

Quando começou a se interessar pelo ciclismo, Arestides Porangaba Vasconcellos tinha dez anos de idade. Hoje, aos 80, entre idas e vindas, o consultor financeiro pratica regularmente o ciclismo de trilhas longas há dez anos e já percorreu os estados de Pernambuco, Paraíba, Sergipe, parte do sertão de Alagoas, Minas Gerais, Santa Catarina e os países Espanha, França, Portugal e a Patagônia, região na América do Sul (entre Chile e Argentina).

A paixão está marcada para sempre em sua pele, o idoso tatuou uma bicicleta na panturrilha direita, o símbolo do caminho de Santiago de Compostela (na Espanha) e um ciclista em cima de uma bike, no antebraço. Natural de Paulo Jacinto, em Alagoas, hoje mora na parte alta de Maceió.

Vasconcellos mantém um blog intitulado Bikeando Alhures para escrever sobre o que ele define como "cicloviagens", em que fala sobre ciclismo em Alagoas, saúde, eventos, passeios, além de narrar em primeira pessoa as suas impressões das trilhas que participa. Chegou a fundar com um grupo de amigos a ACC (Associação Alagoana de Ciclismo).

Ele completou 80 anos em agosto deste ano. O tema da sua festa não poderia ser diferente, um painel com um número 80 em formato de uma bike, rodeado por bolas de aniversário nas cores amarelo, preto, branco e cinza: as mesmas cores da sua bicicleta.

Os cabelos e o cavanhaque grisalhos, a disposição de contar histórias, uma fala calma, palavras bem articuladas, são uma marca do ciclista que até hoje trabalha, adora praticar atividade física e tem todo um cuidado com a saúde.

O idoso parou de realizar as trilhas em março de 2020 como precaução para evitar o contágio do novo coronavírus. Tomou as duas doses do imunizante contra a covid-19 em maio de 2021, e em agosto foi retornando aos poucos.

A maior das trilhas

Arestides Porangaba Vasconcellos, ciclista de 80 anos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Por conta de um problema há dez anos, Vasconcellos foi obrigado a utilizar uma bike especial. O modelo full de carbono é mais leve que os convencionais e possibilita um pedalar mais fluido, forçando menos a musculatura das pernas. Com a nova aquisição, passou a ter mais confiança para enfrentar trilhas cada vez mais longas.

Percorrer a trilha conhecida como "O Fim do Mundo", na Patagônia, em 2016, é considerado por ele como um dos feitos mais marcantes da sua carreira de ciclista amador. Um grupo de sete ciclistas o acompanhou nessa empreitada —a diferença de idade do consultor para o mais velho da turma à época era de mais de 20 anos.

O único acidente que sofreu aconteceu há 25 anos, voltando de um "pedal" noturno, no bairro Pajuçara, localizado na parte baixa da capital alagoana, na orla de Maceió. A roda dianteira da sua bicicleta travou e fez com que ele saltasse por cima da sua bicicleta fazendo-o fraturar a costela.

Cuidados com a saúde

Arestides Porangaba Vasconcellos, ciclista de 80 anos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Vasconcellos se prepara para a prática do ciclismo de trilha fazendo exercícios físicos, tendo um sono regulado e uma ótima alimentação. A preocupação com a qualidade de vida inclui idas diárias à academia e caminhadas de quatro quilômetros, além da realização das trilhas com a bike. Outro fator destacado pelo consultor financeiro é a boa genética.

O médico disse que tenho uma excelente genética. Meus avós morreram com mais de 100 anos, minha mãe com 94, meu pai com 80 e tantos anos. Arestides Vasconcellos

Ele conta que se consulta com um médico quando vai realizar alguma viagem internacional e precisa enfrentar trilhas mais longas. Neste caso, o profissional de saúde solicita um eletrocardiograma e outros exames cardiológicos complementares.

Prática de esportes na velhice

David Costa Buarque, geriatra titulado pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), professor da Faculdade de Medicina da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e supervisor da residência médica em geriatria da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, explica que a prática de exercícios físicos é um dos grandes pilares para o envelhecimento saudável. A atividade física ajuda o idoso a manter a massa muscular que naturalmente vai sendo reduzida ao longo do tempo.

Essa redução pode ocasionar problemas na funcionalidade para desenvolver tarefas do dia a dia, a sua prática mantém o controle das doenças crônicas provenientes do envelhecimento: hipertensão, diabetes, dislipidemias ou quadros depressivos e eventos cardiovasculares.

O especialista explica que o idoso de 80 anos é plenamente capaz de praticar atividade física e inclusive esportes. Em relação à prática de esportes de alto rendimento, como é o caso do ciclismo de trilha, vai depender do tipo de doença crônica que ele possui, não são todos os idosos que estão aptos a esse tipo de modalidade. E alerta para a necessidade da realização de uma avaliação individualizada por um profissional adequado.

O especialista ressalta também a importância da avaliação médica para o ciclista que está nesta faixa etária. É essencial o acompanhamento de um profissional de educação física, um nutricionista e aliar a prática de exercícios físicos para manter a saúde óssea muscular adequada e diminuir o risco de lesões.

A rigor, não há nenhum tipo de contraindicação para a prática de qualquer tipo de esporte, mesmo os idosos que possuem patologias específicas conseguem fazer atividade física, desde que realizem um plano de treinamento e tenham acompanhamento médico adequado.

"Tenho vários idosos que sofreram infarto, tem problemas cardiovasculares de arritmia e hoje com a ajuda de um plano de treinamento conseguem continuar fazendo exercício ou praticando alguma atividade física", afirma Buarque.

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