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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Tadalafila: uso auxilia na disfunção erétil e no aumento de próstata

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

07/12/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Tadalafila é indicada na terapia da disfunção erétil e no aumento benigno da próstata
  • O fármaco age, em média, a partir de 30 minutos, podendo ter ação por até 36 horas
  • É contraindicada para homens que não têm dificuldade de obtenção/manutenção da ereção
  • Idosos devem ter atenção com a presença de algumas doenças e interações medicamentosas

Disponível no mercado desde o início dos anos 2000, a tadalafila (ou tadalafil, em inglês) foi o primeiro medicamento de uso oral indicado para a disfunção erétil cujo efeito era capaz de durar por mais de 36 horas.

O que é tadalafila?

Trata-se de um medicamento que é classificado como inibidor reversível, potente e seletivo da fosfodiesterase 5 (PDE5). Dadas as suas características, esse medicamento só deve ser utilizado sob prescrição médica.

Em quais situações esse medicamento deve ser usado?

Este fármaco é utilizado há quase 20 anos e seus efeitos são bastante conhecidos. Contudo, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e pelo tempo estipulado pelo seu médico.

A medicação pode ser indicada nas seguintes situações:

  • Dificuldade de obtenção e/ou manutenção da ereção do pênis (disfunção erétil)
  • Aumento da próstata que se caracteriza pelo aumento da frequência urinária, micção intermitente e esforço para urinar (hiperplasia prostática benigna)

Entenda como ele funciona

Ao ser administrado pela via oral, o medicamento é absorvido e metabolizado pelo fígado, depois é excretado pela via fecal e urinária.

Para entender como ele age no seu corpo, antes é preciso conhecer como se dá a ereção peniana: ela decorre de um processo neurovascular que se inicia por meio do estímulo sexual e promove a liberação do óxido nítrico (NO) nas artérias existentes nos corpos cavernosos do pênis.

Isso eleva os níveis intracelulares de monofosfato de guanosina cíclico (GMPc), o que provoca o relaxamento muscular e vascular dos corpos cavernosos, favorecendo a passagem sanguínea e o enrijecimento do pênis.

Para que os níveis do GMPc não permaneçam indefinidamente altos e a ereção não se prolongue demais, o GMPc é naturalmente degradado pela enzima fosfodiesterase tipo 5. As explicações são do farmacêutico Leonardo Coutinho Ribeiro.

"A tadalafila, como inibidor da enzima fosfodiesterase tipo 5, promove o relaxamento da musculatura local e restabelece o mecanismo de ereção em homens com disfunção erétil por meio do aumento dos níveis de GMPc", acrescenta o especialista.

Quando se somam disfunção erétil e o aumento benigno da próstata, o medicamento também promove o relaxamento da musculatura da glândula, da bexiga e dos vasos sanguíneos, reduzindo o estreitamento da uretra, e diminuindo os sintomas do aumento do órgão.

Por quanto tempo dura o efeito?

Espera-se que os efeitos desejados ocorram já após 30 minutos da administração do medicamento, o que pode se estender por até 36 horas.

No entanto, o fabricante adverte que a tadalafila só promove a ereção quando há estimulação sexual. Sem esta, o fármaco, sozinho, não leva à ereção.

Riscos do uso prolongado

O medicamento é considerado bastante seguro. No entanto, ele só deve ser utilizado sob orientação médica e quando, realmente, ele possa ser útil.

Alguns homens jovens utilizam a tadalafila sem diagnóstico de disfunção erétil, fazendo-o apenas com o objetivo de melhora da performance. O risco dessa prática é que, a longo prazo, pode se estabelecer uma "dependência psicológica", ou seja, a ereção só vai acontecer junto ao uso do remédio.

Tomei a tadalafila e ela não fez efeito. O que pode ser?

A tadalafila é a primeira estratégia de tratamento da disfunção erétil. Se, após algumas tentativas, e mesmo com a presença do estímulo sexual, não houver a resposta esperada é preciso informar seu médico sobre o ocorrido.

Somente ele poderá avaliar o quadro e oferecer outras alternativas terapêuticas.

Conheça as apresentações disponíveis

Cialis® é a marca de referência da tadalafila, mas você pode encontrar as versões genéricas desse medicamento. Ele está disponível em comprimidos revestidos de 5 mg e 20 mg.

Quais são as vantagens e desvantagens desse medicamento?

De acordo com Rodolfo Borges dos Reis, professor de urologia do Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, o maior benefício dos medicamentos como a tadalafila é que eles foram responsáveis por uma mudança comportamental, trazendo melhora da qualidade de vida para muitos casais.

"Destaco ainda a liberdade de não ter de programar uma relação, o que se deve ao seu efeito prolongado, o que também o diferencia de outros fármacos", completa o médico. Outra vantagem é o esquema de doses —ele pode ser usado diariamente ou por demanda, ou seja, ao saber que terá uma relação sexual no final de semana, você pode usá-lo na sexta e no sábado, por exemplo.

O ponto negativo fica por conta do uso indiscriminado por jovens saudáveis.

Saiba quais são as contraindicações

O fármaco não pode ser usado por pessoas que sejam alérgicas (ou tenham conhecimento de que alguém da família tenha tido reação semelhante) ao seu princípio ativo ou a qualquer outro componente de sua fórmula.
Fique também atento na presença das seguintes condições:

Idosos podem usá-lo?

Sim, desde que não haja contraindicações nem interações com medicamentos de uso contínuo. Os especialistas apenas sugerem que o uso da tadalafila só ocorra após avaliação médica para que se possa usufruir do melhor que o remédio pode oferecer.

Como devo tomar a tadalafila?

Todos os medicamentos com o perfil da tadalafila devem ser tomados, de preferência, com o estômago vazio.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

A depender do quadro da disfunção erétil seu médico indicará o melhor esquema de doses, que poderá ser diário ou por demanda.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Como ele pode ser usado por demanda, não há problema de esquecimento. Mas quando o uso é diário, você deve tomá-lo assim que se lembrar. Nunca dobre a administração e respeite a dose máxima diária indicada pelo seu médico que, em geral, é 20 mg.

Já quando a indicação é o aumento de próstata benigno, o melhor a fazer é tomar a dose quando se lembrar. Caso o horário da dose seguinte esteja próximo, pule a dose esquecida e reinicie o tratamento na hora certa. O importante é evitar tomar dois comprimidos de uma vez. Se você sempre esquece de tomar seus remédios, utilize algum tipo de alarme, como o do celular.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Este medicamento é considerado bem tolerado, seguro e eficaz quando usado em doses adequadas. Apesar disso, os efeitos colaterais mais comuns são: dor de cabeça, indigestão ou azia, náusea, diarreia, dor de estômago, nas costas, músculos, pernas e braços, tosse, vermelhidão (rubor) e congestão nasal.

Embora seja mais raro, poderão ser observadas algumas das seguintes manifestações:

  • Perda, redução ou mudança repentina da visão
  • Visão turva
  • Mudança repentina na capacidade de ouvir
  • Zumbido no ouvido
  • Ereção por tempo superior a 4 horas
  • Tontura
  • Dor no peito
  • Irritação na pele

Interações medicamentosas

Algumas medicações não combinam com a tadalafila. E quando isso acontece, elas podem alterar ou reduzir seu efeito. Avise o médico, o farmacêutico ou o dentista, caso esteja fazendo uso (ou tenha feito uso recentemente) das substâncias abaixo descritas, que são apenas alguns exemplos dessas possíveis interações. Confira:

  • Outros medicamentos para hipertensão pulmonar (riociguate)
  • Alfa-agonistas (usado na hipertensão como a clonidina, metildopa)
  • Alfa-bloqueadores (indicado no aumento de próstata benigno como a alfuzosina, doxazosina, tansulosina ou terazosina)
  • Antibióticos (claritromicina, eritromicina, metronidazol, norfloxacina, rifampicina etc.)
  • Antidepressivos (desipramina ou sertralina)
  • Antifúngicos (itraconazol, cetoconazol ou voriconazol)
  • Antiepilépticos (carbamazepina, oxcarbazepina, fenobarbital, fenitoína ou primidona)
  • Outros fármacos para a disfunção erétil (alprostadil, sildenafil, vardenafil)
  • Medicamentos para o coração (atenolol, captopril, clonidina, losartana, propranolol etc.)
  • Medicações para hepatite (boceprevir e simeprevir)
  • Medicamentos para HIV (tazanavir, delavirdina, efavirenz, indinavir, etravirina, ritonavir, nevirapina, saquinavir ou tipranavir)
  • Antiácidos (hidróxido de magnésio ou hidróxido de alumínio)

O uso de tadalafila é contraindicado para pacientes que fazem tratamento com medicamentos da classe dos nitratos, grupo de medicamentos muito usados no tratamento da angina. A associação desses medicamentos pode resultar em hipotensão grave com risco de morte. Veja alguns exemplos desses fármacos:

  • Propatilnitrato
  • Nitroglicerina
  • Dinitrato de isossorbitol

Embora não existam dados na literatura médica sobre interação com suplementos ou fitoterápicos, caso faça uso de algum deles, informe ao médico, ao farmacêutico antes de iniciar o tratamento com a tadalafila.

Interação com o álcool

A sugestão dos especialistas é que você informe seu médico sobre o consumo do álcool durante o tratamento com a tadalafila. Quando o uso é excessivo (5 copos de vinho ou 5 shots de uísque por exemplo), são esperados efeitos hipotensivos, fala Marcos Machado, farmacêutico e bioquímico especialista em análises clínicas e presidente do CRF-SP.

"Isso significa que pode haver queda da pressão, chamada hipotensão ortostática, que acontece quando você passa da posição sentado ou deitado para a de pé. Além disso, a prática poderia aumentar o risco para efeitos colaterais como dor de cabeça, tontura e até desmaio ao tentar se levantar", acrescenta Machado.

Interação com alimentos

Embora não seja muito comum consumir toranja (grapefruit) no Brasil, ela pode alterar o modo como a tadalafila funciona.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Observe a validade do medicamento indicado no cartucho. Lembre-se: após a abertura, alguns fármacos têm tempo de validade menor, o que também é influenciado pela forma como você o armazena;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta;
  • Em caso de cápsulas, não as abra para colocar o conteúdo em água, alimentos ou mesmo para descartar. Sempre use a cápsula íntegra;
  • No caso de suspensões orais, agite bem o frasco antes de usar. E sempre limpe o copo dosador antes e após o uso. E armazene junto ao frasco do medicamento, para evitar misturar com outros medicamentos;
  • Prefira comprar remédios nas doses justas para o uso indicado para evitar sobras;
  • Respeite o limite da dosagem diária indicada na bula;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos. A ideia é dificultar o acesso às crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) e assessora técnica do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo); Leonardo Coutinho Ribeiro, farmacêutico, especialista em farmácia clínica e análises clínicas; doutorando em assistência farmacêutica, trabalha na Unidade de Farmácia Clínica e Dispensação Farmacêutica do HUCAM-UFES (Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo); Marcos Machado, farmacêutico e bioquímico especialista em análises clínicas e presidente do CRF-SP, farmacêutico e bioquímico especialista em análises clínicas; Rodolfo Borges dos Reis, professor de urologia do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) e responsável pelo Programa de Cirurgia Robótica do Hospital das Clínicas da mesma instituição. Revisão técnica: Amouni Mourad.

Referências: Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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