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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


Hipotensão não é doença e seu diagnóstico depende mais de sintomas

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

05/10/2021 04h00

Se você for medir a pressão arterial e ela indicar valores baixos, ou seja, hipotensão, saiba que, respeitados determinados limites, este é o melhor resultado que se poderia obter. Ao contrário da chamada pressão alta, não existe um limite numérico que determine que a pressão arterial está baixa demais, a não ser que ela provoque sintomas.

Considerada relativamente benigna, a hipotensão é pouco reconhecida porque geralmente é assintomática. Ela pode acometer homens e mulheres igualmente, mas é mais comum entre jovens magras do sexo feminino e idosos.

Os adultos fisicamente ativos e saudáveis podem apresentar níveis tensionais mais baixos quando comparados a adultos sedentários e/ou com sobrepeso, e isso se relaciona à melhor qualidade de vida e sobrevida.

Quando episódios de pressão baixa se repetem, eles podem decorrer do envelhecimento, do uso de determinados medicamentos e de doenças como o diabetes. Na maioria das vezes, mudanças simples no estilo de vida —como melhora da hidratação, além do tratamento de enfermidades a elas relacionadas, são suficientes para sanar o problema, sendo rara a indicação de medicamentos para o seu controle.

Entenda o que é hipotensão

A pressão arterial é influenciada pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA) que permanece em equilíbrio por meio do Sistema Nervoso Simpático (responsável pela elevação dos níveis de tensão arterial) e do Sistema Nervoso Parassimpático, representado pelo nervo vago, cuja função é reduzir a pressão arterial. Qualquer desequilíbrio do SNA (disautonomia) pode baixar a pressão.

Assim, os médicos definem a hipotensão como um fenômeno transitório cuja diagnose não se dá apenas pelo diagnóstico numérico, mas pelo conjunto de sintomas. Embora estes possam aparecer em outros valores de pressão arterial, os inferiores a 90/60 mmHg, em geral, são sintomáticos. A explicação é da cardiologista Minna Moreira Dias Romano, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

"É exatamente em razão dessas características que não existe uma doença chamada hipotensão", completa a especialista.

Por que isso acontece?

A hipotensão, por vezes, não tem causa aparente (idiopática). No entanto, a origem mais comum do problema é reativa, ou seja, ocorre como consequência de algumas situações, como as descritas a seguir:

  • Permanecer longo tempo em pé, em local fechado e quente (especialmente entre jovens)
  • Perdas sanguíneas agudas (em ambiente hospitalar)
  • Desidratação (principalmente entre idosos)

Causas menos comuns

  • Uso de determinados medicamentos (anti-hipertensivos, ansiolíticos, antidepressivos, diuréticos, analgésicos)
  • Gestação
  • Álcool
  • Arritmia
  • Hipotireoidismo
  • Diabetes
  • Infecção grave (choque séptico)
  • Reação alérgica grave (choque anafilático)
  • Deficiências nutricionais

Como reconhecer os sintomas

Quando eles se manifestam, podem variar a depender do nível de queda da pressão. Confira as manifestações mais comuns:

  • Tontura
  • Sensação de mal-estar
  • Turvação ou escurecimento visual
  • Sensação de náusea
  • Moleza
  • Sudorese
  • Sonolência
  • Perda da consciência (também chamada de síncope, que ocorre em casos mais graves)

Caso os sintomas apareçam ao se levantar ou mudar de posição a hipotensão é chamada de ortostática ou postural.

Entenda a diferença entre hipotensão e hipertensão

Hipertensão é uma doença caracterizada por múltiplas causas, entre elas, fatores hereditários, consumo exagerado de sal e álcool, obesidade, tabagismo e também envolve o enrijecimento dos vasos sanguíneos e aterosclerose, que pode se manifestar com o envelhecimento.

Já a hipotensão é uma ação natural do organismo (fisiológica), mas também pode ser um fenômeno relacionado a algumas enfermidades.

Quem precisa ficar atento?

A hipotensão pode se manifestar em homens, mulheres e até crianças, mas os episódios são mais frequentes nesses grupos:

  • Idosos
  • Mulheres magras e jovens
  • Pessoas com doenças neurológicas (como o Parkinson)
  • Grávidas

Quando devo procurar ajuda profissional?

De acordo com o médico de família Rafael Mendonça Rey dos Santos, professor da PUC-PR, a hora de marcar a consulta é o momento no qual se observa a repetição e a intensidade dos episódios de pressão baixa, "em especial quando ela se manifesta com um desmaio ou uma tontura que tenham provocado ou possam provocar uma queda, e já começam a atrapalhar a vida diária", diz.

Quem já tem uma doença de base deve agir ainda mais rápido. A sugestão é procurar o clínico geral ou o médico com o qual você já esteja se consultando.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora da consulta, o médico ouvirá a sua queixa e fará perguntas para identificar sintomas, possíveis fatores desencadeantes, doenças predisponentes e também levantará o seu histórico familiar.

Além disso, ele realizará o exame físico, cuja parte mais importante é medir a sua pressão. A prática deve ser feita —preferencialmente— pelo próprio médico, nas posições deitado, sentado e em pé.

Deve também ser realizado o teste da hipotensão postural, que é feito com o paciente em pé, depois de ele permanecer nessa postura pelo período de 3 minutos.

O profissional comparará todos os resultados encontrados para identificar casos de hipotensão postural (ortostática), principalmente entre os idosos. Para estes últimos, um exame importante que pode ser solicitado é a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) que registra a pressão arterial por 24 horas.

Quando houver suspeita de arritmia, o especialista poderá ainda solicitar um exame chamado Holter, para monitorar o ritmo cardíaco pelo período de 24 horas.

Alguns médicos poderão ainda fazer uso do chamado teste de inclinação (Tilt test), um procedimento realizado em uma maca que pode ficar em diversas posições para reproduzir fenômenos de hipotensão.

Como é feito o tratamento?

O cardiologista Brivaldo Markman, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital das Clínicas da UFPE, explica que quando a hipotensão é sintomática, o objetivo do tratamento é restabelecer o equilíbrio da pressão arterial.

Para boa parte dos pacientes, as orientações médicas incluem a melhora da hidratação, o consumo adequado de sal (em pessoas que não sejam hipertensas) e medidas como deitar-se com as pernas elevadas ou usar meias elásticas.

"Nos casos em que houve avaliação cuidadosa do paciente e foi identificada alguma doença, o foco deve ser tratá-la devidamente. Quando forem constatadas interações medicamentosas, é preciso fazer o ajuste dessas medicações", acrescenta o médico.

O uso de fármacos para controle da hipotensão é raro e mais indicado em quadros de doenças neurológicas. Na maioria das vezes, o tratamento é bem sucedido.

Dá para prevenir?

Sim. E o exercício físico é uma boa estratégia de prevenção. Dê preferência a práticas isométricas que mantêm a adequada massa muscular dos membros inferiores. Para os casos simples, exercícios de panturrilha, boa hidratação e consumo equilibrado de sal podem ser úteis.

Devem somar-se a isso medidas de prevenção para doenças cardiovasculares, como cuidar do peso, consumo racional de álcool, evitar o tabagismo e controle do estresse.

Jovens que tendam a ter queda de pressão não devem descuidar da hidratação e da alimentação. Além disso, devem se posicionar nos ambientes em áreas onde haja maior circulação de ar. Aos idosos sugere-se ter maiores atenção e cuidado ao se levantarem.

Possíveis complicações da hipotensão

Os especialistas afirmam que a mais temida delas é a síncope (perda de consciência) —que pode estar associada à hipotensão, mas também sinalizar quadros mais graves. Os riscos relacionados são traumas —do crânio, membros superiores ou inferiores, AVC (Acidente Vascular Cerebral) e parada cardíaca.

Outra possibilidade é o choque que decorre de situações médicas como a perda de volume de sangue agudo em um paciente internado, ou como consequência de infecções graves, como a pielonefrite, esta também uma evolução da infecção urinária que pode levar à sepse.

Como ajudar uma pessoa com hipotensão?

A regra geral é manter o paciente deitado, sentado ou agachado por algum período de tempo, mantendo-o hidratado.

A crença popular diz que sal abaixo da língua pode ajudar. No entanto, não há comprovação científica que justifique essa medida. Apesar disso, consumir sal em quantidade adequada é uma prática útil que pode ser adotada por pessoas que estejam fazendo dieta de restrição de sal por algum motivo.

Fontes: Minna Moreira Dias Romano, professora da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo) do Departamento de Clínica Médica, atuando na área de cardiologia; Brivaldo Markman, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital das Clínicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), unidade vinculada à Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e professor titular da disciplina de cardiologia da mesma instituição; Rafael Mendonça Rey dos Santos, médico de família e professor da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). Revisão técnica: Brivaldo Markman.

Referências: AHA (Associação Americana do Coração); Sharma S, Hashmi MF, Bhattacharya PT. Hypotension. [Atualizado em 2021 Aug 14]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499961/.

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