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Cesárea pode aumentar risco de morte na infância, diz estudo da Fiocruz

Os pesquisadores observaram que, no grupo com baixa indicação de cesariana, o procedimento foi associado a um risco aumentado em 25% de mortalidade na infância - Prostock-Studio/Getty Images/iStockphoto
Os pesquisadores observaram que, no grupo com baixa indicação de cesariana, o procedimento foi associado a um risco aumentado em 25% de mortalidade na infância Imagem: Prostock-Studio/Getty Images/iStockphoto

Colaboração para VivaBem*

14/10/2021 11h56

A Fiocruz da Bahia realizou um estudo, publicado na revista científica PLOS Medicine, que sugere que os procedimentos de cesárea podem estar associados ao maior risco de morte na infância. A exceção seria nos casos em que há indicação médica.

O procedimento foi associado a um risco aumentado em 25% de mortalidade em comparação com crianças que nasceram de parto normal. No entanto, com indicação médica, há uma redução de óbitos, evidenciando a importância da cesárea quando devidamente indicada por um médico.

Foram coletados dados do Ministério da Saúde de 17 milhões de nascimentos ocorridos no Brasil entre 2012 e 2018. Todos foram classificados a partir de grupos de Robson —utilizado por obstetras para relatar a rotina em todas as maternidades registradas no Sinasc (Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos) do Brasil. A partir disso, foram identificadas as taxas relativas de mortalidade nos primeiros cinco anos de vida, comparando primeiro parto cesáreo com o parto vaginal e depois comparando os partos cesáreos eletivos e não eletivos.

O estudo foi conduzido em parceria com a London School of Hygiene & Tropical Medicine, sob a liderança da epidemiologista Enny Paixão. Para ela, o estudo aponta para a necessidade de novas pesquisas que podem ajudar grávidas e profissionais de saúde a tomarem decisões sobre o parto ideal.

Apesar da taxa recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) ser de 15%, a especialista alerta que o Brasil é o segundo no ranking das cesarianas, com 56%. Na rede privada, chega a 89%.

O cenário mostra uma valorização da cesariana no país. Em 23 de agosto, por exemplo, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sancionou o projeto de lei que garante à gestante a possibilidade de optar pela cesárea na 39ª semana de gravidez em hospitais públicos que atendem pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mesmo sem indicação médica.

O aumento no número de cesarianas pode elevar o risco de hemorragias e infecções. Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a cesárea precisa ser feita em ambiente hospitalar adequado, higienizado e que garanta segurança à mulher.

"Se toda mulher escolher por fazer uma cesárea, não haverá número suficiente de profissionais e material para atendê-las", diz Rossana Francisco, obstetra e presidente da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo).

Cesariana deve ser discutida no pré-natal

Quando a gestante faz o tratamento no SUS e chega à maternidade para fazer o parto, ela é atendida pelo médico plantonista e induzida a tentar o parto normal. Agora, com a lei, a mulher pode optar pela cesariana.

Mas, segundo Francisco, a parturiente não tem autonomia de decidir por esse tipo de procedimento quando está em situação de vulnerabilidade, ansiedade e dor. Para a médica, o importante é focar em programas de educação, mostrando que durante o pré-natal é possível saber se o mais indicado será o parto normal ou recorrer à cesárea.

Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, no qual integra o projeto Parto Adequado, união de forças de hospitais particulares para reduzir o número de cesarianas, salienta que é uma lei boa do ponto de vista de igualdade de direitos, mas vai ser muito difícil implantá-la em um local sem estrutura adequada.

O obstetra também reforça que o mais importante é investir em programas de educação que mostrem que a mulher pode ter um parto sem dor, mesmo sendo natural, além de mostrar que a cesárea também é uma opção.

"A decisão tem que partir da mulher, que deve receber todos as informações dos médicos antes do nascimento do filho. Nenhuma decisão deve ser tomada no ambiente hospital, com dor e desconforto", finaliza.

*Com informações de reportagem do dia 23/08/2019.

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