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Cesárea vira opção no SUS em SP: como escolha afeta saúde da mulher

Gestante pode optar pela cesárea na 39 º semana em hospitais  - Istock
Gestante pode optar pela cesárea na 39 º semana em hospitais Imagem: Istock

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

23/08/2019 19h19

Nesta sexta-feira (23), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sancionou o projeto de lei que garante à gestante a possibilidade de optar pela cesárea na 39ª semana de gravidez em hospitais públicos que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sem a indicação médica. A medida provocou debate e divide a opinião da classe médica.

Durante a discussão da proposta, a deputada Janaína Paschoal (PSL), que é autora da lei, afirmou que a medida visa garantir menos mortes das mulheres e filhos. A deputada ressaltou que o parto normal é protocolo no SUS e, por isso, a cesárea ocorre de forma tardia, provocando o nascimento de bebês com asfixia e paralisia cerebral.

Rossana Francisco, obstetra e presidente da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), diz que não há nenhum respaldo científico nas afirmações. "A paralisia cerebral está relacionada a partos prematuros ou alterações genéticas. Apenas 10% dos casos estão relacionadas a eventos durante o parto, seja cesárea, seja normal", afirma.

Segundo ela, com a medida, o número de cesáreas vai aumentar no estado e haverá uma demanda muito maior por leitos obstétricos e anestesistas, o que hoje em dia o SUS não consegue oferecer, principalmente por carência financeira.

Risco de infecções e hemorragia

O aumento no número de cesarianas pode elevar o risco de hemorragias e infecções. Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a cesárea precisa ser feita em ambiente hospitalar adequado, higienizado e que garanta segurança à mulher. "Se toda mulher escolher por fazer uma cesárea, não haverá número suficiente de profissionais e material para atendê-las", diz a presidente da Sogesp.

Normalmente, quando o procedimento é feito pela segunda vez, pode ocorrer ainda problemas na placenta. "O órgão pode invadir a parede do útero ou se encaixar do lado errado".

Cesariana deve ser discutida no pré-natal

Quando a gestante faz o tratamento no SUS e chega à maternidade para fazer o parto, ela é atendida pelo médico plantonista e induzida a tentar o parto normal. Agora, com a lei, a mulher pode optar pela cesariana.

Mas, segundo Francisco, a parturiente não tem autonomia de decidir por esse tipo de procedimento quando está em situação de vulnerabilidade, ansiedade e dor. Para a médica, o importante é focar em programas de educação, mostrando que durante o pré-natal é possível saber se o mais indicado será o parto normal ou recorrer à cesárea.

Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, no qual integra o projeto Parto Adequado, união de forças de hospitais particulares para reduzir o número de cesarianas, salienta que é uma lei boa do ponto de vista de igualdade de direitos, mas vai ser muito difícil implantá-la em um local sem estrutura adequada.

O obstetra também reforça que o mais importante é investir em programas de educação que mostrem que a mulher pode ter um parto sem dor, mesmo sendo natural, além de mostrar que a cesárea também é uma opção. "A decisão tem que partir da mulher, que deve receber todos as informações dos médicos antes do nascimento do filho. Nenhum decisão deve ser tomada no ambiente hospital, com dor e desconforto", finaliza.

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