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Disciplina positiva: entenda modelo educativo que faz sucesso na pandemia

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Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração para o VivaBem

13/08/2021 04h00

Você conhece os métodos para educar uma criança? Um dos que voltou à cena recentemente é a disciplina positiva —livros sobre o tema estão entre os mais vendidos da Amazon, por exemplo. A razão para isso, entre outros motivos, é a própria pandemia, que colocou em debate a saúde mental das crianças.

Apesar de estar na moda, a abordagem foi formulada há mais de 30 anos pela psicóloga e educadora norte-americana Jane Nelsen, que escreveu um livro homônimo e desenvolveu o conceito a partir das teorias dos psiquiatras Alfred Adler (1870-1937) e Rudolf Dreikurs (1897-1972). A ideia principal é a de que as crianças têm o direito à dignidade e ao respeito, assim como qualquer outra pessoa, e devem ser ouvidas e compreendidas.

São cinco os pilares fundamentais da disciplina positiva:

  1. Conexão, que surge quando os filhos sentem um senso de pertencimento e de importância na família;
  2. Respeito mútuo, que prega ser gentil e firme ao mesmo tempo;
  3. Eficácia em longo prazo, por considerar o que as crianças estão pensando, sentindo e fazendo;
  4. Foco no desenvolvimento de habilidades de vida (responsabilidade, cooperação, autodisciplina, resolução de problemas e empatia, entre outros);
  5. Estímulo à autonomia.

Para que você compreenda melhor sobre o que se trata, listamos as características principais dessa abordagem socioemocional:

Limites com amor

A disciplina positiva parte de uma perspectiva não-punitiva, não-violenta e não-permissiva. Ou seja, não apoia reprimendas físicas, psicológicas ou verbais, nem prêmios ou recompensas por "boa conduta". Os pais são instruídos a serem gentis e firmes ao mesmo tempo e a estabelecer uma conexão afetiva antes da correção do comportamento.

Os sentimentos da criança são validados, ouvidos e acolhidos, sem que isso envolva ser permissivo. Se há uma crise de birra, por exemplo, a criança precisa se acalmar antes de os pais conversarem com ela. É por isso que, em geral, os resultados não acontecem de imediato; é preciso dar tempo ao tempo. Barganhar com os filhos —do tipo "se você comer os legumes que estão no prato, pode jogar mais uma hora de videogame" — é algo banido na disciplina positiva, pois a criança é orientada a compreender que precisa se alimentar bem por ela mesma, em benefício da própria saúde.

Pais discutindo, filhos por perto: reflexo no futuro - fizkes/Getty Images/iStockphoto - fizkes/Getty Images/iStockphoto
A criança só vai mudar de comportamento se tiver os pais como exemplo
Imagem: fizkes/Getty Images/iStockphoto

Diferença entre obedecer e cooperar

À medida que a criança cresce, vai tomando cada vez mais consciência do seu papel na família. Isso estimula a sensação de pertencimento. A disciplina positiva prega que os pais não devem partir para um discurso "aqui quem manda sou eu" ou "vai fazer porque eu estou mandando". A criança que apanha, que é julgada, ameaçada e constantemente criticada em nome de uma educação autoritária sofre impactos extremamente negativos em sua autoestima e no senso de capacidade. Porém, se ela se enxerga parte de uma unidade —no caso, a família — e entende que suas ações têm impacto no coletivo, passa a cooperar de boa vontade, em vez de obedecer por medo. Por meio da cooperação é possível trabalhar a autodisciplina e o senso de responsabilidade.

Autoestima elevada

Um dos princípios básicos do método é tratar e respeitar a criança com a mesma importância que tratamos um adulto ou que gostaríamos de ser tratados. Ao ter uma relação familiar pautada no respeito, na disciplina e no afeto, a tendência é que reproduza esses valores nas relações futuras, inclusive com os próprios filhos. A empatia, a resiliência e o encorajamento são importantes habilidades de vida e que devem ser estimuladas desde a infância. Crianças que aprendem a lidar com suas emoções e a desenvolver a empatia desde cedo, tendem a ser adultos mais respeitosos e menos egoístas.

Raiva sob controle

Isso acontece dos dois lados, na verdade. Muitos pais insistem em gritar ou brigar com seus filhos quando fazem algo errado, porém ninguém aprende nada com medo ou na hora da ira. Esperar a criança se acalmar para conversar e focar em uma possível solução para o problema muda tudo para melhor. E mais: a criança só vai mudar de comportamento se tiver os pais como exemplo. É importante buscar curar as feridas emocionais para não projetá-las em seus filhos. Se você sente muita raiva, busque entender a origem disso.

Pais menos estressados e confiantes

Ao compreenderem o impacto de suas personalidades e atitudes no comportamento dos filhos, os pais se tornam capazes de frear seus impulsos automáticos e repetitivos por meio da tomada de consciência. Com formas mais colaborativas e respeitosas de cuidar das crianças, a harmonia prevalece em casa e o diálogo se torna mais fácil para todos, facilitando a resolução de possíveis problemas.

Fontes: Bete P. Rodrigues, consultora educacional da Escola de Pais XD, mestre em linguística aplicada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e trainer em disciplina positiva pela Positive Discipline Association (EUA); Danielle H. Admoni, psiquiatra da infância e adolescência na Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); Telma Abrahão, educadora parental, autora do livro "Pais que evoluem: um novo olhar para a infância" (Ed. Literare Books International) e fundadora da Positive Parenting Education, na Flórida (EUA).

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