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Atletas usam bandagens coloridas no corpo nas Olimpíadas; para que servem?

Kinesio tape em atleta nos Jogos Olímpicos de 2021 - Angela Weiss / AFP
Kinesio tape em atleta nos Jogos Olímpicos de 2021 Imagem: Angela Weiss / AFP

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

05/08/2021 15h23

Você já reparou que alguns atletas usam umas fitas coloridas grudadas pelo corpo durante as Olimpíadas? Tem azul, rosa ou até mesmo as cores da bandeira do país, que não necessariamente são coloridas. Comercialmente, essas bandagens são chamadas de kinesio tape e prometem alívio de dor, melhora da lesão, entre outros resultados milagrosos.

Mas segundo os estudos mais recentes, não há evidência científica de que essas fitas funcionem. De acordo com Fábio Bezerra, coordenador do curso de fisioterapia da Faculdade Anhanguera, a kinesio tape fez sucesso em Olimpíadas passadas, trazendo um grande apelo comercial.

"Eles entregaram para os fisioterapeutas dos atletas. Elas são bonitas e chamam atenção, mas os estudos que mostravam que não há evidência alguma vieram depois", explica o especialista. "A fita, na prática, não traz resultado ao que se propõe, como diminuir dor e até melhorar a performance."

Bezerra cita um estudo brasileiro, feito em 2014 e publicado no Journal of Physiotherapy, por pesquisadores brasileiros, como uma grande referência. O artigo avaliou o uso da kinesio tape em pessoas com problemas músculo-esqueléticos (joelhos, ombro, costas, entre outras regiões) em comparação com um grupo placebo.

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Atleta do vôlei de praia com kinesio tape
Imagem: Yuri Cortez / AFP

Essa revisão sistemática com 495 participantes concluiu que, de fato, não foi observada nenhuma diferença para aliviar as dores ou diminuir as lesões em relação ao grupo placebo. "A kinesio tape não é eficaz no tratamento de diversas condições músculo-esqueléticas, principalmente no esporte, e nem para reduzir a dor, se comparada com o placebo", conta um dos autores do estudo, Leonardo Costa, vice-coordenador do programa de mestrado e doutorado de fisioterapia da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo).

De acordo com ele, os pacientes podem até relatar melhora, mas é o mesmo que se recebesse um tratamento placebo. Para ambos especialistas consultados, o caso é um bom exemplo de marketing, desde as Olimpíadas de Sidney, em 2000.

"A kinesio tape foi, na verdade, um bom exemplo de case de marketing porque eles venderam muito. As pessoas viam os atletas de alto rendimento usando e também queriam", lembra Bezerra.

Mas por que alguns atletas ainda usam?

"Porque todo mundo usa", diz Costa. Na opinião do especialista da Unicid, o número reduziu bastante em relação aos Jogos anteriores. "A gente observa um grande número de fisioterapeuta e outros profissionais de saúde que aplicam a kinesio tape ou por pedido do atleta ou porque eles próprios acreditam."

Para o coordenador da Faculdade Anhanguera, como esses atletas precisam de respostas rápidas, em muitos casos, eles "tentam de tudo".

"O jogador de vôlei, por exemplo, precisa estar recuperado amanhã — ele não tem três semanas para melhorar. Essa questão de acelerar o processo é complicada. A kinesio promete até tentar acelerar isso e, como o atleta tem essa necessidade, ele tenta o que estiver disponível", diz.

Além disso, Bezerra explica que alguns países podem não ter acesso aos estudos realizados e, por isso, seguem tentando ter algum resultado com as fitas.

Bandagens rígidas têm suas funções

Diferente da kinesio tape que é mais flexível, há também as bandagens rígidas que parecem com esparadrapos. No caso desse tipo de material, o fisioterapeuta esclarece que elas possuem funções já conhecidas pelos atletas, com evidências científicas bem estabelecidas.

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Jogadores de vôlei com as bandagens nos dedos
Imagem: Pedro Pardo / AFP

Um exemplo são as jogadoras de vôlei que as utilizam nos dedos com a função principal delas: mobilizar essa parte do corpo. "Isso já é bem antigo. As mulheres do vôlei colocam para imobilizar a articulação que, durante o jogo, tem uma chance de deslocamento. Então, essa bandagem também pode prevenir isso", conta.

Além dos dedos, alguns atletas também podem ser vistos nos jogos utilizando no tornozelo ou no ombro. "Ontem, o garoto skate [brasileiro], o Luiz, mostrou as bandagens rígidas no ombro porque o membro está com deslocamentos. Essa imobilização ajuda muito nisso, ela é rígida e protege para evitar que ele saia do lugar".

Por fim, qualquer técnica que promete resultados milagrosos deve ser olhada com cautela. No caso dos atletas, os fisioterapeutas que acompanham as equipes são os melhores aliados para dores, lesões, entre outros problemas.

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