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Com tumor maligno raro e agressivo, ele fez cirurgia tecnológica pelo SUS

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

04/08/2021 14h35

Com sintomas que pareciam um quadro de sinusite, o vendedor de carros Cláudio Adriano Bittencourt, de 45 anos, suportou dores de cabeça por dois meses.

Depois, sangramento no nariz e manchas na visão começaram a aparecer — foi quando decidiu que era hora de procurar um médico.

A ressonância magnética feita no hospital não poderia ter causado mais surpresa: o exame indicava estesioneuroblastoma, um tumor maligno de incidência rara. "Nunca imaginei que fosse passar por isso. Meu chão caiu", lembra.

A lesão começava no nariz, passava por trás do olho esquerdo e chegava às proximidades da região cerebral.

"Uma biópsia anterior, feita pelo otorrinolaringologista do paciente, indicava que o tumor tinha um índice de 90%, enquanto outros, mesmo malignos, apresentam entre 5 e 15%", afirma Carlos Alberto Mattozo, neurocirurgião do Hospital Universitário Cajuru, explicando que, embora tenha crescimento lento, o tumor é considerado agressivo pela alta chance de se espalhar pelo corpo.

Exame de Cláudio, personagem que teve tumor - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Exame de Cláudio
Imagem: Arquivo pessoal

O tumor tem incidência baixíssima, de menos de um caso por milhão de pessoas. Em 25 anos de carreira, Mattozo conta que viu apenas dois quadros como o de Cláudio.

O próximo passo — decidido em menos de um mês de intervalo — foi a cirurgia de alta complexidade realizada de forma minimamente invasiva com o neurocirurgião e o otorrinolaringologista, além de outros profissionais de saúde.

Foram pouco mais de 90 dias entre os primeiros sintomas e a definição do tratamento. O procedimento cirúrgico, realizado no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, no Paraná, foi feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Antes, para a cirurgia, explica Mattozo, abria-se a cabeça, deixando o procedimento bastante invasivo e podendo prejudicar a recuperação. "A estratégia foi fazer a retirada toda pelo nariz utilizando uma câmera de vídeo, passando uma 'broquinha' pelo osso do crânio e indoaté o cérebro", diz.

Por fim, os médicos usaram um equipamento chamado shaver, com um tipo de ponteira. "Essa ferramenta tem uma 'espécie' de triturador, que é extremamente útil para conseguir tirar rapidamente essa parte do tumor nasal", salienta.

A cirurgia durou seis horas e teve sucesso. Após quatro dias, Cláudio pôde voltar para casa.

Recuperação rápida depois do susto

"Eu me sinto muito grato por ter conseguido realizar essa cirurgia de forma ágil", diz o paciente, que ainda deve continuar o tratamento com radioterapia e, possivelmente, quimioterapia.

"É normal o paciente ter receio e medo de passar por essas intervenções, ainda mais quando se trata de uma operação complexa. No entanto, com o avanço da medicina aliada à tecnologia, se tornou possível executar esses procedimentos da maneira mais segura possível e ainda refletir no pós-operatório", afirma o gerente médico do hospital, José Augusto Ribas Fortes.

"Além disso, a cirurgia de rápida recuperação faz com que a permanência na UTI seja reduzida, o que é um alívio no contexto de pandemia, que pressiona o sistema de saúde como um todo, pela superlotação dos leitos", complementa.

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