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Pula refeições? Cuidado para não compensar depois ou desenvolver distúrbios

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Imagem: iStock

Luiza Ferraz

Colaboração para VivaBem

31/07/2021 04h00

Com a pandemia e o aumento do trabalho remoto, muitas pessoas tiveram suas rotinas desreguladas e não conseguiram encontrar padrões, refletindo na forma como se alimentam —quem nunca acordou atrasado para uma reunião online e foi direto para o computador, pulando o café da manhã?

Um estudo feito pela Universidade de Deakin, na Austrália, mostra que 39% dos jovens adultos australianos (entre 19 a 24 anos) fazem o desjejum menos do que cinco dias na semana.

"Fazer três refeições é interpretado mais como cultural do que uma necessidade fisiológica. Pular uma refeição por não sentir fome é normal", afirma Danilo Romano, endocrinologista do Hospital Samaritano.

A nutricionista Rosane Dias, professora do programa de pós-graduação em cirurgia da Universidade Federal do Amazonas, explica que esse costume tem consequências para a saúde, mas que elas dependem de cada indivíduo, já que há diferentes tipos de metabolismo. "Existem pessoas com maior tendência ao acúmulo de gordura. Nesses casos, quando se estende muito o tempo entre uma refeição e outra, o organismo acha que precisa acumular gordura para reservar energia", diz.

Para entender se esse hábito é preocupante ou não, é preciso analisar o tipo de alimentação do paciente: se ele corta uma refeição e compensa esses nutrientes e calorias em outras, ou se acaba não repondo o que é necessário para o corpo.

Já quando a inapetência acontece com alta frequência e há uma grande perda de peso, é mandatório procurar um especialista, pois diversas patologias podem apresentar esse tipo de sintomas.

Distúrbio alimentar?

Apesar de não ser considerado um transtorno alimentar, a falta de apetite demonstra um "comer transtornado" e pode resultar numa compulsão ou outros distúrbios, explica Flávia Teixeira, professora de pós-graduação em psicologia hospitalar na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "Se a pessoa restringe a alimentação durante o dia, chega a noite e ela começa a querer compensar isso, comendo muito e perdendo o controle. Aí ela quer eliminar tudo o que ingeriu por sentir culpa, virando uma bulimia nervosa", diz.

Por isso, o mais importante é manter uma relação saudável e equilibrada com a comida, já que ela está relacionada com todo nosso funcionamento fisiológico e mental, ajudando na concentração, no humor e no bem-estar emocional. "Uma pessoa que consegue se alimentar adequadamente passa a ter mais disposição para trabalhar, fazer exercícios, além de dormir melhor. Um prejuízo nutricional compromete o foco, a memória e o raciocínio", afirma a psicóloga.

Devo me forçar a comer?

Existem pessoas que, quando pulam determinada refeição, tentam suprir essa falta com uma fruta, uma barrinha ou um iogurte. Essa opção só deve ser usada como lanche, não pode ser considerada uma reposição. "Utilizamos essa orientação somente para pacientes que, por ficarem muito tempo sem comer, acabam tendo muita fome e abusando da quantidade na refeição seguinte", diz Romano.

Para quem tem dificuldade em lidar e administrar alguns aspectos da alimentação, é importante uma reeducação alimentar, criando rotinas e estabelecendo prioridades. "Muita gente acaba trabalhando o tempo todo e, quando percebe, já passou a hora do almoço. Existe uma grande chance de os horários serem trocados justamente por essa falta de padrão", ressalta Teixeira.

O ideal é nunca se obrigar a determinada coisa. O sofrimento faz com que o indivíduo abandone o processo e desista antes mesmo de tentar. "É importante distribuir esses nutrientes e calorias nas refeições durante o dia, como café, almoço e jantar, se adequando ao perfil do indivíduo", afirma Dias.