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China registra 1ª morte de humano devido a vírus raro de macaco

O vírus do herpes B é prevalente entre os macacos e pode ser mortal quando transmitido para os humanos - Wikipedia/Frans de Waal
O vírus do herpes B é prevalente entre os macacos e pode ser mortal quando transmitido para os humanos Imagem: Wikipedia/Frans de Waal

Colaboração para o UOL, em Santos

21/07/2021 11h37

O Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças registrou a primeira morte de um ser humano pelo "vírus do macaco B", ou herpes B. O vírus é prevalente entre macacos, mas extremamente raro e mortal quando transmitido para humanos.

O homem trabalhava em um instituto chinês de pesquisa especializado em reprodução de primatas e havia trabalhado na dissecação de dois macacos mortos em março.

Ele sentiu náuseas, vômitos e febre um mês depois, e morreu em 27 de maio. Suas amostras de sangue e saliva foram enviadas para o centro em abril, onde os pesquisadores encontraram evidências do vírus do herpes B. Dois de seus contatos próximos, um médico e uma enfermeira, testaram negativo para o vírus, disseram as autoridades.

Em humanos, esse tipo raro de vírus tende a atacar o sistema nervoso central e causar inflamação no cérebro, levando à perda de consciência, explicou Kentaro Iwata, especialista em doenças infecciosas da Universidade Kobe, no Japão, ao Washington Post. Se não for tratada, a taxa de mortalidade é de cerca de 80%.

Desde 1932, quando foi registrado o primeiro caso de transmissão de primata para humano, ocorreram menos de 100 relatos de infecções humanas de herpes B. Muitos deles na América do Norte, onde os cientistas tendem a estar mais atentos à doença, disse Iwata. É provável que haja casos do vírus que não foram detectados, mas os especialistas ainda acreditam que é uma doença extremamente rara entre os humanos.

Contato direto com macacos

As vítimas costumam ser veterinários, cientistas ou pesquisadores que trabalham diretamente com primatas e podem ser expostos a seus fluidos corporais por meio de arranhões, mordidas ou dissecações. Em 1997, a pesquisadora de primatas Elizabeth Griffin morreu seis semanas depois que um macaco enjaulado jogou uma gota de líquido em seu rosto, atingindo seu olho.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, houve apenas um caso documentado de um ser humano infectado espalhando o vírus para outra pessoa.

Tanto o vírus do herpes B quanto o novo coronavírus são "consequências dos saltos virais entre as espécies", disse Nikolaus Osterrieder, reitor do Jockey Club College of Veterinary Medicine and Life Sciences em Hong Kong, ao Washington Post.

Os saltos virais ocorrem quando um vírus adquire a capacidade de infectar e se espalhar entre indivíduos de uma nova espécie de hospedeiro. Exemplos históricos de vírus de animais que invadiram hospedeiros humanos incluem HIV (de chimpanzés), coronavírus Sars (de morcegos) e vírus influenza A (de pássaros).

Osterrieder disse que o vírus do herpes B é muito bem adaptado aos macacos e é improvável que sofra mutações de forma que comece a se espalhar rapidamente entre os humanos. No entanto, ele e Iwata enfatizaram que esperam que mais pessoas aprendam sobre a doença e tomem as precauções de segurança corretas, especialmente ao interagir com macacos em ambientes não relacionados à pesquisa, como em um zoológico ou na natureza.

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