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Pesquisa mostra desconhecimento de calendário de vacina para grupo de risco

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Imagem: iStock

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo*

22/06/2021 12h15

O SUS (Sistema Único de Saúde) tem um serviço exclusivo de vacinação para pessoas com o sistema imunológico ineficiente ou doenças crônicas. No entanto, uma pesquisa realizada com 2.000 pessoas pela Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) para a campanha CRIE + Proteção, a pedido da Pfizer, mostrou que 60% dos respondentes não sabem desse calendário diferenciado.

A pesquisa, chamada de "Pacientes de risco: o conhecimento da população sobre os CRIE e o calendário de vacinação", tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou menos.

Foram ouvidas pessoas na cidade de São Paulo e nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Curitiba.

De acordo com os dados, 3 em cada 5 brasileiros entrevistados não sabem que indivíduos do grupo de risco têm direito ao calendário ampliado de vacinas no sistema público de saúde.

Esse serviço é oferecido pelos CRIEs (Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais), uma rede constituída de infraestrutura e logística próprias com a finalidade de facilitar o acesso de pessoas com necessidades específicas de imunização a uma ampla gama de vacinas, soros e imunoglobulinas que não são oferecidos nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) ou o são apenas para faixas etárias restritas.

De acordo com a pesquisa, 68% daqueles que teriam direito ao atendimento, afirmaram nunca terem recebido do médico ou profissional de saúde a orientação para se vacinar.

Além disso, 76% dos respondentes garantem nunca sequer ter ouvido falar dos CRIEs. Isso mostra que, mesmo disponível há quase três décadas, a população não conhece o serviço, que é 100% gratuito.

E pior: 82% entre aqueles que mais se beneficiariam do serviço, que pertencem a classe C, ou seja, os mais pobres, não conhecem o serviço.

Vale ressaltar ainda que 52% dos entrevistados da classe A declararam possuir alguma doença crônica, frente a 31% da classe C. Isto é, quanto mais alta a classe social, maior o número de pessoas que recebe diagnósticos de possíveis doenças.

Outro ponto importante é que 68% das pessoas que vivem com doenças crônicas não receberam a recomendação de vacinação por profissionais da saúde. A pesquisa destacou que a falta de informação também os atinge.

A pesquisa também apontou que diversas condições de saúde que predispõem ao maior risco de contrair infecções evitáveis pela vacinação são desconhecidas. Inclusive as mais incidentes, como é o caso das cardiopatias e o diabetes (34%, cada uma).

Entre outros grupos que chamam a atenção por não serem reconhecidos como de risco estão pessoas com câncer (31%), as que vivem com HIV/Aids (40%) e as que passaram por transplante (50%).

Vacinas salvam vidas

Quase a totalidade, 91% das pessoas acreditam que as vacinas podem salvar vidas. E, entre os entrevistados com doenças crônicas, 67% disseram que tomariam a vacina sem receio, e 68% afirmaram que quem tem doenças crônicas deveria tomar vacinas.

"Embora esses resultados mereçam ser comemorados, não podemos deixar de observar que os números têm forte influência da campanha de vacinação contra a covid-19. Em outra perspectiva, 21% dos respondentes ainda sentem receio em se vacinar, mesmo tendo recebido recomendações. Vale ressaltar que o percentual é maior entre os mais jovens: 30% na faixa etária de 18 a 24 anos e 34% daqueles entre 25 e 34 anos, um motivo de preocupação do ponto de vista de saúde pública e que demonstra a necessidade de informar melhor esse público", reforça Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil.

Patologias e casos elegíveis para o uso de imunobiológicos nos CRIEs

  • Asplenia anatômica ou funcional, Hemoglobonopatias e Disfunção esplênica;
  • Pneumopatias e cardiopatias crônicas;
  • Câncer;
  • Fibrose cística;
  • Asma persistente moderada ou grave;
  • Uso crônico de ácido acetilsalicílico;
  • Fístula liquórica;
  • Hepatopatia e nefropatia crônicas;
  • Doenças de depósito;
  • Diabetes mellitus;
  • Doença neurológica crônica incapacitante;
  • Doenças convulsiva e dermatológica crônicas;
  • Implante coclear;
  • Pessoas que vivem com HIV;
  • Pacientes em tratamento oncológico, entre outros.

Atualmente, são 51 localizados em todo o território nacional —desde 2002, cada estado brasileiro conta com pelo menos um—, que, juntos, informa o governo, são responsáveis pela aplicação mensal de 46.818 doses de imunobiológicos especiais.

Para ser atendido em uma das unidades é preciso apresentar a prescrição com indicação médica e um relatório clínico sobre a condição de saúde. Essas indicações serão avaliadas pelo médico ou enfermeiro responsável e, se estiverem contempladas pelas normas em vigor, as vacinas necessárias serão aplicadas.

E mesmo quem mora distante de um centro de referência, mas precisa de vacinas especiais, consegue o acesso. Neste caso, a pessoa deve procurar a UBS mais próxima, e caberá a ela fazer a solicitação para a unidade do estado ou à Secretaria Municipal da Saúde. O imunizante, então, é enviado para o local, e a aplicação acontece lá mesmo.

*Com informações de reportagem publicada em 27/10/2020.

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