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Diabetes e vacinas: maioria desconhece calendário especial de imunização

3% das pessoas desconhecem a existência do CRIE - iStock
3% das pessoas desconhecem a existência do CRIE Imagem: iStock

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

06/05/2021 14h28

Você sabia que pessoas com doenças crônicas e com outras comorbidades possuem um calendário especial de vacinação? O programa responsável por isso é o CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais), do SUS (Sistema Único de Saúde), que oferece imunizantes específicos para esses grupos que não estão incluídos nas vacinas "de rotina" dos postinhos de saúde (confira aqui).

Mas o centro de referência e o calendário especial são pouco conhecidos. Uma pesquisa da ADJ Diabetes Brasil realizada com pessoas com diabetes, além de cuidadores e pais de crianças com a doença, mostra que 85,74% dos participantes desconhecem que existe um calendário de vacinação (veja aqui) específico para este público — que não é apenas para diabetes, mas para diversas outras doenças, como problemas renais crônicos, pessoas convivendo com HIV, etc.

Para complementar, 3% das pessoas desconhecem a existência do Centro de Referência específico para essas pessoas. "O resultado da pesquisa mostra aquilo que a gente já percebe na prática", diz a pesquisadora, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai. "O Ministério da Saúde precisa divulgar mais esse serviço. Os profissionais de saúde também não conhecem e não informam os pacientes", explica.

Os dados da mesma pesquisa comprovam isso: 47% das pessoas com diabetes tipo 2 não se recordavam de quando o médico comentou sobre a importância da vacinação nas consultas, e 9% disseram que o médico não cita o assunto durante o atendimento.

Já entre as crianças, o cenário muda um pouco. 62% das pessoas com diabetes tipo 1, que incluem pais e mães de crianças e adolescentes, disseram que o profissional faz essa recomendação durante a consulta.

Quando se realiza uma análise mais detalhada, especificamente no grupo de pais e mães de crianças com diabetes tipo 1, 73,8% disseram que o médico recomenda durante a consulta. Isso mostra que o pediatra tem essa maior preocupação com as vacinas, enquanto outros especialistas nem tanto.

Esse calendário é importante, pois mostra quais vacinas as pessoas de determinados grupos devem tomar. Por exemplo, a vacina pneumocócica 13 valente contra pneumonia não está disponível numa UBS, por exemplo, mas no CRIE, ela estará — e, é claro, gratuita para os grupos que devem tomar.

De acordo com Ballalai, os centros estão mais localizados nas grandes capitais. Entretanto, basta que a pessoa procure o posto mais próximo de casa, com as orientações do médico, que a UBS pode solicitar a vacina ao CRIE do estado.

Mais dados da pesquisa

Entre as pessoas que disseram ter tomado as vacinas recomendadas para pessoas com diabetes ao longo da vida, 91,71% se vacinaram contra Influenza, 79% contra Hepatite B, 81,15% contra febre amarela, entre outros exemplos de vacinas questionados.

Com relação aos locais onde as pessoas se vacinam, 81,59% vão aos postos de saúde, 2,71% na rede particular e 13,56% tanto na rede particular como nos postos de saúde. O CRIE foi citado somente por 2 pessoas.

Por último, a pesquisa questionou sobre as campanhas feitas pelo governo por meio dos veículos de comunicação e se são suficientes para motivá-lo à vacinação: 53,57% dos respondentes sinalizaram que sim, 38% que não e 8,6% não sabiam.

Vacina de covid-19

A pesquisa constatou que 61% dos participantes disseram que vão se vacinar contra a covid, 17,61% falaram que depende do tipo de vacina, 16,07% ainda não sabem se vão tomar e 5,32% não vão tomar. Estes dados, segundo a ADJ, chamam a atenção, pois com relação à vacinação da gripe, a adesão é de 90%.

A médica da SBIm reforça a importância da vacinação neste grupo com diabetes. "É fundamental que elas se vacinem. A diabetes está no grupo de risco para covid-19. A SBD [Sociedade Brasileira de Diabetes] lutou muito para que elas fossem incluídas no grupo de prioridade. Perder essa chance é perder uma oportunidade de ouro", afirma.

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