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Estudo mostra mudança de hábitos de sono entre adolescentes na pandemia

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Imagem: iStock

De VivaBem, em São Paulo

30/05/2021 11h00

Um estudo brasileiro publicado em março no Journal of Clinical Sleep Medicine demonstrou como os hábitos de sono de adolescentes sofrem mudanças durante a pandemia de covid-19. Ele ajudar a entender os impactos na saúde física e emocional dos jovens durante o período de isolamento social.

Adolescentes têm maior necessidade de sono em comparação aos adultos, além da ocorrência de um atraso natural do horário de início do sono. Durante a pandemia, os adolescentes puderam flexibilizar a programação de aulas e adaptar a grade às preferências de sono.

Além disso, em algumas instituições, as aulas online começam mais tarde do que as aulas presenciais habituais, além de não haver o tempo gasto no deslocamento. Tudo isso poderia ter um impacto benéfico na aprendizagem. No entanto, a pressão do confinamento, o medo do contágio e a ausência de contato presencial com amigos e parentes impactaram significativamente os adolescentes.

Preocupações como essas, somadas às mudanças no sistema das aulas e à maior exposição às telas de smartphones e notebooks acabaram por motivar uma mudança nos horários de sono sem, com isso, melhorar a qualidade dele.

"Nossa hipótese era de que a pandemia de covid-19 tivesse induzido um turno noturno do ritmo diário entre os adolescentes e que isso afetou negativamente a qualidade do sono —e de vida— de estudantes do ensino médio, o que se mostrou verdadeiro. A duração e a qualidade do sono melhoraram apenas entre os alunos que já tinham menor duração do sono antes da pandemia", ressalta Pedro Genta, pneumologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, pesquisador do Laboratório do Sono no InCor (Instituto do Coração) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e um dos autores da pesquisa.

Como o estudo foi feito

Os 94 alunos participantes do estudo foram questionados sobre horários habituais de dormir e acordar e responderam a questionários como o Pittsburg Sleep Quality Questionnaire (PSQI), à Escala de Sonolência de Epworth (ESS), ao Morning-Eveningness Questionnaire (MEQ) e ao World Health Organization Quality of Life Questionnarie (WHOQOL) antes e durante a pandemia.

Após a comparação das duas fases do estudo, demonstrou-se que os alunos atrasaram em 1,5 hora os horários de dormir e em até 2 horas para acordar, em média.

Houve também a alteração do cronotipo, ou seja, a predisposição natural de cada pessoa de sentir energia ou cansaço de acordo com o período do dia, que migrou para o anoitecer durante a pandemia.

A piora dos domínios físico e psicológico e a melhora do domínio ambiental evidenciam as experiências conflitantes que os alunos do ensino médio estão enfrentando durante a pandemia, o que é preocupante, mas compreensível.

"Durante o sono o sistema nervoso prepara o cérebro e o corpo para o dia seguinte, consolidando o que foi aprendido ao longo do dia. Esses dados poderão ajudar a entender melhor os impactos físicos e psicológicos nos jovens e, com isso, buscar soluções para ajudá-los a passar por esse momento", conclui Genta.

Higiene do sono

Não existe uma fórmula mágica para regular o sono, na verdade, os especialistas indicam uma solução simples: adotar hábitos saudáveis.

E os melhores conselhos são aqueles que nossas avós já nos davam:

  • ter um horário regular para dormir
  • não ir para a cama tarde
  • fazer exercício físico
  • ter uma alimentação saudável
  • não ficar com aparelhos luminosos na cama

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