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Depilar a perna com cera pode causar varizes?

Priscila Barbosa
Imagem: Priscila Barbosa

Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

05/05/2021 04h00

Dói, encrava os pelos, mancha a pele, causa flacidez ou varizes? Quando se fala em depilação com cera muitas dúvidas surgem em relação aos efeitos do procedimento. Abaixo, três especialistas explicam se depilar a perna com cera pode causar varizes.

A resposta é não. Não existe nenhuma evidência científica que comprove que a depilação com cera quente ou fria cause varizes.

O motivo para tal crença é porque, durante a depilação, o calor desprendido pela cera quente pode provocar, temporariamente, uma vasodilatação.

No momento da retirada abrupta da cera da superfície da pele ocorre uma pressão negativa na parede do vaso, provocando um aumento do calibre das varizes. Esse fenômeno é temporário e, após alguns minutos, as varizes ou vasinhos retornam ao seu diâmetro inicial. Nenhuma técnica de depilação afeta o sistema circulatório.

No entanto, é importante salientar que, muitos pacientes com tendência familiar de varizes, relatam um aumento no número de vasinhos ou telangiectasias (vasos bem finos e vermelhos que aparecem nas pernas) após a depilação com cera quente.

A orientação, nesses casos, é evitar o calor, inclusive da cera, devido à vasodilatação. Com a cera fria, como não há vasodilatação e só o trauma, o aparecimento de vasos é menos comum.

Há alguma contraindicação para fazer depilação com cera?

Do ponto de vista vascular, as únicas contraindicações para a depilação com cera são nos casos de insuficiência da circulação arterial ou venosa avançados, em que existe isquemia, varizes calibrosas, alterações de pele como ferimentos, cicatrizes e histórico de sangramento.

Nessas situações, e em pacientes que já tiveram trombose, o cirurgião vascular deve ser consultado.

O que são varizes e qual a causa?

Não há um consenso sobre a origem das varizes, mas sabemos que situações que aumentam a pressão nas veias e as alterações hormonais podem ser um gatilho para o seu aparecimento.

Além disso, são multifatores (alguns modificáveis e outros não) que podem fazer as varizes aparecerem e piorarem, tais como tendência familiar forte, excesso de peso, sedentarismo, múltiplas gestações, uso de anticoncepcionais, hormônios femininos, trabalhar em pé e parado por muitas horas, idade avançada e uso de salto alto.

Pessoas que tiveram trombose podem ter varizes secundárias e traumas nas pernas.

Estudos apontam que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens vão apresentar algum grau da doença ao longo da vida. Entretanto, elas são apenas uma parte, ou um estágio, de uma doença chamada Insuficiência Venosa Crônica (IVC).

Como tratar as varizes?

A escolha do tratamento depende do tipo de veia, da condição clínica do paciente, da localização e extensão e da experiência do vascular.

O tratamento tem dois objetivos: o primeiro é a melhora funcional do retorno venoso para evitar as complicações das varizes; e o segundo oferecer benefício estético.

Algumas opções para tratá-las incluem cirurgia de ressecção das veias varicosas com a eliminação de todos os pontos de refluxo entre os sistemas venosos profundo e superficial.

Também pode ser indicado medicação venotônica, que melhora os sintomas de dor, peso e edema dos membros inferiores.

Para vasos e varizes menores, pode haver a indicação da escleroterapia, realizada por meio da administração de uma medicação na veia, que provoca uma reação química e elimina o vaso. Ou pelo uso do laser, que causa um dano térmico na veia doente e sua consequente eliminação.

Além disso, as varizes devem ser tratadas pela adoção de um estilo de vida saudável que inclua a manutenção do peso equilibrado, atividade física regular com especial atenção ao fortalecimento da panturrilha e uso de meias elásticas se o indivíduo for ficar muito tempo parado na mesma posição.

Atenção: tratamentos alternativos aparecem frequentemente com o falso pretexto de diminuir morbidade e melhorar resultados, mas, da mesma forma que aparecem, eles desaparecem por não oferecerem benefícios reais.

Fontes: Bruno de Lima Naves, angiologista e cirurgião vascular, presidente da SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular) e coordenador do Departamento de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Madre Teresa (MG); Fabio Henrique Rossi, cirurgião vascular e endovascular, vice-presidente da SBACV/Regional São Paulo e presidente do Instituto de Excelência em Doenças Venosas; e Nelson Wolosker, cirurgião vascular e endovascular, professor pleno da Faculdade de Medicina do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), e professor associado da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).