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Kit intubação começa a faltar em hospitais; saiba o que é e para que serve

Pacientes com covid-19 podem ser intubados - iStock
Pacientes com covid-19 podem ser intubados Imagem: iStock

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

15/04/2021 17h50

O chamado kit intubação, quase em falta em diversos hospitais, é o conjunto de medicações utilizado em um paciente que irá passar pela intubação —procedimento no qual é colocado um tubo na traqueia que fica acoplado a um ventilador pulmonar. O aparelho, muito utilizado em pacientes internados com covid-19, administra a quantidade de ar que entra e sai do pulmão e controla a mistura de gases utilizada e a quantidade de oxigênio.

No kit intubação, há três classes de medicamentos:

  • Hipnóticos: fazem com que o paciente durma;
  • Analgésicos: evitam dores e desconfortos provocados pelo tubo na garganta;
  • Bloqueadores neuromusculares: paralisam a musculatura da pessoa.

"O objetivo do uso dessas medicações é deixar o paciente sedado, sem dor e com a musculatura paralisada para que o procedimento ocorra com segurança tanto para o paciente quanto para o profissional que está executando", explica Roberta dos Santos Pimenta, médica intensivista do CTI (Centro de Terapia Intensiva) do Hospital Icaraí (RJ).

Como o paciente fica internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por dias ou até meses, esses medicamentos são utilizados de forma contínua, ou seja, a equipe médica vai mantendo as doses diariamente. "Se a gente não colocar o hipnótico, por exemplo, a pessoa acorda, fica consciente, com um tubo na traqueia. Ela pode tentar tirar e empurrar o respirador. É uma tortura mesmo", afirma o médico anestesista e professor de farmacologia da Universidade de Taubaté (SP), Oscar César Pires.

E se faltar algum medicamento do kit intubação?

Primeiro, é preciso entender que dentro de cada classe dos medicamentos existem várias opções disponíveis que podem ser utilizadas como substitutas e que têm a mesma eficácia. Os bloqueadores neuromusculares, que deixam o corpo paralisado e relaxado, possuem cerca de quatro opções, conforme explica Diná Mie Hatanaka, coordenadora de anestesia do Hospital Moriah (SP).

O problema é que essas quatro opções estão ficando escassas no mercado. "E elas são imprescindíveis no momento da intubação e, dependendo do paciente, para a manutenção dele no ventilador", diz. Isso porque, às vezes, o corpo da pessoa pode ficar "brigando" com o ventilador, evitando que a respiração ocorra adequadamente e o aparelho funcione de forma mais eficiente. Esse medicamento garante que a pessoa fique paralisada, sem nenhum movimento brusco.

No caso dos hipnóticos e analgésicos, se esgotadas as alternativas, os médicos consultados citam outras opções caso seja necessária a intubação do paciente. "Eventualmente, se acabarem as opções, uma coisa que podemos fazer é levar o paciente ao centro cirúrgico e usar os anestésicos inalatórios, que deixam ele dormindo e sem sentir dor", conta Hatanaka.

De acordo com a médica, tudo isso tem consequências para o paciente. "Você vai fazer isso em uma sala cirúrgica, é uma adaptação do ambiente de uma UTI. Tem que ser muito bem pensado, mas se em algum momento não tiver mais medicação e ele precisar ser intubado, talvez seja uma solução", pontua a médica.

"Nós vamos remediando enquanto dá, mas não é o ideal. Tenho colegas ligando de hospitais para saberem como utilizar remédios inalatórios porque as drogas hipnóticas para usar pela veia estão em falta", conta o médico anestesista.

Medicamentos também são usados em outros procedimentos

Com o assunto "em alta" por conta da covid-19, é importante lembrar que o itens do kit intubação são utilizados também em outros procedimentos: desde cirurgias até em procedimentos mais simples, como endoscopia e colonoscopia. Eles são ainda amplamente usados para manter o paciente sedado em um ambiente de terapia intensiva.

"Você não precisa utilizar os três de uma vez, é claro. Na endoscopia, por exemplo, você usa o hipnótico e um pouco de analgésico para dar conforto. Em uma ressonância magnética, caso a pessoa tenha pânico, a gente utiliza só o hipnótico", explica o professor da Universidade de Taubaté.

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