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Como o álcool afeta a sua pele e quais cuidados tomar para evitar estragos

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Imagem: iStock

Patrícia Beloni

Colaboração para VivaBem

15/04/2021 04h00

Um drinque, dois drinques e pronto: bochechas vermelhas, pele ressecada, espinhas, olheiras? Tudo isso pode ser culpa (integral ou parcial) das bebidas alcoólicas sim. Além da ressaca, o álcool pode causar diversas reações indesejáveis no organismo, principalmente na pele. Seu consumo pode prejudicar a qualidade e também causar ou piorar doenças já existentes.

Dentre as principais consequências da substância, estão aquelas relacionadas com a reserva de água do corpo, utilizada tanto para metabolizar e tirar o álcool do corpo, como para manter a pele hidratada, mas também a outros mecanismos, como a liberação de histamina (fator causador de alergias).

Não há como garantir que exista uma quantidade específica de ingestão que possa ser segura a ponto de não causar malefícios, entretanto, é possível tomar alguns cuidados e se preparar melhor quando for beber.

Também existem algumas formas de amenizar os impactos e aliviar o sofrimento da pele depois do consumo.

Ressecamento e descamação

O álcool pode ocasionar o ressecamento e a descamação da pele, pois inativa a produção do hormônio chamado ADH (antidiurético), um dos principais mecanismos de controle da quantidade de água corporal.

"Quando ele é inibido, a maior parte da água que passa pelos rins acaba sendo eliminada na urina, que costuma ser bem clara após consumo de bebidas alcoólicas", explica a dermatologista Carla Alburquerque, da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Além disso, o corpo precisa de água para eliminar o álcool. Então, caso não haja água disponível suficiente, também pode acontecer uma retirada do líquido de outros tecidos, como a pele. Pode ainda aumentar a quantidade de proteínas que aceleram a produção de células, levando à descamação, como explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, da SBCD (Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica).

Inflamação e espinhas

Espinha, pele negra - iStock - iStock
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Estudos apontam que o consumo excessivo de álcool pode levar à chamada inflamação sistêmica persistente - uma condição que afeta o corpo todo e também causar acne, como o British Medical Bulletin e o JEADV.

Somado a isso, o açúcar presente também pode elevar o índice de insulina do corpo, afetar os hormônios da pele e desequilibrar os níveis saudáveis das "bactérias do bem" que vivem no intestino, levando à formação de espinhas.

Desidratação e inchaço

É por isso também que pode causar a desidratação e desequilibrar os níveis de fluidos e sais, principalmente nas áreas do rosto que são naturalmente propensas a reter fluidos, como os olhos (pois a pele é muito fina e vascularizada).

Envelhecimento

Muitos estudos também apontam que o álcool estimula a produção de radicais livres, que entram em contato com células sadias do corpo e danificam sua estrutura, podendo levar ao envelhecimento precoce e flacidez, como aponta a pesquisa do periódico JCAD.

Também por causa do açúcar, pode levar as células ao fenômeno de glicação —um processo em que o açúcar e o carboidrato se ligam a uma proteína, impedindo-a de desempenhar a sua função, o que também contribui para o envelhecimento precoce.

Câncer de pele

De acordo com Albuquerque, existe um forte consenso científico de que o consumo de álcool pode provocar vários tipos de câncer. Há, inclusive, evidências de que ele está associado ao melanoma, câncer de próstata e de pâncreas. Uma pesquisa realizada pela Brown University, localizada em Rhode Island, nos Estados Unidos, publicada no British Journal of Dermatology, é uma das que sugeriu que a ingestão de 10 gramas de álcool por dia aumenta o risco de desenvolver câncer de pele em até 11%.

Também foi apontado que na presença de radiação ultravioleta, o consumo de álcool pode alterar a capacidade do corpo de produzir uma resposta imune normal. E quando o consumo de bebida alcoólica ultrapassa quatros copos por dia, o risco de incidência de melanoma sobre para 55%.

Olheiras

Olheira - iStock - iStock
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Segundo estudo publicado no periódico JMIR Mental Health, o álcool interfere em áreas do sistema nervoso responsáveis pelo estado de descanso. Isso gera alterações na frequência cardíaca durante o sono e faz com que o descanso não seja reparador.

"Com isso, os vasos da área dos olhos tendem a ficar muito congestos e, por conta da pele fina da região, contribui para deixar a área com aspecto escuro, arroxeado e inchada", explica Albuquerque. Além disso, sem um sono de qualidade, o organismo não produz o hormônio do crescimento, responsável pela renovação das células que ajudam na produção de enzimas que aumentam a quantidade de colágeno e elastina.

Rosácea

Ele também tem ação vasodilatadora, o que significa que promove a dilatação dos vasos sanguíneos na pele, levando ao aumento da vermelhidão. Algumas bebidas, como o vinho tinto, levam à liberação de histamina, o que intensifica a vermelhidão e o rubor. O álcool funciona como um gatilho para a rosácea, piorando quadros preexistentes ou ajudando para iniciar quadros em quem tem predisposição.

Urticária

Desencadeia um processo inflamatório persistente no organismo e como aumenta a liberação de histamina pode causar urticária, já que é uma substância que funciona como gatilho para crises de alergia. "Pode ser um fator que piora o controle da urticária crônica e também influencia na atividade dos mastócitos (célula que está hiperfuncionante na urticária)", aponta o dermatologista Daniel Cassiano, professor da Universidade São Camilo (SP).

Psoríase

Psoríase - iStock - iStock
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O consumo de bebidas alcoólicas não só pode agravar a psoríase, como também aumenta muito o risco de simplesmente desenvolver a doença. De acordo com estudo publicado na revista científica JAMA , mulheres que bebem mais de 2 a 3 doses de bebidas alcoólicas por semana estão expostas a um risco significativamente superior. Os riscos parecem ser ainda mais elevados nos homens.

Outro estudo publicado no periódico Dovepress demonstrou que o consumo regular de álcool está associado a um maior risco de psoríase, bem como a um aumento da gravidade das crises. Isso se deve provavelmente ao estado de inflamação persistente que o álcool induz.

Dermatite seborreica

A causa da dermatite seborreica não é totalmente conhecida —pode ser de origem genética ou desencadeada por fatores externos como a bebida alcoólica. De acordo com a dermatologista Nina Rigoni, da Clínica Carvalho Concept, "o consumo mais acentuado do álcool pode levar a um aumento da oleosidade na pele, ou seja, um estímulo maior das glândulas sebáceas, provocando quadros de dermatite seborreica, tanto no couro cabeludo, como na face".

Vermelhidão

Por ter ação vasodilatora, tende a deixar vermelhas as regiões mais vascularizadas como as bochechas, palmas das mãos, solas dos pés. Inclusive, "seu efeito a logo prazo, devido ao consumo crônico, pode ser a vasodilatação e inflamação permanentes dos vasos da face", explica Pomerantzeff.

Pode ainda fazer com que as faixas de tecidos fibrosos nas palmas das mãos se contraiam provocando contração involuntária dos dedos.

Mas é preciso ter cuidado porque algumas pessoas ficam com o rosto vermelho quando ingerem bebidas alcoólicas e acham isso normal. Isso porque "um estudo, publicado na revista americana Medicine, diz que isso pode ser sinal de um maior risco de desenvolvimento de câncer de garganta. Quando a vermelhidão, que muitas vezes é acompanhada de náusea e batimentos cardíacos acelerados, é causada pela deficiência numa enzima chamada ALDH2. Para quem tem deficiência dessa enzima, a tendência é ficar corado depois de menos de meia garrafa de cerveja. Esse processo dificulta o metabolismo do álcool e causa o acúmulo de uma toxina que deixa a pele avermelhada".

Quantidade de álcool e receita do drinque fazem diferença?

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Imagem: istock

Segundo Carla Alburquerque, quanto maior a ingestão de álcool, maior o prejuízo à pele. "Dois ou mais drinques por dia provocam danos consideráveis, ainda mais em quem já passou dos 40 anos, já que o organismo leva mais tempo para metabolizar o álcool".

Para Paola Pomerantzeff, muitas reações estão relacionadas também à quantidade de açúcar que cada bebida alcoólica tem. "As grandes quantidades de açúcar e sal contidas em determinada bebida alcoólica ou receita de drinque vão determinar vários malefícios para a pele, como a glicação e o envelhecimento precoce."

Como aliviar ou tratar

  • Ingestão de líquidos;
  • Hidratação da pele;
  • Comer antes: alimentar-se bem antes de beber ajuda a diminuir a absorção do álcool pelo organismo;
  • Evitar alimentos com muito açúcar, gordura: podem atrapalhar a metabolização das substâncias tóxicas e a recuperação do organismo;
  • Intercalar bebida com água;
  • Dia detox: consumir alimentos saudáveis e se hidratar um dia antes de beber também pode ajudar a reduzir os impactos do álcool;
  • Compressa gelada.

Fontes: Carla Albuquerque, dermatologista da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia); Daniel Cassiano, dermatologista e professora da Universidade São Camilo (SP); Maria Luisa Barros, dermatologista do Hospital Santa Paula (SP); Nina Rosa Rigoni, dermatologista da Clínica Carvalho Concept; Paola Pomerantzeff, dermatologista da SBCD (Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica).

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