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Visão, cognição, pele manchada: como reconhecer o envelhecimento precoce

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Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

26/02/2021 04h00

Uma ruga aqui, um fio de cabelo branco surgindo ali e eis a constatação: a idade está chegando. Todos vamos envelhecer um dia e esse processo não precisa ser sinônimo de doença.

O que realmente deve nos preocupar é como será esse processo de envelhecimento. Se continuo ativo, andando sem dificuldade, minha pele não está manchada, se consigo me socializar como antes? Se alguma dessas respostas for negativa, pode ser sinal que você não está envelhecendo bem.

Atualmente, a ciência divide o envelhecimento em bem-sucedido —quando a pessoa não tem doenças e continua muito ativo—, normal —quando a pessoa envelhece com algumas comorbidades—, e senilidade —caracterizado pelo mau funcionamento de vários sistemas do corpo.

VivaBem selecionou alguns tópicos que podem ser um alerta de algo está errado e você precisa buscar ajuda médica.

Mobilidade

Começar a andar mais devagar, de repente, é um indicativo de problemas de saúde - iStock - iStock
Começar a andar mais devagar, de repente, é um indicativo de problemas de saúde
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Caminhada lenta: alguns idosos andam mais devagar com o passar do tempo, mas quando essa "marcha lenta" se desenvolve precocemente, na faixa dos 50 anos ou até antes, é hora de ficar atento.

"É uma pessoa que tem um risco elevado de quando chegar na velhice começar realmente a ter mais dificuldade de marcha, quedas e ficar dependente", explica Eduardo Ferriolli, geriatra e professor do Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo).

Isso pode ocorrer porque a marcha integra muitas informações, diz o especialista, e o cérebro é responsável por otimizar a velocidade, analisando o risco de queda, a força da perna e os reflexos, fazendo com que a pessoa caminhe numa velocidade que considera segura.

Por isso, quando a marcha começa a diminuir muito cedo, é sinal de que alguma coisa está errada. "Pode ser um marcador precoce de doença cognitiva, Parkinson, carência de músculo, tem uma série de coisas envolvidas", comenta Paulo Camiz, geriatra e professor de clínica geral do HC-SP (Hospital das Clínicas de São Paulo).

Dificuldade de subir escadas: "Quando a dificuldade de subir é por falta de força nas pernas, é sinal de uma doença que acompanha o envelhecimento, a sarcopenia. É a redução da massa muscular junto com a redução de força", explica Ferriolli, ressaltando que o problema pode atingir até 20% das pessoas que estão envelhecendo.

De acordo com o especialista, as pessoas que desenvolvem a sarcopenia, têm um risco muito maior de caírem e serem hospitalizadas ou de até morrerem mais cedo. "A dificuldade de subir escadas é sinal que a musculatura está tendo alterações vinculadas ao envelhecimento que precisa ser avaliado, porque tem tratamento", recomenda.

O especialista comenta que nem sempre a dificuldade está relacionada à sarcopenia. Há diversas doenças neurológicas ou até mesmo problemas cardíacos que dificultam a pessoa subir ou descer escadas.

Cognição

A cognição precisa estar preservada para um bom envelhecimento  - iStock - iStock
A cognição precisa estar preservada para um bom envelhecimento
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A cognição, em geral, precisa estar preservada para uma velhice saudável, mas esquecer o nome de um neto, que pagou uma conta, onde estacionou o carro, pode acontecer com qualquer um.

"Essas perdas de memória, se não interferem na vida, não são recorrentes ou persistentes, são normais", afirma Raphael Castilhos, neurologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Por outro lado, esquecer coisas como datas importantes, convites para um evento que espera há tempos, o nome dos filhos, onde mora ou o que fez ontem, pode indicar o surgimento de alguma doença neurodegenerativa do sistema nervoso central, como Alzheimer ou outro tipo de demência.

"As demências são muito comuns no idoso. Por isso, a identificação precoce de uma alteração cognitiva que pode se manifestar por perda de memória é importante", ressalta Castilhos, e lembra que, além da memória, qualquer alteração que surja, como por exemplo, dificuldade em realizar atividades que a pessoa fazia antes, e agora não faz mais, precisa de atenção.

Visão e audição

Os olhos são detectores sensíveis do que acontece com o corpo e atuam como um alarme. Isso significa que pessoas com problemas vasculares, sobrepeso, hipertensão arterial mal cuidada, colesterol alto, entre outras patologias, têm um risco maior de prejudicar a visão causando o envelhecimento precoce.

"Quando esses indivíduos se super expõem a esses fatores de risco que prejudicam os vasos, eles aceleram a sua degeneração, e um dos primeiros lugares onde isso é rapidamente notado é no olho", diz Eduardo Melani Rocha, oftalmologista e professor do Departamento de Oftalmologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da FMRP-USP.

O olho vermelho mostra que precisamos investigar o que está acontecendo - iStock - iStock
O olho vermelho mostra que precisamos investigar o que está acontecendo
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Olho vermelho crônico: é uma reação a questões adversas ambientais, mau uso da lente de contato, colírios ou o hábito de colocar a mão nos olhos. Nesses casos, o olho mostra que está incomodado. "O olho vermelho crônico é um sinal de envelhecimento errado dos olhos", salienta Rocha.

Opacificação dos meios transparentes: é normal no envelhecimento natural. Os olhos nascem assim e permanecem por alguns anos. Entretanto, ao longo da vida, é natural que percam lentamente a transparência.

"Indivíduos que super se expõem aos raios ultravioletas, fatores ambientais como glicemia e diabetes, por exemplo, aceleram a opacificação do cristalino, que é uma das lentes naturais, e da córnea, a outra, que tem papel de lente e escudo localizado na frente do olho. Então é natural que os tecidos se opacifiquem, mas não que isso aconteça ainda na juventude ou no início da meia-idade", ressalta.

A perda de capacidade de foco para enxergar de perto é comum após os 40 anos e faz do processo natural, ou seja, não é uma doença. Porém pode servir de alerta ou motivo de consulta em que doenças silenciosas ou iniciais podem ser detectadas.

Além disso, durante o envelhecimento, a audição também pode ser afetada, e os sons agudos não serem mais tão nítidos. Trata-se, neste caso, de um indicativo de futuros problemas de audição.

Vale sempre ficar atento: ouvia a TV em um volume e, de repente, precisou aumentar muito, sempre pergunta duas vezes o que as pessoas falam, faz leitura labial porque não conseguiu ouvir direito? Esses são sinais clássicos de problemas auditivos que, se não tratados, pioram com o tempo.

"Isso pode começar aos 40, 50 anos de idade, e se for dos dois lados igualzinho, muitas vezes não é doença. É o que acontece com algumas pessoas que estão envelhecendo. E a gente sabe que pessoas que ouvem menos ou tem a visão pior, às vezes, desenvolvem problemas de memória", comenta Ferriolli.

Infecções constantes

As infecções, como respiratórias e urinárias por exemplo, são marcadores de que algo não está indo bem. Por isso, se você costuma ter infecções com frequência, o processo de envelhecimento não está sendo saudável.

Pele manchada

As manchas na pele retratam o envelhecimento. Elas são causadas, principalmente, pela exposição solar. "Uma pele muito manchada, a partir dos 30 anos, mostra que a pessoa não está envelhecendo bem. Por isso o uso do protetor solar é imprescindível", alerta Fernanda Seabra, dermatologista do Aliança Instituto de Oncologia, em Brasília.

É essencial cuidar da pele mesmo quando estamos em casa - iStock - iStock
É essencial cuidar da pele mesmo quando estamos em casa
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Ela explica que o protetor solar deve ser usado todos os dias pela manhã e reaplicado a cada três horas, inclusive dentro de casa, para não manchar a pele, já que o sol não é o único responsável pelas manchas. A luz do computador e a de LED também mancham a pele.

A especialista indica o uso da vitamina C no rosto antes mesmo de aplicar o protetor facial, pois é um excelente antioxidante que previne o envelhecimento da pele, causado pelo sol, poluição, cigarro e por aí vai.

Pele seca

Com o passar do tempo, as glândulas naturais que produzem a oleosidade, vão ficando "preguiçosas", por isso a tendência natural é que a pele fique mais seca. "Mas o paciente que tomou muito sol durante a vida inteira, principalmente durante a adolescência e infância, vai apresentar uma pele seca mais cedo. Ele perde o viço e a pele fica visivelmente mais envelhecida", explica Seabra.

Por isso, aconselha a especialista, é importante sempre reservar um tempo para hidratar o rosto, além de beber bastante água.

Sono ruim

A falta de um sono adequado acelera o envelhecimento precoce. Em geral, quem tem dificuldade para pegar no sono pode sofrer com ansiedade, assim como quem não consegue mantê-lo pode estar com depressão. Há ainda aquelas pessoas que dormem, mas acordam com a sensação de que não descansaram. Nesse caso a doença mais prevalente é a apneia do sono.

Humor

A alegria é essencial para uma velhice saudável - iStock - iStock
A alegria é essencial para uma velhice saudável
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Aos 50 anos, as pessoas que sofrem com depressão, ansiedade e bipolaridade tendem a envelhecer mal. E, dependendo da intensidade, os transtornos afetam não só a mente, mas também a saúde física. Ter alegria e bom humor, aconselham os especialistas, é fundamental para chegar à velhice com saúde.

Gordura abdominal

Nunca é saudável o acúmulo de gordura no centro da barriga, na região abdominal. Esse é um risco elevado para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Segundo os especialistas, a partir dos 30 anos, todos podem acumular mais gordura, mas com o envelhecimento, esse acúmulo tende a aumentar. Então vale ficar atento.

"Essa gordura na barriga produz inflamação, então, ganhar um pouco de gordura distribuída pelo corpo todo é normal, mas acumular na região abdominal não é bom", frisa Ferriolli.

Não ter amigos

A solidão não faz bem em nenhuma idade - iStock - iStock
A solidão não faz bem em nenhuma idade
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As amizades fazem bem em qualquer idade, mas quando estamos chegando à velhice, ainda mais. Uma pesquisa feita pela Brigham Young University (EUA) mostrou que idosos que têm amigos e fazem atividades conjuntas apresentam 50% mais chances de sobrevida, em comparação aos isolados.

A análise descreve também que os efeitos da falta de amigos são similares aos da obesidade, tabagismo e etilismo, ou seja, danifica a saúde e leva à morte precoce.

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