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É três vezes mais difícil criar laços com colegas por videoconferências

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Imagem: iStock

Mariana Nakajuni

Da Agência Einstein

26/01/2021 11h29

A pandemia do novo coronavírus fez com que muitas empresas adotassem as videoconferências a fim de garantir o distanciamento social. Apesar do recurso ter se comprovado mais prático e econômico, não demorou muito para que gerasse incômodo entre os colaboradores, que até consagraram o termo "Zoom fatigue" (uma referência ao cansaço causado pelo excesso de reuniões virtuais).

Agora, um grupo de pesquisadoras constata um segundo problema que a era das videoconferências estaria gerando nas empresas: os funcionários estão tendo dificuldade em desenvolver um relacionamento mais próximo com colegas de trabalho.

De acordo com o estudo conduzido por Nancy R. Buchan, da Universidade da Carolina do Sul; Wendy L. Adair, da Universidade de Waterloo; e Xiao-Ping Chen, da Universidade de Washington, a comunicação por chamadas de vídeo faz com que empregados se tornem três vezes menos eficientes na criação de laços com quem está do outro lado da tela.

Para chegar a esse resultado, foram entrevistados 324 trabalhadores americanos que costumavam fazer suas reuniões de forma presencial e, no momento da pesquisa, realizavam chamadas de vídeo na maior parte das vezes. Eles foram perguntados sobre suas relações no trabalho, as formas como se comunicam pessoalmente e de modo online, e a comparação da performance de sua equipe em relação ao período pré-coronavírus. Para encontrar padrões entre as respostas, as pesquisadoras usaram uma forma de análise estatística. Agora, os achados seguem para revisão por parte de outros especialistas.

"Os participantes relataram que era mais difícil entender a comunicação não verbal de seus colegas de trabalho e ouvir atentamente o que outras pessoas diziam durante reuniões virtuais em comparação com sua comunicação presencial", afirmam as pesquisadoras em artigo para o portal The Conversation. "Sem esses dois elementos cruciais, os efeitos positivos da construção de relacionamentos -- como coordenação e eficiência -- eram difíceis de serem estabelecidos."

De acordo com as pesquisadoras, "a construção de relacionamentos é fundamental para melhorar os resultados da equipe e ainda mais importante quando os funcionários se comunicam por vídeo. Mas isso é mais difícil". Seus achados apontam soluções para que as empresas e trabalhadores compensem parte das desvantagens trazidas pelo pouco contato pessoal, o que pode gerar efeitos positivos no mundo pós-pandêmico.

Uma das formas de contornar tais inconvenientes é prestar atenção nas pistas não verbais e fazer maior esforço para se concentrar na fala dos colegas. Os participantes que apresentavam esses comportamentos viam pouca diferença na qualidade das suas relações interpessoais. Nesses casos, as reuniões online eram comparáveis até mesmo aos encontros presenciais para coordenar atividades em equipe e promover a eficiência do grupo.

As autoras do artigo ponderam que as análises tiveram como referência a cultura corporativa nos Estados Unidos, onde as normas de comunicação no local de trabalho costumam ser diretas e as pessoas tendem a usar mensagens verbais explícitas. Isso significa que os resultados podem não se aplicar a outras culturas, como aquelas com estilos de comunicação indiretos e relacionais.

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