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Praticar exercícios e sorrir: táticas que ajudam na hora da vacinação

Sorrir e fazer caretas ajudam a amenizar a dor da injeção - Canton of Lucerne/Keystone/AFP
Sorrir e fazer caretas ajudam a amenizar a dor da injeção Imagem: Canton of Lucerne/Keystone/AFP

Do VivaBem, em São Paulo

30/12/2020 14h58

Em meio às expectativas de imunização contra o coronavírus, três estudos mostram que algumas táticas podem ajudar no momento da vacinação: sorrir ou fazer careta e praticar exercícios. Se por um lado as expressões faciais fazem com que a dor, associada à injeção, seja mais leve, a atividade física aparece como uma boa aliada à resposta imune da vacina.

As afirmações fazem parte de estudos publicados nos periódicos Emotion, em novembro de 2020, no Medicine & Science in Sports & Exercise, em julho, e no Brain, Behavior, and Immunity, em janeiro.

Sorrir ou fazer caretas reduz em 40% a dor da injeção de agulha

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Imagem: Katherine V. Hammond / University of Oregon

Quando sentimos dores agudas, temos a tendência a fechar os olhos com força, erguer as bochechas e mostrar os dentes — fazendo as famosas "caretas". Os pesquisadores da University of California, nos EUA, resolveram testar se esses movimentos faciais são benéficos em contextos de estresse e dor, especificamente no momento da vacinação.

Como o estudo foi feito:

O estudo reuniu 231 pessoas que receberam uma injeção com solução salina, com uma agulha semelhante às usadas em vacinação contra gripe. Eles foram divididos em quatro grupo com as seguintes expressões faciais: A) neutra; B) um sorriso "normal"; C) um "sorriso sincero" (ou sorriso de Duchenne, na qual os cantos da boca sobem e rugas aparecem ao redor dos olhos) e D) uma careta (confira na imagem acima).

Antes da injeção, os participantes preencheram um questionário que perguntava o nível de ansiedade deles em relação à agulha. Enquanto os participantes mantinham suas expressões faciais, um médico administrava as injeções.

Após seis minutos, os participantes mais uma vez relataram seus níveis de dor. Os pesquisadores também perguntaram se a experiência foi estressante.

Antes, durante e após a injeção, as pessoas foram conectadas a um eletrocardiograma. Além disso, os pesquisadores mediram as mudanças na resistência elétrica da pele dos participantes — que mede a excitação psicológica ou fisiológica.

Quais foram os resultados:

Segundo os autores, os grupos de sorriso de Duchenne e de careta relataram aproximadamente 40% menos dor com agulha em comparação ao grupo neutro, sem nenhuma expressão facial.

Quando os pesquisadores examinaram os dados da frequência cardíaca, eles descobriram que o grupo do sorriso "mais sincero" tinha frequências cardíacas significativamente mais baixas do que o grupo neutro. Não houve diferenças entre os outros grupos.

Atletas desenvolvem melhor resposta imune à vacina

Em janeiro deste ano, pesquisadores da Saarland University, na Alemanha, reuniram um grupo de 45 atletas de elite e 25 não atletas (grupo de controle), do sexo masculino e feminino, para verificar os efeitos da vacina contra a gripe (influenza) em pessoas que praticam atividade física regular.

Como o estudo foi feito:

Todos os participantes receberam a vacina contra a gripe e fizeram anotações sobre os efeitos colaterais que poderiam surgir. Depois, os grupos voltaram ao laboratório para coleta de sangue de acompanhamento de uma semana, duas semanas e seis meses após a vacinação.

Os cientistas analisaram o sangue dos dois grupos em busca de células imunológicas e anticorpos anti-influenza.

Quais foram os resultados:

Os autores do estudo encontraram uma quantidade significativamente maior dessas células no sangue dos atletas, especialmente na semana após a injeção, quando as reações celulares de todos atingiram o pico.

Com isso, os atletas mostraram uma "resposta imunológica mais pronunciada", com provavelmente melhor proteção contra a infecção da gripe do que os outros participantes, segundo Martina Sester, coautora do estudo, ao site do The New York Times.

Para checar especificamente os efeitos dos exercícios em atletas, os pesquisadores fizeram mais um estudo, com o mesmo grupo. A ideia era entender se um único treino intenso poderia alterar as reações do corpo a uma vacina, para melhor ou pior.

Eles compararam o número de células do sistema imunológico e anticorpos nos atletas que receberam a vacina contra a gripe duas horas após a sessão de treinamento com os dos atletas cuja injeção ocorreu um dia após o último treino.

Entretanto, os pesquisadores não encontraram diferenças, ou seja, as reações imunológicas foram as mesmas quase imediatamente após o treinamento ou um dia depois. Um treino extenuante não reduziu - ou aumentou - a resposta.

Por que estes estudos são importantes?

Os resultados trazem descobertas interessantes para a hora da vacinação. Expressões como sorrir e fazer caretas podem melhorar as experiências de dor com agulha, principalmente o sorriso de Duchenne, que apresentou melhores respostas fisiológicas induzidas pelo estresse do corpo em relação a outras.

Já os outros dois estudos mostram que "estar em forma", provavelmente, aumentará a proteção contra a vacinação, não importa o quão intensamente ou quando nos exercitamos antes da injeção.

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