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Pesquisa da PUC-PR demonstra fibrose pulmonar em mortes causadas por covid

Laboratório da Patologia Experimental da PUC-PR - Gian Galani/PUC-PR/Divulgação
Laboratório da Patologia Experimental da PUC-PR Imagem: Gian Galani/PUC-PR/Divulgação

De VivaBem, em São Paulo

29/11/2020 10h00

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) apontou uma tendência de formação de fibrose nos pulmões de pacientes que morreram em decorrência do novo coronavírus. O resultado foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, uma das principais publicações científicas do mundo.

A fibrose torna os tecidos espessos e rígidos, limitando a capacidade respiratória dos pulmões, uma vez que a condição dificulta a absorção e a transferência de oxigênio para a corrente sanguínea.

Os pesquisadores compararam seis amostras pulmonares post mortem de pacientes que contraíram a covid-19 com 10 fragmentos de pulmões de indivíduos infectados pelo vírus H1N1pdm09, responsável pela pandemia de gripe suína de 2009, e 11 amostras de pacientes que morreram por problemas cardíacos ou oncológicos, ou seja, não tiveram uma lesão pulmonar como causa da morte.

Efeito do H1N1 x covid-19 nos pulmões - PUC-PR/Divulgação - PUC-PR/Divulgação
Efeito do H1N1 x covid-19 nos pulmões
Imagem: PUC-PR/Divulgação

"Observamos uma tendência de formação de fibrose nos pulmões dos pacientes que foram a óbito por covid-19, em decorrência de um aumento significativo do marcador Interleucina-4 [citocina anti-inflamatória], além de um número aumentado de macrófagos [células presentes nos tecidos] envolvidos na formação de fibrose nesses pacientes em comparação com os pacientes sem lesão pulmonar", afirma Lucia de Noronha, professora da PUC-PR que participou do projeto.

Ao comparar as amostras dos pacientes infectados pelo coronavírus e pelo H1N1, a pesquisadora diz que a infecção por Sars-CoV-2 parece promover danos teciduais nos pulmões a partir de mecanismos diferentes do que é verificado nas lesões causadas pelo vírus da gripe suína. Além disso, completa Lucia, foi visualizado um edema considerável nos pacientes que morreram por conta da covid-19.

"Observamos uma presença maciça de neutrófilos [células de defesa], bem como de bactérias nos tecidos pulmonares dos pacientes acometidos por H1N1. Em relação aos pacientes de covid-19, notamos uma escassez de neutrófilos e também de linfócitos, células responsáveis pela resposta imune e pela defesa do corpo", comenta a pesquisadora.

Condição grave

A formação de fibrose pulmonar compromete a troca gasosa, dificultando a respiração e, consequentemente, afetando severamente a qualidade de vida do paciente que desenvolve a condição. Dependendo da extensão da lesão, o quadro pode se tornar irreversível e levar à morte.

A boa notícia, segundo os pesquisadores, é que a conclusão do estudo é de que um tratamento com medicamentos que tenham como papel inibir a Interleucina-4 possa atenuar os quadros de fibrose pulmonar severa nos pacientes com covid-19.

A pesquisa foi aprovada pelo Conep (Comitê Nacional de Ética em Pesquisa) e as famílias dos pacientes permitiram a biópsia. Além disso, todos os métodos foram realizados de acordo com as diretrizes e regulamentos aplicáveis.

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