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Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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Responsável por ataque homofóbico diz ser bipolar; transtorno justifica?

Mulher agride jovem em São Paulo em ataque homofóbico - Reprodução/Instagram
Mulher agride jovem em São Paulo em ataque homofóbico Imagem: Reprodução/Instagram

Samantha Cerquetani*

Colaboração para o VivaBem

23/11/2020 17h59

Na última sexta-feira (20), funcionários de uma padaria em São Paulo foram surpreendidos com o ataque homofóbico de uma cliente. Lidiane Biezok, 45, foi filmada ofendendo funcionários do local e agredindo um cliente. Ela foi indiciada por lesão corporal, injúria e homofobia, mas em entrevista ao UOL justificou a agressão a uma "crise de bipolaridade".

"Eu tenho bipolaridade. Chega uma hora que eu não aguento. Foi uma crise de bipolaridade. E ainda estou tendo crise. Minha mão não para de tremer. Eu sou inválida. Quando tem provocação, acabo perdendo a cabeça. Mas pedi desculpas. Falei coisas que não queria, que não sinto isso", afirmou Lidiane.

Nada justifica um ataque homofóbico, nem mesmo um transtorno mental. Mas um comportamento desproporcional e agressivo pode ser causado pela bipolaridade, principalmente se a pessoa não segue o tratamento adequado. "Pelo vídeo divulgado é possível ver que ela apresenta sintomas compatíveis com um episódio de mania. Entre eles, destacam-se a falta de autocrítica, a agressividade por motivo banal, a hostilidade e a irritabilidade", diz Marcelo Kimati, psiquiatra e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Entretanto, o especialista explica que não há crises ou surtos do transtorno bipolar, como Lidiane citou, uma vez que os sintomas não surgem de forma repentina. "Eles não surgem do nada. Provavelmente, ela já apresentava alguns sinais de mania, e deveria ter sido monitorada adequadamente".

O que é o transtorno bipolar

A bipolaridade ainda é uma doença mal compreendida pela sociedade. Muitos entendem como um transtorno em que o indivíduo oscila de estado e vai da felicidade à tristeza em questões de segundos. A característica mais marcante da doença é, sim, a alternância de episódios de depressão com os de euforia, mas os quadros são bem mais complexos do que uma simples variação de humor.

O bipolar pode levar anos para ser diagnosticado, justamente por apresentar quadros eufóricos apenas durante determinado período da vida. Há fases de depressão intercaladas com fases de euforia —mas não a euforia em um estado agradável.

Os principais sintomas da crise maníaca de um bipolar são:

  • Autoestima elevada e sensação de grandiosidade;
  • Diminuição da necessidade de sono;
  • Necessidade de falar muito mais do que o normal;
  • Falta de concentração;
  • Pensamentos acelerados;
  • Obsessão por atividades específicas.

A importância do tratamento adequado

Após o diagnóstico, quem tem o transtorno bipolar deve usar medicamentos estabilizadores de humor para evitar a mania e diminuir a depressão. Os episódios tendem a ser muito intensos e disruptivos. É comum que essas pessoas, sem tratamento, se exponham mais publicamente e sofram perdas sociais frequentes.

"Recomenda-se que, além dos medicamentos, as pessoas com o transtorno façam um acompanhamento psicoterápico. A família é fundamental nesse processo. E vale reforçar que quem tem algum transtorno mental não deve ser considerado perigoso para a sociedade, mas eles precisam realizar um tratamento adequado", diz Kimati.

*Com informações da reportagem publicada no dia 27/08/2020.

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