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51% das mulheres queriam parto normal, mas só 32% fizeram, aponta pesquisa

32% das mulheres relataram medo de "não ser uma boa mãe"  - iStock
32% das mulheres relataram medo de "não ser uma boa mãe" Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

21/11/2020 15h41

Uma pesquisa feita com mais de 450 mães no Brasil mostra que 51% tinham a intenção de um parto normal, mas apenas 32% relataram que conseguiram efetivamente ter esse tipo de parto. Os dados são da healthtech Theia e foram coletados no mês de outubro.

O Brasil é o segundo com maior índice de cesárea do mundo, cerca de 55%, porém quando depara-se exclusivamente com o sistema privado de saúde do país, esses índices chegam a 86%. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a taxa ideal de cesarianas deveria estar entre 10% a 15% dos casos - dado que, quando realizadas por recomendação de saúde, podem reduzir a mortalidade e morbidade materna e perinatal.

Com o objetivo de mapear as principais dores e aflições da mulher durante e pós-gestação, a pesquisa traçou os principais medos durante esse momento. Entre eles, está a incerteza da saúde do bebê, relatado por 60% das entrevistadas, seguido pelo "receio de perder o filho", apontado por 50% das participantes.

Outros medos é de "não ser uma boa mãe" para 32% e de sentir dor no parto, além de ter dificuldades na amamentação e não conseguir ter parto normal assinalado por 29%. Com relação às principais intercorrências relatadas durante a gravidez estão o parto prematuro, diabetes gestacional e infecção urinária.

Violência obstétrica

Cerca de 87% das mulheres acreditaram que o médico iria respeitar suas escolhas com relação ao tipo de parto, e essa relação de confiança é vista como fundamental. No processo de escolha do médico, 27% relataram dificuldades em encontrar um obstetra no qual confiassem.

Apenas das 10% entrevistadas entendem que sofreram violência obstétrica. No entanto, quando perguntamos se situações específicas que caracterizam a violência obstétrica aconteceram durante o trabalho de parto, 25% assinalaram pelo menos uma das alternativas, mostrando que apesar de muitas mulheres sofrerem violências no parto, 65% não reconhecem como violência obstétrica.

A maior situação apontada foi "não ter recebido o filho (a) no colo para amamentar, logo após o nascimento", relatado por 11%, seguido por "não terem deixado estar com meu bebê após o nascimento, relatado por 8% - com exceção das mães que tiveram os bebês prematuros, no qual as duas situações não são possíveis por questões de saúde. A terceira situação mais relatada foi "Desmereceram minha dor durante o parto", relatada também por 8% das entrevistadas,

84% das mulheres participantes afirmaram ter recebido o apoio familiar e de amigos, e o mesmo percentual de respondentes declara ter recebido o suporte desejado do obstetra.

Período pós-parto

Por fim a pesquisa mostra que os principais desafios revelados no pós-parto e no puerpério são privação do sono (relatada por 62%), dificuldade de amamentação (relatada por 55%), e baby blues (relatado por 23%) - este último caracterizado pela instabilidade emocional decorrente de alterações hormonais logo após o parto - mostrando quão crítica é a necessidade das mães de apoio físico e mental nessa fase.

É um período com sentimentos tão plurais, que em um primeiro momento parecem diametralmente opostos, mas que muitas vezes acontecem ao mesmo. As palavras mais citadas para descrever essa fase são: "felicidade" em primeiro lugar (relatada por 65%), seguido por "realização" (52%), "cansaço" (41%), "insegurança" (35%) e "medo" (32%).

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