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Região cerebral aumenta a emoção negativa e reduz o prazer, diz pesquisa

Matthew Horwood/Getty Images
Imagem: Matthew Horwood/Getty Images

Samantha Cerquetani

Colaboração para VivaBem

26/10/2020 14h46

O cérebro é um órgão bastante complexo e responsável por controlar todo o corpo e até mesmo as emoções. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Cambridge e divulgada na revista científica Nature Communications, a estimulação da atividade de uma parte do cérebro —córtex cingulado anterior subgenual— pode estar relacionada com o aumento da emoção negativa, além da redução do prazer e maior risco de problemas cardiovasculares em pessoas com depressão e ansiedade.

Os pesquisadores identificaram que quando há uma atividade em excesso dessa região cerebral ocorre um aumento da frequência cardíaca. E também há uma elevação dos níveis de cortisol, que é considerado o hormônio do estresse.

Como foi feito o estudo

Para chegar a essa conclusão, os cientistas ativaram esta região cerebral de saguis, uma espécie de macaco que possui um cérebro bastante semelhante aos humanos. Em seguida, exploraram as áreas do cérebro afetadas pelo excesso de atividade do local durante um tipo de ameaça.

Eles descobriram que a ativação excessiva dessa região aumentou a atividade na amígdala e no hipotálamo —duas áreas consideradas importantes para ativar o estresse no cérebro.

Com isso, perceberam que os animais apresentaram aumento dos batimentos cardíacos, elevação dos níveis de cortisol e um exagero na capacidade de resposta diante de uma ameaça.

Isso tudo causou sintomas de depressão e ansiedade relacionados ao estresse. Além disso, reduziu a atividade em partes do córtex pré-frontal lateral, que é uma região importante na regulação das respostas emocionais.

"A atividade excessiva dessa região cerebral promove a resposta de 'lutar ou fugir' do corpo, em vez de uma resposta de 'descansar', ativando o sistema cardiovascular e elevando as respostas às ameaças. Também reduziu a antecipação e a motivação por recompensas, refletindo na perda de capacidade de sentir prazer, comum na depressão", afirmou Laith Alexander, autor do estudo e membro do Departamento de Fisiologia, Desenvolvimento e Neurociências da Universidade de Cambridge.

Por que a descoberta é importante?

A pesquisa tem o objetivo de identificar a base neurobiológica da emoção negativa, que pode ser intensificada em transtornos relacionados ao estresse.

De acordo com os pesquisadores, descobrir como o cérebro funciona pode ser útil para lidar com os sintomas de depressão e ansiedade relacionados à ameaça e à recompensa ao tratamento. E assim, no futuro, essa informação pode contribuir com tratamentos mais eficazes.

"Nossa pesquisa mostra que essa parte do cérebro pode estar no centro da questão quando se trata de sintomas e tratamento de depressão e ansiedade", completa Alexander.

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