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Bolsonaro diz que "povo não será cobaia", mas 33 mil fazem testes da vacina

ADRIANO MACHADO
Imagem: ADRIANO MACHADO

Samantha Cerquetani

Colaboração para VivaBem*

21/10/2020 14h25

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje no Twitter que o "povo brasileiro não será cobaia", ao declarar que não comprará a vacina CoronaVac, antes que ela seja certificada pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

No entanto, atualmente há quatro vacinas sendo testadas em fase 3 no país autorizadas pela Anvisa, ou seja, que abrangem a testagem em voluntários. Por isso, no total há 33.660 brasileiros envolvidos nos estudos clínicos da vacina contra a covid-19, segundo dados oficiais da Anvisa.

Vale destacar que esses números podem mudar sem necessidade de aprovação prévia da Anvisa. Os voluntários precisam ser maiores de 18 anos, exceto da Pfizer-Wyenth, que podem ter acima de 16 anos.

Veja, abaixo, detalhes das vacinas e dos voluntários brasileiros.

Vacina de Oxford

Desenvolvida pela Universidade de Oxford e também pelo laboratório Astrazeneca, o imunizante ChAdOx1 nCoV-19 foi encomendado por Brasília e a vacina deve ser produzida pela Fiocruz em Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro. Os testes estão sendo coordenados pela Crie- Unifesp (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Universidade Federal de São Paulo).

Número de voluntários no Brasil: 10 mil
Regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte

CoronaVac

Na segunda-feira (19) foram divulgados os primeiros resultados dos testes da CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac e Instituto Butantan que contou com 9 mil voluntários no país. De acordo com informações divulgadas pelo Instituto Butantan, 35% dos voluntários apresentaram algum tipo de efeito colateral, mas não foram considerados graves.

Número de voluntários no Brasil: 13.060
Regiões: São Paulo, Paraná, Minas gerais, Rio de janeiro e Rio Grande do Sul e Distrito Federal

Pfizer-Wyenth

O imunizante da Pfizer- Wyenth usa o RNA mensageiro do vírus para uma imunização ativa. No Brasil está sendo desenvolvida pelo Cepic (Centro Paulista de Investigação Clínica).

Número de voluntários no Brasil: 3.100
Regiões: São Paulo e Bahia

Janssen - Cilag

O imunizante da Janssen-Cilag pausou os testes na semana passada após um voluntário apresentar efeitos colaterais. A vacina recebeu o nome de Ad26.COV2.S e também está sendo desenvolvida pelo Cepic (Centro Paulista de Investigação Clínica).

Número de voluntários no Brasil: 7.560
Regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina

Por que Brasil é lugar perfeito para testes

O principal fator que faz o Brasil lugar perfeito para os testes de vacina, de acordo com pesquisadores entrevistados por VivaBem, é a quantidade ainda alta de casos.

"Na fase 3 dos testes, é necessário dividir os voluntários entre quem toma placebo e quem recebe a dose, e então expor essas pessoas à doença. Como aqui o vírus ainda está circulando muito, a condição é ideal para testagem", explica Natália Pasternak, microbiologista e pesquisadora do ICB (Instituto Ciências Biomédicas) da USP (Universidade de São Paulo).

Em contrapartida, um ponto positivo destacado pelos pesquisadores é o fato de o Brasil contar com a tecnologia necessária. "O Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz, no Rio, e o Instituto Butantan, de São Paulo, são instituições robustas com tradição de fabricação, distribuição e campanhas de vacinas", aponta Pasternak.

A parceria, conforme explica a infectologista Raquel Stucchi, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), significa um ganho enorme para a imunização dos brasileiros. "Surge a possibilidade de um acordo de transferência de tecnologia, o que possibilita que, uma vez que os testes comprovem a segurança e a eficácia da vacina, as doses sejam produzidas em território nacional."

Na opinião da médica Melissa Palmieri, especialista em vigilância em saúde pelo Ministério da Saúde, outro aspecto é o comprometimento dos pesquisadores brasileiros. "Embora há anos os investimentos tenham faltado na área da pesquisa clínica, os profissionais brasileiros não deixaram de ter excelência. São pessoas apaixonadas pelo que fazem. Mais pautado pelo amor à ciência do que pelo envolvimento econômico. Isso contribui para que a comunidade científica veja com segurança a implementação dos testes aqui."

*Com informações de reportagem de 20/07/2020.

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