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Câncer de mama: espera de negras para iniciar tratamento é mais longa

Estudo teve como base dados de pacientes que receberam tratamento nos Estados Unidos - Istock
Estudo teve como base dados de pacientes que receberam tratamento nos Estados Unidos Imagem: Istock

Do VivaBem, em São Paulo

21/09/2020 11h50Atualizada em 21/09/2020 16h59

Um estudo publicado recentemente no periódico científico Cancer sugere que, após um diagnóstico de câncer de mama, mulheres negras têm uma espera mais longa para o início do tratamento do que as mulheres brancas, além de maior chance de ter um tratamento com duração prolongada.

A equipe de pesquisadores avaliou se esses dois aspectos do atendimento —tempo para atendimento e duração do tratamento— podem ser fatores contribuintes para um dado já levantado por outras pesquisas mais antigas: as mulheres negras enfrentam um risco maior de morrer por causa da doença, apesar das taxas semelhantes de diagnóstico em mulheres brancas, e essa disparidade é especialmente alta entre as mulheres mais jovens.

Como o estudo foi feito

  • A análise incluiu 2.841 participantes (números aproximadamente iguais de mulheres negras e brancas) com câncer de mama em estágio entre um e três, com dados do Carolina Breast Cancer Study, um estudo populacional de mulheres com câncer de mama invasivo.
  • O tempo médio geral para o início do tratamento foi de 34 dias. Mais mulheres negras experimentaram um atraso no tempo de tratamento (13,4% contra 7,9%) e uma duração prolongada do tratamento (29,9% contra 21,1%) em comparação com as mulheres brancas.
  • Cerca de 32% das mulheres negras jovens estavam em fases de prolongamento de duração do tratamento, em comparação com 22,3% das mulheres brancas mais jovens; da mesma forma, 27,9% das mulheres negras mais velhas tiveram uma duração prolongada do tratamento, em comparação com 19,9% das mulheres brancas mais velhas.
  • Além disso, entre as mulheres com alto nível socioeconômico, 11,7% das mulheres negras tiveram atrasos no início do tratamento, em comparação com 6,7% das mulheres brancas.

Como os autores explicam os resultados

De acordo com Marc Emerson e Melissa Troester, dois dos cientistas envolvidos na análise, mesmo entre as mulheres com baixo nível socioeconômico, ainda é possível notar menos atrasos que entre as mulheres brancas, enfatizando a experiência das mulheres negras, que "parecem enfrentar barreiras únicas'.

"É importante reconhecer que as causas do atraso são complexas e refletem as barreiras individuais e os fatores do nível do sistema", acrescentou Troester.

O estudo identificou uma série de barreiras específicas no grupo mais afetado, incluindo questões financeiras e de transporte.

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