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Vagina fechada: saiba o que provoca a sinéquia dos pequenos lábios

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Imagem: iStock

Alexandre Raith

Colaboração para VivaBem

22/07/2020 04h00

Comum em meninas de 3 meses a 6 anos de idade, a sinéquia consiste na aderência das bordas internas dos pequenos lábios vulvares, podendo obstruir parcial ou completamente o canal vaginal. A fusão labial ocorre entre dois tecidos, devido à barreira formada por uma camada fibrosa.

A doença é causada pela cicatrização inadequada dos tecidos que revestem os pequenos lábios após processos inflamatórios no local. Os motivos estão relacionados, por exemplo, a agentes irritantes provocados pelo uso de fralda.

Esse item imprescindível, seja descartável, reutilizável ou de pano, pode promover dermatite e inflamações devido ao contato constante com urina e fezes. O que explica o pico de incidência da doença: de dois meses a dois anos de idade. A alergia a produtos de higiene também está na lista de causas da sinéquia.

Existe, ainda, a não conclusiva hipótese de a aderência dos pequenos lábios ter relação com a baixa quantidade de estrogênio, que é uma condição normal na menina após os primeiros meses de vida com a queda natural dos hormônios maternos que foram transmitidos na gestação. A falta deles causa secura vaginal e o baixo nível contribui para a cicatrização inadequada diante de uma eventual inflamação.

O processo inflamatório pode gerar dor, alteração do jato da micção e infecção urinária. As consequências vão depender da barreira total ou parcial. Em alguns casos, a obstrução da saída de urina e de secreções vaginais motiva a vulvovaginite (inflamação da vulva e da vagina), que causa dor, coceira e até sangramento.

Quadros mais complexos e menos comuns podem levar a sequelas renais, por efeito de infecções urinárias recorrentes. Porém, não ocasiona sequelas endocrinológicas, como problemas no desenvolvimento puberal, vida sexual futura e fertilidade.

Em circunstâncias extremas, como no caso de meninas que nunca realizaram uma consulta de rotina com um pediatra, quando chega na adolescência, o sangramento da menstruação é retido, e gera muita dor. No entanto, os casos assintomáticos de sinéquia dos pequenos lábios não costumam apresentar complicações.

Atenção, pais!

A má higiene local contribui para o aparecimento da doença. A sujeira propicia o ambiente inflamatório e, por consequência, a cicatrização de pequenas lesões pode levar a sinéquia vulvar.

Cocô de bebê, fralda - iStock - iStock
Imagem: iStock

Por isso, é fundamental que os pais façam, ensinem e supervisionem a higiene. O procedimento é simples. Basta abrir a vagina, limpar com sabão neutro e hidratar. Fiquem tranquilos, pois não se trata da região himenal.

Nas crianças que usam fralda, recomenda-se um creme de barreira para evitar assadura, pois a região genital fica fechada, abafada e úmida, facilitando o desenvolvimento de bactérias. O asseio íntimo também é o momento de os pais observarem se há uma vermelhidão nos pequenos lábios.

Outra dica é reparar se a calcinha da menina costuma estar molhada após a micção. Se sim, indica a retenção da urina na sinéquia. A eliminação gradual mantém a umidade na região vaginal e funciona como fator irritante contínuo.

Para evitar inflamações no local, basta os pais seguirem algumas recomendações preventivas:

  • Manter o asseio da região genital
  • Trocar frequentemente a fralda
  • Impedir o atrito e o contato permanente com urina e fezes
  • Higienizar adequadamente as calcinhas
  • Preferir o uso de calcinha de algodão macio, que proporciona ventilação
  • Usar sabonete não irritante e produtos que não provocam alergia local
  • Evitar cremes não apropriados para criança
  • Levar a criança periodicamente a consultas pediátricas

Medicamento ou cirurgia?

A sinéquia geralmente é assintomática e facilmente diagnosticada no exame físico de rotina da região genital feminina. O pediatra identifica a aderência dos pequenos lábios a olho nu.

Em caso positivo, geralmente, a melhora da higiene local é suficiente para resolver o problema. Dependendo da intensidade e recorrência da inflamação, o uso de pomadas de estrogênios facilita a separação dos lábios. Outra opção é o creme de corticoide. Seja durante a limpeza ou a passagem do medicamento, é necessário fazer um exercício de abertura do introito vaginal.

Nos casos em que a paciente não responde ao tratamento medicamentoso ou em que a membrana fibrosa é muito espessa, o pediatra pode indicar a cirurgia de descolamento sob anestesia local ou geral.

Os cuidados no pós-operatório englobam a higienização da vulva no banho, com exercícios de afastamento dos pequenos lábios, e a aplicação de pomada anti-inflamatória. Para a cicatrização, são indicados cremes antibióticos ou vaselina.

Literatura médica

Um estudo publicado no PubMed (base de dados de literatura médica) mostra que as recorrências são menos comuns após a separação manual, quando comparado ao tratamento tópico com estrogênio. Os pesquisadores chegaram a esta conclusão após analisar, por 84 meses, 71 meninas, de 0 a 12 anos, que sofriam de aderências labiais.

Já uma pesquisa, que analisou diversos artigos científicos publicados em bancos de dados médicos entre 1999 e 2016, constatou que o tratamento com cremes de estrogênios teve uma taxa de sucesso de 50% a 90%, com recorrência de 30%. Enquanto as pomadas com corticoides apresentaram de 68% a 80% de êxito, com 23% de casos recorrentes. Já o resultado da intervenção cirúrgica foi 100% positivo, e reincidência de 10%.

Fontes: Fernanda Ghilardi Leão, cirurgiã pediátrica do Sabará Hospital Infantil (SP); Regis Assad, membro do departamento científico de pediatria ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria); Suzana Mendes Uvo, ginecologista do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (SP) e Talita Rizzini, pediatra e coordenadora do pronto-socorro infantil e unidade de internação do Grupo Leforte (SP).

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