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Brasil não vai depender de disputa mundial por vacinas, diz João Gabbardo

Segundo coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em SP, testes da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan com o laboratório Sinovac terão acompanhamento por um longo período - ROGÉRIO GALASSE/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Segundo coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em SP, testes da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan com o laboratório Sinovac terão acompanhamento por um longo período Imagem: ROGÉRIO GALASSE/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do VivaBem, em São Paulo

20/07/2020 19h41

O fato de duas vacinas contra o novo coronavírus estarem sendo testadas no Brasil faz com que o país não dependa de uma disputa internacional para, quando puder, imunizar a população. A opinião é de João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, em entrevista hoje à Globonews.

Em São Paulo, o Instituto Butantan coordena a pesquisa de uma vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech. Ao mesmo tempo, a Fiocruz participa de um projeto que envolve a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca — que, segundo ele, vem desenvolvendo sua vacina com uma metodologia nova, diferente da que é utilizada no Instituto Butantan.

"Achamos que é possível que possamos concluir essa fase 3 (de testes) em um tempo menor que a vacina de Oxford, porque ela usa uma tecnologia que, no Brasil, nós não temos experiência — nem o Butantan, nem a Fiocruz, responsável por essa parceria", explicou.

"De qualquer maneira, é importante que as duas possam estar o mais rápido possível à disposição da população. O Brasil não vai depender dessa disputa mundial pelas vacinas, porque vamos estar produzindo duas alternativas diferentes. A gente tem que parar de contar óbitos, números de casos, e começar a acompanhar a cobertura da vacina", acrescentou

A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan começará a ser testada a partir de amanhã. Segundo Gabbardo, os grupos de voluntários serão acompanhados por um longo tempo — não apenas para atestar a eficácia, como também para apontar por quanto tempo as pessoas ficam imunes à covid-19.

"Nós vamos ter dois grupos de pessoas que serão testadas. Um grupo vai receber a própria vacina, e o outro grupo, sem saber, vai receber só o placebo. Os dois grupos são analisados para entendermos qual é a diferença do comportamento da virose, para ver se essa proteção vai ocorrer", descreveu o médico.

"Essas pessoas serão acompanhadas por mais de um ano, para termos essa ideia de por quanto tempo essa imunidade estará ativa. A vacina da influenza, todos os anos a gente tem que refazer a vacina, há mutações nos vírus. Tudo isso tem que ser analisado", exemplificou.

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