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Queda da poluição na pandemia reduz mortalidade por doenças

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Imagem: BeyondImages/Istock

Nicola Ferreira

Da Agência Einstein

07/07/2020 14h59

A redução das atividades imposta pela pandemia de coronavírus apresenta impacto positivo sobre a poluição. Segundo o estudo feito pelo CREA (Centro de Pesquisa sobre Energia e Limpeza do Ar) - instituição independente cujo foco é analisar as relações entre a saúde e a poluição -, cerca de 11 mil mortes já foram evitadas na Europa devido à queda na concentração de poluentes na atmosfera.

O que registrou a maior diminuição foi o dióxido de nitrogênio (NO2), composto emitido pela combustão dos motores à explosão. Os níveis caíram 40% em comparação aos do ano passado. Já a concentração de PM 2.5 (material particulado emitido pelos veículos e facilmente inalável) reduziu 10%.

Os compostos fragilizam o sistema cardiorrespiratório e normalmente são responsáveis pela morte de aproximadamente sete milhões de pessoas todo ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os países que registraram maiores índices de redução de mortes associadas à poluição foram a Alemanha (2.083), Reino Unido (1.752), Itália (1.490), França (1.230) e Espanha (1.083).

Além do estudo do CREA, pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, constataram que as medidas de isolamento salvaram a vida de 50 a 77 mil chineses. A investigação, que contou com dados fornecidos pela NASA, a agência espacial americana, observou que o número de PM 2.5 caiu 10 microgramas por metro cúbico em quatro cidades do país, impacto relevante para as condições do ar dessas localidades.

De acordo com o Ministro de Ecologia e Ambiente da China, a média de dias com boa qualidade do ar na província de Hubei - epicentro da pandemia - aumentou em 21,5% no mês de fevereiro em comparação ao mesmo mês no ano passado.

Os cientistas de Stanford notaram que a redução afetará positivamente principalmente crianças abaixo dos cincos anos e idosos a partir dos 70. A pesquisa afirma que, nas crianças, a mortalidade cai 2,9% para cada um micrograma por metro cúbico e, nos idosos, 1,4%.

No céu brasileiro

No Brasil, centros de meteorologia indicam quedas relevantes no número de poluentes atmosféricos. Em São Paulo, principal polo industrial do País, as taxas de monóxido de carbono são as menores para a época do ano, enquanto na região metropolitana do Rio de Janeiro foram observadas quedas de 77% e 45% do dióxido de nitrogênio nos Distritos Industriais de Santa Cruz e Duque de Caxias respectivamente. Ao todo, o estado fluminense teve redução de 30% da poluição do NO2, segundo o CREA.


A poluição pós-quarentena

A retomada das atividades levará ao aumento de poluentes. Porém, espera-se que o período de isolamento sirva como aprendizado também na adoção de hábitos que contribuam para a produção de menos poluentes.

"Tomemos como exemplo a cidade de São Paulo", lembra o patologista Paulo Saldiva, professor da Universidade de São Paulo. "Quando houve um acidente em uma das principais pontes da capital, muitos que usavam o caminho passaram a ir ao trabalho ou à escola de bicicleta. Hoje, mesmo com a reconstrução da ponte, grande parte das pessoas continua deixando o carro em casa", diz.

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