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Coronavírus: redes sociais e ver sua casa como proteção amenizam solidão

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Imagem: iStock

Cristiane Bomfim

Da Agência Einstein

31/03/2020 10h06

A tecnologia que prende as pessoas nas telas e as redes sociais que tantas vezes foram criticadas por reduzirem o convívio social podem ser a melhor saída para manter pessoas conectadas apesar do distanciamento físico, necessário para evitar a rápida propagação do coronavírus.

É o que defende o psicólogo Jamil Zaki, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. "Por meio delas, permanecemos socialmente próximos mesmo estando fisicamente separados", explica o psicólogo, diretor do Laboratório de Neurociências Sociais de Stanford.

Embora quarentena e isolamento sejam as expressões do momento —"fiquem em casa", pedem médicos e autoridades de saúde, "respeitem o isolamento social", reforçam os meios de comunicação—, as queixas mais comuns nestes dias de separação física são a saudade do abraço, da convivência, dos programas compartilhados, o tédio e a solidão.

Recursos como FaceTime, chamadas por vídeo do WhatsApp, teleconferências informais e até simples ligações telefônicas são opções para amenizar as consequências do isolamento. "Devemos usar estas ferramentas para interações menos formais, para conversarmos, brincarmos. Estes momentos são vitais para um senso de conexão", diz Zaki.

Além da solidão e do tédio, pessoas em quarentena têm mais chances de apresentarem exaustão, desapego de outras pessoas, ansiedade, irritabilidade, insônia, indecisão e falta de concentração. É o que mostrou um estudo publicado no dia 26 de fevereiro na revista científica The Lancet.

O trabalho é uma revisão de outras 24 pesquisas realizadas em dez países com indivíduos que passaram por quarentena durante as epidemias da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), ebola, H1N1 e Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).

"Este estudo valida as consequências da quarentena. Mas cada indivíduo reage a ela de uma forma. Pessoas com condições psíquicas mais frágeis estão mais sujeitas a se desorganizarem emocionalmente neste período de quarentena", explica a psicóloga Christiane Hegedus Karam, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Também são mais suscetíveis pessoas de baixa renda, que nem sempre têm possibilidade de uma quarentena confortável do ponto de vista econômico e social. "É uma situação que gera estresse. Há preocupação com o desemprego, a falta de renda, com a permanência de muitas pessoas no mesmo ambiente e a tecnologia pode ajudar neste cenário no compartilhamento de sentimentos por meio das conversas", continua.

A especialista lembra que há outras formas de reduzir os impactos deste distanciamento da atividade profissional, dos amigos, da rotina. Uma delas é estabelecer metas curtas.

"Não sabemos quando tudo voltará ao normal. O que sabemos é que agora temos de ficar em casa. Então, é importante ocupar o dia com tarefas que possam ser realizadas, contribuindo para experiências de conquistas", conta.

Cuidados com alimentação, o sono, a prática de atividades de descompressão —como meditação ou qualquer outra que relaxe— reduzem o estresse e a ansiedade.

"Também é importante ressignificar a casa. Se pensarmos nela como um lugar de proteção, o ponto de referência pessoal, de aconchego e não como um ligar que aprisiona, talvez fique mais fácil passar por estes dias", diz a psicóloga do Einstein.

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