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Chá de alho cura gripe e resfriado?

Renata Turbiani

Colaboração para o VivaBem

29/01/2020 04h00

Quase todo mundo tem uma receita caseira infalível para tratar gripes e resfriados. Uma das mais tradicionais é o —nada gostoso— chá de alho, preparado apenas com água ou então incrementado com limão, gengibre, mel, cravo e guaco... Mas será que ele realmente tem efeito curativo?

A resposta é não. O fato é que o alimento, seja na infusão ou na comida, não é capaz de combater os vírus causadores das duas doenças. O máximo que o preparado quente feito com ele pode proporcionar, durante quadros de gripe ou resfriado, é a amenização dos sintomas e conforto ao paciente.

Só que mesmo não tendo resultados terapêuticos, vale destacar que o alho tem uma importante função preventiva, graças à presença da alicina, componente com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias. Assim, quem o consome regularmente —a indicação é de um a dois dentes por dia, de preferência crus—, têm menos chance de contrair infecções, sobretudo virais, e melhor resposta do sistema imune.

É gripe ou resfriado?

Tanto a gripe quanto o resfriado são doenças infecciosas. A diferença entre elas é o tipo de vírus causador. No caso da gripe, é o influenza (A, B e C), e ele provoca quadros mais graves, especialmente em crianças, gestantes, idosos e pessoas imunodeprimidas e com patologias crônicas, como diabetes e pressão alta.

Clinicamente, a enfermidade inicia-se com febre, em geral acima de 38°C e duração em torno de três dias, seguida de dor muscular e de garganta, prostração, cefaleia e tosse seca. Os sintomas costumam persistir por mais de uma semana e há o risco de complicações —a pneumonia é a mais frequente. Seu tratamento se dá com o uso do antiviral oseltamivir, além de repouso, boa alimentação e hidratação.

Quando se trata do resfriado, existem mais de 200 tipos de vírus que podem desencadeá-lo, sendo que os mais comuns pertencem à família do rinovírus. Com sinais (tosse, congestão, coriza, dor no corpo e dor leve de garganta) mais brandos e limitados que os da gripe, quase sempre desaparecendo em poucos dias, a doença não tem um medicamento exclusivo; o que se usa são analgésicos, antitérmicos, descongestionantes e xaropes.

Atenção com a prevenção

A principal medida de prevenção contra o vírus influenza é a vacina. Mas atenção, ela não faz parte da rotina do Calendário Nacional de Saúde, o que significa que é uma vacina de campanha e fica disponível somente em um período específico do ano.

Os grupos aptos a recebê-la gratuitamente na rede pública são crianças de seis meses a menores de seis anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, mulheres no período até 45 dias após o parto, trabalhadores da área da saúde, professores, povos indígenas, pessoas com 60 anos ou mais de idade, população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional e portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais. Os demais podem se imunizar em clínicas particulares.

Além disso, a adoção de algumas medidas simples ajuda a impedir o contágio da gripe e do resfriado. Por exemplo: manter uma boa hidratação e ter dieta saudável (não se esqueça do alho!), lavar bem e com frequência as mãos, cobrir a boca e o nariz quando for tossir ou espirrar, deixar os ambientes ventilados, utilizar lenço descartável para higiene nasal, não compartilhar objetos de uso pessoal e evitar ficar em locais fechados onde há pessoas resfriadas ou gripadas e nos com grandes aglomerações.

Fontes: Maria Inês Bueno de André Valery, pneumologista da DaVita Serviços Médicos e parte do corpo clínico do IAMSPE (Hospital do Servidor Público Estadual) de São Paulo; Marcella Garcez, nutróloga diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRM-PR (Conselho Regional de Medicina do Paraná) e coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná; e Mauro Gomes, pneumologista membro da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia).