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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Oseltamivir, usado para influenza, tem tempo certo de uso para ser eficaz

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

18/01/2022 04h00

Resumo da notícia

  • Oseltamivir é um remédio indicado para o tratamento de influenza (gripe) A e B
  • É tido como pró-fármaco: primeiro é ativado pelo organismo para, depois, exercer seu efeito
  • Ele pode levar à resistência viral, e só deve ser usado sob a orientação médica ou farmacêutica
  • Os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, vômitos e dor abdominal

Conhecido desde o final da década de 1990, o oseltamivir é uma medicamento indicado no tratamento da influenza A ou B.

O que é oseltamivir?

É um fármaco classificado como antiviral inibidor de neuraminidase e é utilizado no tratamento e prevenção da influenza (gripe) A ou B.

Dadas as características desse medicamento, ele só deve ser utilizado sob prescrição médica.

Em quais situações esse medicamento deve ser usado?

Este fármaco é usado há mais de 20 anos e seus efeitos são bastante conhecidos. Contudo, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e pelo tempo estipulado pelo seu médico.

Como se trata de um medicamento antiviral, ele é considerado um aliado da vacina da gripe para o controle dessa enfermidade, também chamada de influenza. Assim, a medicação pode ser indicada nas seguintes situações:

  • Tratamento de quadros agudos de influenza A ou B, sem complicações
  • Prevenção da influenza em até 48 horas após o contato com pessoas infectadas

O oseltamivir também pode ser indicado o mais rápido possível para tratar pessoas com diagnóstico confirmado ou suspeita de influenza que estejam hospitalizados, tenham doenças graves ou progressivas ou integrem grupos com alto risco para complicações dessa doença. Veja alguns exemplos:

  • Crianças menores de 2 anos
  • Idosos com idade superior a 65 anos
  • Pessoas com enfermidades crônicas (pulmonares, cardiovasculares, renais, hepáticas, metabólicas, AVC, epilepsia, imunodeprimidos etc.)
  • Gestantes

De acordo com a farmacêutica Amouni Mourad, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e assessora técnica do CRF-SP, a medicação também tem sido objeto de estudo para avaliação de seus efeitos na proteção contra o Sars-Cov-2, o vírus da covid.

"No entanto, até o momento, não foi comprovado em laboratório (in vitro) que o oseltamivir tenha esse efeito. Portanto, ainda não existe indicação do oseltamivir para covid, pois a sua ação comprovada é para influenza", adverte Mourad.

Entenda como ele funciona

Ao ser administrado pela via oral, o oseltamivir é absorvido pelo trato gastrointestinal. A particularidade do medicamento é que ele é um pró-fármaco, isto é, o remédio é inativo e precisa da ação do organismo para funcionar.

Tal ativação se dá, principalmente, por meio de enzimas do fígado que o transforma em carboxilato de oseltamivir, um potente e eficaz redutor da proliferação dos dois vírus (A e B). Essa ação impede tanto a proliferação deles como o avanço das infecções. A explicação é do farmacêutico e farmacologista Marcelo Polacow, presidente do CRF-SP.

Após realizar sua ação, o oseltamivir é excretado, majoritariamente, pelos rins.

Conheça as apresentações disponíveis

Tamiflu® é a marca de referência do oseltamivir, mas você pode encontrar as versões genéricas desse medicamento. Ele consta da Rename 2020 (Relação Nacional dos Medicamentos Essenciais) e, assim, pode ser obtido por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) mediante a apresentação da receita médica.

Confira algumas das apresentações e doses disponíveis:

  • Cápsulas - 30 mg; 45 mg ou 75 mg

Quais são os riscos da automedicação?

O uso indiscriminado do oseltamivir, sem a correta indicação e fora do período no qual ele apresenta melhores resultados pode levar à resistência viral. Isso significa que, quando, eventualmente, ele for necessário de verdade, pode não ter a ação esperada.

A recomendação da infectologista Ruth Maria Oliveira de Araújo, é que "diante de um surto de gripe ou a manifestação de sintomas é melhor procurar um médico para que ele possa avaliar a possibilidade/necessidade do uso do oseltamivir, que deve ter indicação no tempo certo após o conhecimento ou suspeita da infecção, e ainda beneficiar pacientes que, de fato, integrem os grupos de risco".

Quais são as vantagens e desvantagens desse medicamento?

Na opinião dos especialistas consultados, a maior vantagem do oseltamivir é o seu efeito de reduzir o risco da gripe [causada por influenza A ou B] e suas complicações entre pessoas mais suscetíveis a quadros graves.

Por outro lado, foram destacados como desvantagens, o momento certo de uso para obter seus benefícios (em até 48 horas) e a dificuldade de acesso ao medicamento. Nas estações do ano em que ocorrem surtos de gripe, o oseltamivir é objeto de uma corrida às farmácias, o que faz que ele, por vezes, esteja indisponível, principalmente para quem mais dele precisa.

A explicação para isso seria a desinformação sobre a correta indicação do fármaco, já que a melhor forma de prevenção da gripe é a vacina.

Saiba quais são as contraindicações

O fármaco não pode ser usado por pessoas que sejam alérgicas (ou tenham conhecimento de que alguém da família tenha tido reação semelhante) ao seu princípio ativo ou a qualquer outro componente de sua fórmula.

Fique também atento na presença das seguintes condições:

  • Intolerância à frutose (para algumas apresentações)
  • Resistência ao oseltamivir
  • Gestação e amamentação
  • Doenças ou condições que reduzem as defesas do organismo (HIV, Aids)
  • Enfermidades do coração, rins ou pulmões
  • Idade inferior a 12 meses

Idosos podem usá-lo?

Sim. Extremos de idade (bebês e idosos) são considerados fatores de risco para a evolução da influenza para quadros graves. Porém, a recomendação dos especialistas é que o medicamento somente seja utilizado sob prescrição e acompanhamento médicos.

O profissional da saúde deve ser informado sobre o uso contínuo de diversos fármacos (polifarmácia), muito comum nessa fase da vida, para que ele possa avaliar e prevenir eventual interação medicamentosa.

Estou grávida e pretendo amamentar. Há algum risco?

A melhor forma de se proteger contra a influenza é a vacina, que é recomendada para gestantes, mas também protege o bebê nos primeiros meses de vida. A literatura médica revela que a medida é capaz de reduzir em 40% o risco de internação nesse quadro.

Quanto aos antivirais, o fabricante do oseltamivir adverte que grávidas e lactantes só devem fazer uso do medicamento sob orientação e acompanhamento médicos, porque cabe aos profissionais da saúde avaliar a relação de risco/benefício da indicação do fármaco.

Apesar disso, o CDC, órgão norte-americano de vigilância sanitária, recomenda que, entre os antivirais, os médicos devem dar preferência ao oseltamivir para o tratamento de gestantes e mulheres no período do pós-parto. Isso porque as evidências científicas disponíveis sugerem que ele é seguro e benéfico quando indicado pelos médicos no tempo certo.

Como devo tomar a oseltomivir?

O tempo de tratamento e o esquema de doses desse medicamento são específicos e você deve seguir as instruções do seu médico, evitando aumentar por conta própria as doses prescritas, bem como o período da terapia.

Lembre-se: este antiviral pode levar à resistência. Caso tenha alguma dúvida, volte a falar com o médico ou farmacêutico para esclarecê-la.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Caso isso aconteça, tome imediatamente após lembrar. Se faltar menos de 2 horas para a dose seguinte, espere e tome na hora certa e recomece o plano de tratamento. Caso você esqueça várias vezes, fale com o médico para que ele o oriente sobre a melhor forma de agir. Evite dobrar a dose para compensar seu esquecimento.

Para evitar essas falhas, você pode programar o alarme do seu celular para lembrá-lo da hora do remédio.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Este medicamento é considerado bem tolerado, seguro e eficaz quando usado em doses adequadas. Apesar disso, os efeitos colaterais mais comuns são:

Embora seja mais raro, poderão ser observadas algumas das seguintes manifestações:

Interações medicamentosas

Algumas medicações não combinam com o oseltamivir. E quando isso acontece, elas podem alterar ou reduzir seu efeito. Avise o médico, o farmacêutico ou o dentista, caso esteja fazendo uso (ou tenha feito uso recentemente) das substâncias abaixo descritas, que são apenas alguns exemplos dessas possíveis interações. Confira:

  • Antiagregantes plaquetários (clopidogrel)
  • Medicamentos para hepatite B (entecavir)
  • Antimetabólitos (metotrexato)
  • Quimioterápicos (pemetrexedo)
  • Anticoagulantes (varfarina)
  • Antagonistas da purina (azatioprina)
  • Imunossupressores (ciclosporina)
  • Esteroides orais (dexametasona, prednisona)

Embora não existam dados na literatura médica sobre interação com suplementos ou fitoterápicos, caso faça uso de algum deles, informe ao médico ou ao farmacêutico antes de iniciar o tratamento com a oseltamivir.

Interação com alimentos e álcool

Não são conhecidas interações com alimentos, e o oseltamivir pode ser utilizado junto ou fora das refeições. No entanto, os especialistas sugerem que você evite o consumo de álcool durante o tratamento com esse fármaco.

A razão para isso é que ele poderia reduzir as defesas naturais do seu organismo, dando maior oportunidade para o aparecimento de efeitos colaterais.

Interação com exames laboratoriais

O fabricante adverte que já foram observadas alterações em enzimas hepáticas durante o tratamento com o oseltamivir. Informe ao médico ou ao pessoal do laboratório sobre o uso desse medicamento, caso deva se submeter a algum exame do fígado.

Flavio da Silva Emery, professor associado da USP, fala que alguns antigripais podem ter substâncias vetadas a esportistas, mas o oseltamivir, até agora, não mostrou ter esse efeito. Se você é esportista, comunique o médico ou o laboratório o tratamento com essa medicação.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Observe a validade do medicamento indicado no cartucho. Lembre-se: após a abertura, alguns fármacos têm tempo de validade menor, o que também é influenciado pela forma como você o armazena;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta;
  • Em caso de cápsulas, não as abra para colocar o conteúdo em água, alimentos ou mesmo para descartar. Sempre use a cápsula íntegra;
  • No caso de suspensões orais, agite bem o frasco antes de usar. E sempre limpe o copo dosador antes e após o uso. E armazene junto ao frasco do medicamento, para evitar misturar com outros medicamentos;
  • Prefira comprar remédios nas doses justas para o uso indicado para evitar sobras;
  • Respeite o limite da dosagem diária indicada na bula;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos. A ideia é dificultar o acesso às crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) e assessora técnica do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo); Flavio da Silva Emery, professor associado da FCFRP-USP (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), atual coordenador do programa de pós-graduação em ciências farmacêuticas e membro da comissão de divulgação científica da mesma instituição e do subcomitê de Drug Discovery and Development da Iupac (sigla em inglês para União Internacional de Química Pura e Aplicada); Marcelo Polacow, farmacêutico, mestre e doutor em farmacologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e presidente do CRF-SP; Ruth Maria Oliveira de Araújo, infectologista do HUWC-UFC (Hospital Universitário Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará), que integra a Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e do HSJ (Hospital São José de Doenças Infecciosas). Revisão técnica: Amouni Mourad e Flávio da Silva Emery.

Referências: Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Mark G Thompson, Jeffrey C Kwong, Annette K Regan, Mark A Katz, Steven J Drews, Eduardo Azziz-Baumgartner, Nicola P Klein, Hannah Chung, Paul V Effler, Becca S Feldman, Kimberley Simmonds, Brandy E Wyant, Fatimah S Dawood, Michael L Jackson, Deshayne B Fell, Avram Levy, Noam Barda, Lawrence W Svenson, Rebecca V Fink, Sarah W Ball, Allison Naleway, Influenza Vaccine Effectiveness in Preventing Influenza-associated Hospitalizations During Pregnancy: A Multi-country Retrospective Test Negative Design Study, 2010-2016, Clinical Infectious Diseases, Volume 68, Issue 9, 1 May 2019, Pages 1444-1453, https://doi.org/10.1093/cid/ciy737; Sur M, Lopez MJ, Baker MB. Oseltamivir. [Atualizado em 2021 Oct 2]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK539909/.

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