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Estudo desvenda a química cerebral por trás da motivação

Cientistas buscam entender melhor o mecanismo cerebral por trás da motivação - iStock
Cientistas buscam entender melhor o mecanismo cerebral por trás da motivação Imagem: iStock

Danielle Sanches

do UOL VivaBem, em São Paulo

29/09/2019 13h18

Resumo da notícia

  • Cientistas usaram moscas Drosophila para descobrir o circuito neural envolvido no mecanismo da motivação
  • Eles usaram como estímulo a fome e o odor de comida; descobriram que as moscas famintas estavam mais dispostas a ir atrás de alimento
  • Eles ainda descobriram dois neurotransmissores envolvidos no circuito, a dopamina e a octopamina, semelhantes aos encontrados em cérebros de mamiferos
  • A descoberta por ajudar a entender como esse circuito age quando está fora de controle, no caso de vício em drogas, por exemplo

O sucesso, dizem, não acontece por acidente. Para atingir uma meta, é preciso perseverar. Mas de onde vem a motivação para continuar seguindo em frente?

Essa foi a pergunta que motivou um time de cientistas da Technical University of Munich, na Alemanha, a trabalhar para identificar um circuito neural do cérebro de moscas de frutas (do gênero Drosophila) que faz com que elas melhorem suas performances ao máximo quando estão famintas e à procura de comida.

Os testes em laboratório revelaram que, quanto mais famintas, mais elas se esforçavam para continuar buscando alimento. No entanto, os indivíduos que já haviam se alimentado desistiam facilmente da tarefa.

A partir dessa premissa, os cientistas, que contaram com ajuda de especialistas dos EUA e da Grã-Bretanha nos experimentos, conseguiram identificar os neurotransmissores e a área do cérebro desses animais que controla esse tipo de perseverança.

A descoberta, de acordo com os autores do estudo, publicado no periódico Cell, mostra que mesmo organismos simples apresentam resistência e perseverança quando há um motivo suficientemente bom para isso (no caso, a fome). Até agora, essas qualidades eram pensadas existir apenas para seres humanos e outros organismos mais complexos.

Por que Drosophilas?

Os autores do estudo argumentam que o cérebro dessas moscas tem milhões de vezes menos células nervosas que o cérebro humano, tornando mais fácil descobrir a função individual de neurônios analisados. Além disso, as informações coletadas servem de parâmetro para analisar a base de funcionamento de cérebros mais complexos.

Como o estudo foi feito?

  • Os cientistas já sabiam que o odor de vinagre ou de frutas estimula as moscas correr mais rápido;
  • Eles prenderam os animais em um ponto fixo e colocaram uma bola giratória para medir o esforço que elas estavam colocando na tarefa de encontrar comida;
  • Para identificar o circuito neural responsável por essa resposta, o time criou um modelo matemático para analisar a interação entre estímulo interno e externo (como a fome e o odor do vinagre);
  • Depois, os neurocientistas utilizaram microscopia eletrônica, imagens in vivo e experimentos comportamentais para analisar o cérebro das moscas;
  • Eles então descobriram que o circuito neural em questão estava localizado no centro de memória e aprendizado das moscas;
  • O circuito é controlado por dois neurotransmissores, a dopamina e a octopamina; esta última é semelhante à noradrenalina humana, segundo os cientistas;
  • Nas moscas, a dopamina aumenta as atividades do circuito e, portanto, aumenta a motivação. Já a octopamina reduz a vontade de realizar qualquer esforço.

Por que isso é importante?

De acordo com os neurocientistas envolvidos na pesquisa, o circuito neural e os neurotransmissores identificados nas moscas também existem de forma similar no cérebro de mamíferos.

Por isso, a longo prazo, eles esperam que essa descoberta ajude a entender melhor a interação dos neurônios e neurotransmissores no cérebro humano em situações de vício, como abuso de drogas e álcool - quando esse sistema fica fora de controle.

Motivação intrínseca x extrínseca

De acordo com Paola Machado*, colunista de VivaBem, existem dois tipos de motivação: a intrínseca, quando fazemos algo porque é legal e não esperamos nenhum retorno nem nos sentimos pressionados a fazê-lo; e a extrínseca, quando realizamos alguma coisa em busca de recompensa (como dinheiro, ou elogios) ou tentando evitar uma punição.

Para ela, investir na motivação intrínseca é a mais confiável, já que em muitas coisas que fazemos, especialmente hábitos saudáveis, dificilmente receberemos recompensas externas. Ninguém espera ganhar dinheiro por ter comido uma salada, certo?

Confira abaixo alguns dos fatores que podem ajudar você a praticar a motivação intrínseca:

  • Procure a diversão no trabalho e em outras atividades ou encontre maneiras de tornar as tarefas interessantes para você;
  • Encontre significado concentrando-se em seu valor, no propósito de uma tarefa e em como ela ajuda os outros;
  • Continue desafiando-se e definindo metas atingíveis que se concentram em dominar uma habilidade, não em ganhos externos.
  • Ajude alguém em necessidade;
  • Crie uma lista de coisas que você realmente ama fazer ou sempre quis fazer e escolha algo na lista para fazer sempre que tiver tempo ou se sentir sem inspiração;
  • Participe de uma competição e concentre-se na camaradagem e em como você se sai bem em vez de vencer;
  • Antes de iniciar uma tarefa, visualize uma vez que você se sentiu orgulhoso e realizado e concentre-se nesses sentimentos enquanto trabalha para conquistar a tarefa.
* Informações retiradas de matéria publicada em 18/07/2019.

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