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Detergente não mata bactérias: preciso desinfetar os utensílios de cozinha?

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Imagem: iStock

Amanda Cruz

Colaboração para o VivaBem

18/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • As bactérias estão por todos os lados e é impossível e desnecessário manter utensílios esterilizados
  • O mais importante é ter cuidado com contaminação cruzada, ao usar a mesma tábua e facas para cortar carnes cruas e, logo em seguida, cortar verduras
  • Lavar bem os utensílios entre cada corte ajuda, além de ficar de olho nos materiais que você usa: a madeira é um dos materiais mais perigosos

A cozinha, apesar de ser o local onde grande parte das refeições é preparada, pode também ser um ambiente bastante propício para a proliferação bactérias. Nesse sentido, os utensílios que você usa frequentemente são um dos principais alvos desses microrganismos, afinal, eles deitam e rolam em espaços minúsculos que contenham restos de matéria orgânica, ou seja, comida. Pensando nisso, veja abaixo como deixar sua cozinha e seus utensílios mais protegidos e desinfetados.

Detergente não mata as bactérias, mas ajuda a retirá-las

Quando pensamos em higiene dos produtos de limpeza, acreditamos que o detergente é capaz de matar as bactérias presentes neles. No entanto, sua função na verdade é removê-las: ele pode até acabar danificando a membrana de algumas delas ou as cápsulas de alguns vírus, mas essencialmente, sua limpeza é física.

O detergente é usado para facilitar a remoção dos microrganismos, não tem ação bactericida Cynthia Jurkiewicz Kunigk, engenheira química professora do curso de Engenharia de Alimentos do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia)

Contudo, não é hora de se desesperar! O infectologista Max Igor Banks Ferreira Lopes, do Hospital Santa Catarina, reforça que apesar ser possível que bactérias ainda fiquem nos utensílios de cozinha, em geral elas não são nocivas a ponto de causarem problemas para nossa saúde. Isso é ainda mais raro quando consumimos os alimentos cozidos, uma vez que o calor acaba matando ou reduzindo a quantidade de microrganismos.

Preciso sair desinfetando tudo?

Não é preciso esterilizar tudo o que vê pela frente. Em relação aos utensílios, o detergente é razoável para limpar e remover resíduos orgânicos e restos de comida, que são os que mais oferecem risco de contaminação na cozinha. Entretanto, se você quiser fazer uma limpeza mais profunda, vale usar hipoclorito de sódio (a famosa água sanitária) na desinfecção. Esse cuidado é mais indicado quando as tábuas ou outros utensílios começam a ficar riscados, já que esse é um espaço propício para acúmulo de sujeira (um bom alimento para as bactérias) e a esponja não os alcança.

Kunigk ensina misturar uma colher de sopa de hipoclorito de sódio em um litro de água e usar essa solução para limpar os utensílios. Aplique na superfície desses itens, aguarde 15 minutos e depois lave todos com água e detergente para finalizar. "Em talheres e panelas não existe a necessidade de colocar hipoclorito, pois são itens fáceis de higienizar", ela indica.

Ela também reforça que nenhum utensílio que usamos na cozinha é estéril e que não precisamos que eles sejam. "Precisamos que os microrganismos patogênicos, que podem causar doenças, não entrem em contato com os alimentos", reitera ela e, para isso, manter uma boa organização e cuidado na hora do preparo dos alimentos já pode reduzir e muito o risco de contaminação.

Como evitar a contaminação dos alimentos

- Lave bem as mãos: o nutrólogo Roberto Navarro destaca que a maior parte da contaminação dos alimentos chega pelas nossas próprias mãos. Sim, ao prepararmos os alimentos sem higienizar bem as mãos, podemos depositar bactérias nos alimentos que iremos consumir posteriormente. Portanto, o básico nunca deve deixar de ser feito!

- Não lave o frango: ao fazer isso, essa água vai respingar por toda a pia, podendo atingir utensílios que serão usados em outros alimentos. Então, qualquer bactéria que estiver presente no frango poderá ser transmitida para outro alimento que for manuseado pelo utensílio que recebeu o respingo.

- Lave as superfícies da faca e tábua entre cada manipulação de alimento: "os microrganismos da carne crua podem contaminar o seu tomate, por exemplo. O ideal é ter tábuas separadas, uma para carnes, frango e proteínas animais em geral, e outra para verduras e vegetais. O principal é separar a manipulação das carnes cruas", explica Kunigk. Se o alimento seguinte for ser consumido cru, como uma salada, por exemplo, capriche ainda mais nessa lavagem.

- Não deixe os alimentos limpos do lado da pia: alimentos que vem da terra trazem microrganismos desse ambiente externo. Então, quando for higienizar um vegetal, como ao lavar um pé de alface, o ideal é que não tenha ao lado outros alimentos já lavados e prontos para consumo. Isso porque ele também pode espirrar bactérias nesses alimentos e isso pode transferir microrganismos para um produto pronto para consumo.

É importante dividir quando você irá fazer cada coisa. Guarde o que já está pronto para consumo e depois manipule o que ainda está sujo, porque existe risco de contaminação Cynthia Jurkiewicz Kunigk, engenheira química

Madeira na cozinha é enrascada!

Claro que desinfetar bem todos os seus itens de cozinha é algo essencial, entretanto, existem alguns materiais que, por mais que você limpe, não conseguirá atingir a parte em que algumas bactérias estão escondidas. Por isso, escolher bem o material com que os utensílios são fabricados é um dos cuidados mais importantes.

Aquela tábua de madeira feita para cortar carne, por exemplo, é até proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em restaurantes e na indústria em geral, tamanho é o seu potencial de acumular sujeira. Isso acontece porque a madeira tem poros onde os microrganismos penetram. Kunigk explica que mesmo que você lave muito bem esse material, não é possível higienizá-lo completamente, pois as bactérias estão em um ambiente muito profundo da madeira.

Por outro lado, o plástico acaba sendo uma opção mais vantajosa, mas é preciso observar o estado do utensílio conforme o uso. Se pensarmos em colheres, espátulas e potes, por exemplo, o plástico é um material que poderá ser limpo sem grandes dificuldades, por ser menos poroso do que a madeira.

Mas Kunigk ressalta que, se analisarmos o mesmo exemplo da tábua, por ser usada para cortes, essa peça pode ficar riscada com o tempo e também vir a se tornar um reservatório para bactérias. Nesse caso, o ideal é substituir a tábua quando começar a ficar riscada. Outros bons materiais para ter na cozinha pela sua facilidade de limpeza são o aço inoxidável e o vidro, pois suas superfícies lisas tornam muito mais simples a higienização.

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