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Com sintomas de anemia, mulher descobre que DIU foi parar em seu intestino

Dispositivos acabam saindo do útero quando há perfuração do órgão durante a colocação - iStock
Dispositivos acabam saindo do útero quando há perfuração do órgão durante a colocação Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

16/09/2019 16h15

Resumo da notícia

  • Paciente teve um DIU removido de seu intestino após quatro anos sem sentir nada
  • O problema acontece na colocação do DIU, quando o útero é perfurado, abrindo caminho para que ele vá para a cavidade abdominal
  • Especialistas contam que a ocorrência é rara, embora seja prevista entre os riscos do procedimento de colocação do dispositivo
  • Na maioria dos casos, basta retirar o dispositivo para que a recuperação seja total

Médicos do Departamento de Gastroenterologia do King Fahad Specialist Hospital na Arábia Saudita removeram um DIU (dispositivo intrauterino) do reto de uma paciente de 38 anos. O dispositivo foi encontrado após uma investigação sobre anemia e estava "escondido" no intestino há cerca de quatro anos, de acordo com a estimativa dos especialistas.

O caso foi publicado no periódico BMJ Case Reports. Na descrição, os médicos lembram que o DIU é um dispositivo seguro e comum para evitar a gravidez, mas que pode ter algumas complicações incluindo a migração do objeto para a cavidade abdominal e pélvica -- incluindo o intestino.

Neste caso, a mulher de 38 anos havia colocado um DIU há seis anos e engravidou em seguida; quando deu à luz, os médicos presumiram que o dispositivo havia sido expulso naturalmente.

Quatro anos depois, ela colocou outro DIU e permaneceu assintomática até que, recentemente, começou a sofrer de anemia. Parte da investigação incluiu uma colonoscopia, durante a qual os médicos descobriram o dispositivo no reto, a parte anterior ao ânus. Ele foi então removido por endoscopia e a paciente se recuperou sem maiores problemas.

O que é DIU?

O dispositivo intrauterino, mais conhecido pela sigla DIU, é o método contraceptivo de longa duração em que um pequeno objeto em formato de T é inserido no útero.

O dispositivo libera substâncias que causam alterações no endométrio, no muco cervical (que fica mais espesso) e nos espermatozoides, impedindo a gravidez. O método é considerado altamente efetivo, impedindo 99% das gestações.

É comum ele sair do útero?

Não. Na verdade, de acordo com o médico Rogério Bonassi Machado, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o DIU não irá se deslocar para outra parte do corpo sozinho. "O dispositivo sai do útero já durante a colocação, quando há uma perfuração do órgão", diz o especialista.

Nesses casos, o médico explica, o aparelho utilizado para inserir o dispositivo transpassa a parede uterina, deixando o caminho aberto para o DIU —que é inserido "dobrado", ou seja, sem as hastes em T abertas — sair daquela região.

De acordo com Machado, mulheres no pós-parto estão mais propensas a sofrer com o problema, já que o útero está mais "macio" e, embora isso facilite a colocação, também torna mais fácil de ser perfurado. Por isso, é comum que os médicos aguardem cerca de dois meses após o parto antes de fazer o procedimento.

Dor e sangramentos são sinais de que houve perfuração, mas como esses sintomas também podem surgir durante o processo sem intercorrências, nem o médico nem a mulher podem perceber que algo está errado.

Embora rara, a perfuração está prevista entre os riscos de colocação do DIU, que incluem ainda sangramentos, perfuração da bexiga, lesão de alças intestinais e reação vagal (uma ativação do nervo vago que causa tonturas, sudorese, náusea e palpitações).

O que pode acontecer?

Se o DIU estiver fora do útero, além de deixar a mulher desprotegida em relação à gravidez, o mais comum é que a mulher sinta algum desconforto na região abdominal; no entanto, como no caso descrito pelo BMJ, também é possível que ela não sinta nada e acabe descobrindo o problema por acaso. A maioria dos casos é resolvida sem complicações, com a recuperação total após a remoção do dispositivo geralmente por laparoscopia.

Mas, de acordo com Maurício Abrão, ginecologista e obstetra do Hospital Beneficência Portuguesa, existe a chance de o quadro evoluir para uma infecção. Por isso, é importante fazer um ultrassom de controle cerca de um mês após a inserção para garantir que o DIU está bem posicionado. "Se ele estiver ausente, é preciso investigar se ele migrou para algum lugar ou se o corpo expeliu, o que também pode acontecer", afirma.

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